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VIAGEM NO TEMPO

Efeitos toscos e orçamento alto: Série Flash raiz completa 30 anos

DIVULGAÇÃO/CBS

Com uniforme vermelho clássico do herói Flash, John Wesley Shipp faz pose em imagem da série Flash dos anos 1990

O ator John Wesley Shipp, vencedor de dois Emmys, na pele do Flash raiz da série dos anos 1990

JOÃO DA PAZ

joao@noticiasdatv.com

Publicado em 17/9/2020 - 7h00

A atual década foi de glória para as séries de heróis, com uma abundância de histórias que inundaram a TV, caso da popular Flash, de 2014. Três décadas atrás, a realidade era outra. Com efeitos toscos apesar do orçamento inflado, o Velocista Escarlate protagonizou uma atração que fez história, mas teve curto tempo de vida.

Sem a Flash de 1990, que completa 30 anos no próximo domingo (20), a produção estrelada por Grant Gustin não existiria. Naquela época, o drama procurou resgatar o tempo áureo que as séries de heróis desfrutaram nas décadas de 1960 e 1970, com verdadeiros clássicos como O Incrível Hulk (1977-1982, a do Lou Ferrigno com o corpo pintado de verde) e Batman (1966-1968, aquela com onomatopeias tipo "bang" e "pow" disparadas na tela).

A rede CBS queria uma atração para fisgar o público jovem bem no horário mais nobre da TV norte-americana, a noite de quinta-feira. Fazer uma série de herói era inovador para aquele período, mas caberia no plano de tentar agradar aos fãs desse nicho, eufóricos depois de ver o filme Batman (1989) de Tim Burton, sucesso absoluto de bilheteria e um marco do cinema.

Da editora DC Comics, a mesma do Homem-Morcego, veio a aposta. Flash é um herói divertido, jovem, envolvido em romances e com uma complicada história familiar. Elementos que se encaixam como uma luva para uma boa série. Depois de bater o martelo na escolha do justiceiro mascarado, veio a árdua tarefa de escalar um ator para passar boa parte do tempo dentro de uma fantasia.

Atualmente, atores sonham em viver heróis em filmes ou em séries, um papel que pode ser a certeza de anos e anos de trabalho. Mas antes, esse filão era tratado como algo infantil. A CBS testou mais de 60 atores, e grande parte deles achava tudo aquilo meio bobo. Acabou que John Wesley Shipp, duas vezes vencedor do Emmy por sua atuação em novelas americanas, topou o desafio.

Cofre aberto

Com um ator premiado confirmado, era hora de gravar o primeiro episódio. A estreia de Flash foi tratada como um filme, com duração de uma hora e meia. As cenas foram feitas em seis semanas, entre maio e junho de 1990, e só esse capítulo, que é chamado de piloto em Hollywood, custou US$ 6 milhões (R$ 31 milhões, na conversão atual), um valor exorbitante para aquele tempo. Os episódios subsequentes custaram US$ 1,6 milhão (R$ 8,34 milhões) cada.

Somente no piloto, foram 125 efeitos especiais. E era algo bem trivial. Por exemplo, como mostrar na TV a supervelocidade do herói Flash? Shipp tinha de ter paciência para repetir o mesmo gesto, como levar um garfo à boca em uma refeição, várias e várias vezes. Então, a produção pegava esses momentos e os acelerava na edição. Uma gravação de dezenas de minutos rendia poucos segundos de cena.

Para replicar o Flash em situações de mais ação, como uma luta, eram usados dublês que imitavam os gestos do personagem de Shipp. Em muitas ocasiões, o meme do Homem-Aranha se concretizava, com diversos "Flashes" na frente das câmeras. Eis outro fator que elevou o orçamento: o custo do uniforme. Apenas o gasto com o traje vermelho icônico chegava próximo de US$ 1 milhão.

divulgação/The cw

Grant Gustin em Flash (2014) ao lado de John Wesley Shipp, na pele de outra versão do herói


Cancelamento

A versão raiz do Flash durou uma única temporada, cancelada em 1991, com 22 episódios. O começo até que não foi ruim, mas a concorrência era brutal. A CBS colocou a série de herói para atrair o público jovem que não se identificava com a lendária comédia The Cosby Show (1984-1992), da rival NBC. Porém, no dia seguinte ao anúncio do horário de exibição de Flash, às 20h de quinta, a Fox surpreendeu trazendo para essa faixa a animação Os Simpsons, que ia ao ar aos domingos.

Para fugir da competição pesada, a CBS agiu. Mudou para 20h30 o segundo episódio, o que funcionou momentaneamente. Flash não vingou como esperado e outra alteração foi feita, migrando para as quartas. O primeiro indício do fracasso veio quando ela parou no sábado, dia que era o "quarto da bagunça" das redes americanas (não quer o produto em destaque, mas também não deseja jogá-lo fora).

A CBS até estava disposta a encomendar uma segunda temporada de Flash, mas para isso teria de fazer um corte drástico no orçamento. Os produtores bateram o pé e recusaram a proposta. Se tivessem aceito, a série perderia o mínimo de brilho e cairia de qualidade. Não restou alternativa a não ser o fim.

Trinta anos depois, a série permanece viva. No crossover de heróis de 2018, chamado de Elseworlds, foi oficializado que a Terra da Flash dos anos 1990 é a de número 90. Ou seja, esse planeta faz parte do Universo Arrow das séries da DC. E atores da atração nostálgica reviveram seus papéis na Flash atual. No caso de Shipp, a participação é tripla: ele interpreta o pai de Barry Allen (Grant Gustin), o Flash da Terra-3 e a outra versão do herói na Terra-90.

Veja um trecho da versão dublada da Flash raiz, com o herói durante um teste de velocidade, uma cena bem parecida com as vistas na atração atual:


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