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Análise | Teledramaturgia

Sucesso de Os Dez Mandamentos é caso isolado: Record não tem dramaturgia forte

Divulgação/Record

Sergio Marone em cena de Os Dez Mandamentos em que o faraó vê o rio Nilo virar sangue - Divulgação/Record

Sergio Marone em cena de Os Dez Mandamentos em que o faraó vê o rio Nilo virar sangue

RAPHAEL SCIRE

Publicado em 21/9/2015 - 5h36

As pragas do Egito têm feito estrago na audiência da Globo. A exibição das cenas em Os Dez Mandamentos, a novela da Record, vem atraindo cada vez mais público e abalando, ainda que levemente, as estruturas da concorrente. Nas duas últimas semanas, em pelo menos duas ocasiões Os Dez Mandamentos teve mais audiência do que A Regra do Jogo nos minutos em que confrontaram. Na última quinta, superou o Jornal Nacional durante 19 minutos, embora tenha perdido na média.

Grande parte desse abalo deve-se a uma estratégia de exibição acertada para a novela. Com uma história universal, o folhetim bate de frente com o principal telejornal da Globo. Ultimamente, o público parece preferir as fantasias faraônicas ao noticiário da realidade socioeconômica e política brasileira.

Porém, é cedo para afirmar que a Record acertou a mão em sua dramaturgia. Os Dez Mandamentos é um caso de sucesso isolado, assim como foi a saga de Os Mutantes (2007/2009).

Desde a exibição de suas minisséries bíblicas, a emissora investiu e se aprimorou em um filão religioso e encontrou público fiel ali, mas quando decide produzir novelas com outras temáticas sofre com sua irregularidade, tanto que terceirizou a produção de A Escrava-Mãe, que substituirá Os Dez Mandamentos.

Obra aberta que é, a telenovela corre aos sabores do público, e Os Dez Mandamentos é uma prova bastante contundente disso: à resposta positiva da audiência, a Record decidiu esticá-la. Diante do sucesso alcançado, seria natural que a trama ganhasse mais capítulos. A Globo já fez isso diversas vezes, e a Record só copiou um modelo que deu certo. A diferença reside na falta de solidez em sua dramaturgia, marcada, sobretudo, pela oscilação na audiência de um produto para outro.

Espanta, porém, que A Escrava-Mãe entre no ar com todos os capítulos já gravados. A responsabilidade de manter os mesmos índices da atual trama é gigantesca, e tudo conspira para uma brusca queda de ibope, uma vez que o público da emissora já deu mostras de que as novelas bíblicas são o grande chamariz de seu catálogo.

O fato de que Os Dez Mandamentos agrada ao público não significa que o folhetim deva ser ad eternum. Ao priorizar um só produto, a novela bíblica, a Record comete um erro primário: não consolida em sua grade um gênero que, com o folhetim atual, confirmou ter força e respaldo do público, ainda que a produção em questão sofra com pequenos deslizes, como o didatismo do texto e erros de escalação no elenco _Juliana Didone (Leila) ser mãe de Igor Cosso (Bezalel), um ator com quase a mesma idade que ela, é uma dessas bizarrices gritantes.

Abrir um segundo horário de novelas seria uma opção para maturar e construir tradição em sua teledramaturgia. Em vez de colocar A Escrava-Mãe no lugar de Os Dez Mandamentos, por que não dar continuidade às histórias bíblicas, com a já aprovada Josué e A Terra Prometida e deixar a produção enlatada para outra faixa horária?

Desse modo, a emissora manteria o público conquistado com sua atual novela e evitaria o desgaste que Os Dez Mandamentos pode sofrer com um eventual estica e puxa.


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