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NA NETFLIX

Como Expresso do Amanhã entrou nos trilhos e mudou de rumo na 1ª temporada

IMAGENS: DIVULGAÇÃO/TNT

Com rosto ensanguentado e com dreads no cabelo, um barbudo Daveed Digs aparece na primeira temporada de Expresso do Amanhã

O ator Daveed Diggs na primeira temporada de Expresso do Amanhã, encerrada nesta semana na Netflix

JOÃO DA PAZ

Publicado em 15/7/2020 - 6h55

Sem identidade, Expresso do Amanhã estreou a ponto de descarrilhar com uma trama embaralhada. Mas, da metade para o final, a série disponível na Netflix melhorou ao focar em uma única história, a da luta de classes dentro de um trem enorme que não para. A primeira temporada do drama terminou nesta semana com um gostinho de quero mais.

O começo tortuoso da produção do canal americano TNT, baseada em filme homônimo de 2013 dirigido pelo vencedor do Oscar Bong Joon Ho, se deu pela investida forte em uma narrativa policial simplória. A ambientação também não ajudava, com pessoas enclausuradas em vagões com limitação de espaço.

Para quem estava na primeira classe do trem, a fartura reinava. Aqueles na rabeira, chamados de fundistas, viviam amontoados e com recursos zero. Isso em plena pandemia do novo coronvaírus (Covid-19), com a população mundial "presa" em casa cumprindo a quarentena, temendo a possibilidade de falta de alimento.

Expresso do Amanhã endireitou a rota lá pelo quinto episódio. A virada se deu com o flerte de uma revolução dos tais fundistas, liderados pelo detetive Andre Layton (Daveed Diggs), contra o comando do trem, simbolizado na porta-voz e chefe da secretaria Melanie Cavil (Jennifer Connelly). Desse momento em diante, a série cresceu com abordagens de temas interessantes.

Batizada de Snowpiercer, nome da atração em inglês, a composição de 1.001 vagões (como os personagens não cansam de lembrar o telespectador) tem como passageiros os últimos vestígios dos habitantes de todo o mundo. O ano é 2021, e a Terra está completamente congelada, após cientistas de várias partes tentarem corrigir o aquecimento global esfriando o planeta.

Apenas 3 mil pessoas sobreviveram. E elas estão no trem, divididas em classes. Enquanto os ricos desfrutam de comida fresca, oriunda de um vagão específico de produtos agrícolas, e se diverte em partes da composição com direito a bar, casa noturna e pista de boliche, os outros pagam o preço.

Quem habita a terceira e segunda classe trabalha para manter a locomotiva a todo vapor e servir a elite. Mas os fundistas nem pra isso servem.

Vencedora do Oscar, Jennifer Connelly é importante na engrenagem de Expresso do Amanhã


Opostos

Ao longo de sete anos com o trem em movimento, a classe mais humilhada do Snowpiercer tentou provocar uma revolução, sem sucesso. Layton foi o cabeça da revolta que triunfou e passou a assumir o controle da composição. O ideal dele é implantar um regime democrático, compartilhando as benesses do trem com todos.

Os elitistas não engolem a tomada de poder, afinal eram eles que deveriam estar lá. E com as classes ditas menores cheias de direitos e participação, quem faria os trabalhos braçais? É nesse ponto que Expresso do Amanhã tem sua importância, ao provocar uma reflexão sobre governança e igualdade em um microssomo de uma sociedade que espelha o que ocorre ao redor do globo terrestre.

Para deixar a história mais saborosa, há um desvio de caráter dos personagens principais que mexe com a cabeça do telespectador. Quem aparentemente é bonzinho pode ser capaz de cometer atrocidades. A pessoa apresentada como má tem dentro de si a vontade de fazer o bem. É uma dualidade bem injetada tanto em Layton quanto em Melanie.

E o desfecho da primeira temporada colocou a cereja em cima do bolo. Um novo trem apareceu lado a lado de Snowpiercer. Lá dentro está o Sr. Wilford, idealizador da locomotiva eterna que cruza os continentes, que todos acreditavam estar morto. Ele será vivido por Sean Bean, o Ned Stark de Game of Thrones (2011-2019).

Essa adição vai criar uma dinâmica explosiva entre Layton, Melanie e Wilford. Quem ali está somente atrás do mais puro domínio arbitrário e quem quer realmente o bem para o restante da população mundial? A segunda temporada de Expresso do Amanhã já está confirmada, mas não tem previsão de estreia.

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