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DIRTY THIRTY

Baseada em fatos reais, série da HBO narra corrupção de policiais em Nova York

Reprodução/Starz

Com cabelo jogado em cima do ombro esquerdo, Courtney A. Kemp veste uma jaqueta vermelha em entrevista sobre a série Power

A produtora Courtney A. Kemp durante entrevista sobre Power; ela está desenvolvendo drama policial para a HBO

JOÃO DA PAZ

Publicado em 29/6/2020 - 5h00

Nos anos 1990, Nova York viu explodir um dos maiores escândalos da história da polícia nos Estados Unidos. De extorsão a ligação com o tráfico, 33 policiais foram presos em um caso que estampou as manchetes dos jornais e agora vai ganhar uma adaptação na HBO, em série feita pela showrunner Courtney A. Kemp, de Power (2014-2020).

Atualmente em produção, Dirty Thirty carrega o nome de como esse caso ficou conhecido, com policiais corruptos (dirty, sujos em português) do 30º distrito policial da cidade americana (daí vem o thirty, trinta), localizado no Harlem, bairro carente habitado majoritariamente por não-brancos, como negros e latinos.

O drama nasce em um momento delicado para as séries policiais, o gênero mais popular da TV. Históricos, os protestos raciais nos EUA contra a violência policial, após a morte de George Floyd, colocaram essas atrações sob um microscópio.

A sociedade está atenta à exagerada exaltação ao policial branco herói, que burla leis e protocolos sem medo, usando como justificativa a captura de um bandido. Há uma cobrança sobre essa propaganda do agente da lei impune.

Em entrevista concedida ao The Hollywood Reporter, para a tradicional mesa-redonda --neste ano, virtual-- com os showrunners mais badalados do momento, Courtney comentou sobre o que o público pode esperar de Dirty Thirty, assim como sobre o processo de criação e algumas mudanças que serão feitas.

Ela deu a dica do foco da série. "[Dirty Thirty] É para pessoas, assim como eu, que têm uma saudável suspeita [das atitudes] de policiais, porque cresci com a mentalidade de nunca confiar na polícia", relatou a produtora. "Vale também para quem está do outro lado dessa conjectura [aqueles que confiam cegamente na lei]."

Courtney fez uma mudança importante entre os acontecimentos reais e o que será relatado na série. Os protagonistas de Dirty Thirty serão policiais negros, irmãos. Ela justificou por que decidiu adotar esse caminho.

"Eu queria fazer uma série sobre policiais negros, por isso refiz essa parte da história com dois irmãos negros que tentam trabalhar e conviver entre a corrupção", explicou. "Nesse sentido, quero falar do contraste que é ser negro e azul [apelido da polícia nova-iorquina]. Sempre fui curiosa com histórias de negros em situações ímpares. Aqui, temos o que o uniforme te permite fazer e no que ele pode te transformar."

Página do jornal nova-iorquino New York Daily News

Conheça a história

"Policiais algemados passaram a ser uma imagem perturbadoramente comum neste ano, em Nova York."

Assim, o jornal The New York Times iniciou uma reportagem, de outubro de 1994, que destacava a prisão de 14 policiais em uma única semana.

O texto destacava que até sargentos estavam no bolo, uma indicação que a corrupção vinha de cima.

Os policiais se aproveitavam da vulnerabilidade do Harlem para infringirem a lei. As prisões ocorreram por motivos variados, como agressão, conluio com o tráfico, roubo de dinheiro e drogas.

A corrupção era escancarada, sem aquele dinheiro repassado na surdina, uma "caixinha" para fazer vista grossa ao crime. Policiais tinham nomes na folha de pagamento de traficantes, recebendo até US$ 1 mil por semana.

Fora isso, eles se aproveitavam do poder, faziam buscas nas casas dos traficantes e roubavam dinheiro e cocaína. E eram adeptos da chantagem: os criminosos não eram presos, e os policiais ficavam com tudo. Afinal, os traficantes não iriam ligar para a polícia e reclamar que tiveram drogas e dinheiro vivo roubados.

A investigação para capturar esses 33 policiais durou dois anos, no mais absoluto sigilo. Os crimes foram até gravados por câmeras de vídeo ou escutas, com o flagrante de dois agentes da lei dividindo US$ 100 mil que pegaram de um traficante.

Esse caso foi notícia em todo o país. Como consequência, ficou o dever de ter uma maior e melhor vigilância das ações policiais, principalmente em áreas mais carentes da cidade. Foram criados trabalhos de ação social em parceria com organizações inseridas nas comunidades nova-iorquinas, tentativa de tornar a polícia amiga, não temida. Mas ainda falta muito caminho para percorrer nessa estrada...

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