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Revolução na Netflix

Como Orange Is the New Black transformou carreiras de atrizes desconhecidas

Divulgação/Netflix/DC/Hulu

Diane Guerrero em Orange Is the New Black e em Doom Patrol; Samira Wiley na série da Netflix e em The Handmaid's Tale - Divulgação/Netflix/DC/Hulu

Diane Guerrero em Orange Is the New Black e em Doom Patrol; Samira Wiley na série da Netflix e em The Handmaid's Tale

JOÃO DA PAZ

Publicado em 24/7/2019 - 5h19

Em 2013, a Netflix engatinhava no mundo da produção das séries e fez uma aposta arriscada. Na adaptação do livro Orange Is the New Black: My Year in a Women's Prison, lançado em 2010, a produtora Jenji Kohan, criadora de Weeds (2005-2012), investiu em um elenco inexperiente para encorpar um projeto de uma plataforma de vídeos até então obscura.

Para balancear essa ousadia, Jenji e sua equipe escolheram duas mulheres com um pouco de experiência para liderar a trama. Taylor Schilling, que tinha acabado de estrelar o filme Um Homem de Sorte (2012) ao lado de Zac Efron, ficou com o protagonismo. Ela recebeu o papel de Piper Chapman, personagem inspirada na autora do livro, a ex-presidiária Piper Kierman.

Para viver a peguete de Piper na penitenciária de Litchfield, a série trouxe Laura Prepon, a Alex Vause, que ganhou características da namorada real de Piper Kierman. Laura já era famosa com o público jovem por ter interpretado a sagaz ruiva Donna Pinciotti na comédia That '70s Show (1998-2006).

Todas as outras principais personagens de Orange Is the New Black eram meras desconhecidas do público. Elas ganharam relevância e tiveram as respectivas carreiras transformadas porque a trama deu espaço para suas personagens.

Afinal, Piper só é uma protagonista até a página 3. As outras presidiárias são fundamentais, um grupo de personagens femininas com uma trajetória de vida que até então tinha pouco espaço na TV: pobres, lésbicas, criminosas, latinas e negras.

Isso permitiu que várias atrizes mostrassem seu talento e fossem alçadas à fama. O caso de Uzo Aduba é emblemático. Ela tinha 32 anos de idade quando fez testes para entrar em Orange, com muita experiência no teatro, mas sem traquejo para atuar na frente das câmeras. No seu primeiro dia de gravação, ela pensou que seria demitida, por ter atuado tão mal (na opinião dela).

Em entrevista para o podcast do diretor Sam Jones, intitulado Off Camera, Uzo confessou que tremeu na base e pegou dicas com Laura Prepon, justamente porque a colega tinha mais experiência na TV. Uzo foi persistente, e a sua personagem, Suzanne "Crazy Eyes" Warren, se tornou popular e lhe rendeu um recorde: ela é a única atriz na história do Emmy a ganhar duas estatuetas pela mesma personagem em categorias diferentes, recebidas em 2014 e 2015.

Tanto sucesso a levou a ser um nome cobiçado em Hollywood. Ela não ficará muito tempo desempregada após o fim de Orange. Uzo está no elenco da badalada Mrs. America, minissérie do canal FX. A atriz viverá Shirley Chisholm, primeira negra eleita deputada federal e candidata à Presidência dos Estados Unidos.

Danielle Brooks, a intrépida Tasha "Taystee" Jefferson, também teve uma reviravolta após a série. Ela tinha acabado de sair de um curso de atuação e foi chamada enquanto trabalhava em um dinner theater (peça realizada durante um jantar, experiência pouco comum nos palcos brasileiros). Sua passagem pela atração seria rápida, de dois episódios apenas. Mas deu tão certo que Danielle durou até o final, com Taystee sendo crucial em boa parte da série.

A atriz cresceu na carreira depois de aparecer em Orange, sendo chamada para atuar em séries como Master of None (2015-2017). E estreou na Broadway com o musical The Color Purple, que em 2016 lhe rendeu uma indicação ao Tony, o Oscar do teatro.

A colega de Taystee na prisão de Orange era a divertida Poussey Washington, vivida por Samira Wiley. Assim como Danielle, Samira experimentou uma reviravolta na carreira. Atualmente, ela está na premiada The Handmaid's Tale, série pela qual foi indicada duas vezes ao Emmy, ganhando uma estatueta na cerimônia de 2018.

divulgação/reprodução/fx/netflix

A atriz Dascha Polanco nas séries ACS: Versace, Boneca Russa e Olhos Que Condenam


Mulheres requisitadas

Orange Is the New Black colocou um punhado de atrizes no mapa. Laverne Cox, primeira trans indicada ao Emmy, por viver a brava Sophia Burset na série da Netflix, está em alta e aparecerá em Dear White People, atração da gigante do streaming. Antes disso tudo, Laverne tinha como auge uma participação em um reality show.

Dascha Polanco, formada em Psicologia e Enfermaria, ia para seleções de elenco vestindo avental cirúrgico. Ela começou tarde como atriz, perto dos 30 anos. Hoje, após brilhar como a Daya, a atriz dominicana tem em seu currículo participações em séries de peso, do nível de American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace (2018), Olhos Que Condenam (2019) e Boneca Russa.

Essa última, aliás, tem a criação e o protagonismo de Natasha Lyonne, a nada prudente Nicky em Orange. A série da Netflix colocou Natasha em evidência, e ela aproveitou a oportunidade. Fez Boneca Russa, em parceria com Amy Poehler e Leslye Headland, e cravou duas indicações ao Emmy 2019, como roteirista e atriz.

Com sangue latino (tem pais colombianos), Diane Guerrero trabalhou primeiro em um escritório de advocacia antes de dar vida à irresistível Maritza Ramos, personagem de Orange com raízes na Colômbia. A vitrine da Netflix lhe deu três papéis em outras séries. Esteve em Superior Donuts (2017-2018) e Jane The Virgin. E é uma das protagonistas da série de heróis Doom Patrol, na pele de Crazy Jane.

A sétima e última temporada de Orange Is the New Black entra na Netflix nesta sexta-feira (26), com 13 episódios. 

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