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Análise | Teledramaturgia

Absurda, cura gay de personagem serviu para a história de Babilônia

Raphael Dias/GSHOW

O ator Marcos Pasquim olha para Camila Pitanga; autores desistiram de fazer personagem gay na novela - Raphael Dias/GSHOW

O ator Marcos Pasquim olha para Camila Pitanga; autores desistiram de fazer personagem gay na novela

RAPHAEL SCIRE

raphascire@gmail.com

Publicado em 19/6/2015 - 12h24
Atualizado em 20/6/2015 - 7h28

Desde que a crise em Babilônia foi deflagrada, muitas mudanças foram promovidas na tentativa de salvar a novela das nove da Globo de um naufrágio vergonhoso. Tramas foram abortadas, personagens que iriam entrar na história, como a da atriz  Rogéria, ainda não deram as caras e perfis foram alterados na esperança de conquistar o público que cada vez fugia mais. Até aí, normal, novela é obra aberta e está sujeita a mudanças.

Vítima dessas alterações de rota, o personagem Carlos Alberto (Marcos Pasquim) seria um ex-atleta olímpico, viúvo e pai de um filho. Ao longo da trama, descobriria ser homossexual, teria um caso com Ivan (Marcello Melo Jr.) e veria sua relação com o filho abalada pelo preconceito. Mas as pesquisas de opinião da novela apontaram que as telespectadoras mais tradicionais não gostariam de ver Pasquim interpretando um gay.

Os autores, então, decidiram "curá-lo". Para que Ivan não ficasse sem história, criaram um novo personagem, Sérgio (Claudio Lins), irmão de Carlos Alberto e que agora formará o novo casal gay da trama.

O ex-atleta seria uma ótima oportunidade para Pasquim mostrar versatilidade, visto que a maioria de seus personagens exalavam virilidade. Pasquim ficou conhecido por interpretar os tipos descamisados das novelas de Carlos Lombardi e raramente teve a chance de mostrar outras facetas de sua interpretação. Não foi e não será desta vez.

A cura gay do personagem virou piada, é claro. Ironicamente, a novela levanta a bandeira da luta contra a homofobia depois de sofrer boicote no seu início por mostrar um beijo gay, mas acaba cedendo à pressão dos setores mais conservadores ao amenizar a temática. Carlos Alberto não só deixou de ser gay como passou a arrastar uma asa para cima da protagonista Regina (Camila Pitanga).

Por mais absurda que tenha sido a heteralização de Carlos Alberto, a mudança brusca do perfil do personagem teve função dentro da história e serviu para aquecer o conflito do casal principal da novela. Ao se aproximar de Regina, ele balança o relacionamento dela com Vinícius (Thiago Fragoso) e pode dividir a torcida do público para o final feliz da mocinha.

Regina e Vinícius não caíram nas graças do público porque simplesmente não existia entre eles um impeditivo forte o bastante para distanciá-los, a não ser o jeito intempestivo da mocinha. E casal romântico, em novela, não funciona sem conflito.

Ainda que no começo da história houvesse a presença de Cris (Tainá Müller), a ex-mulher de Vinícius, desde a sua saída de cena, o casal não tinha atritos. Cris está de volta, um tanto tardiamente, diga-se de passagem. Há ainda Luís Fernando (Gabriel Braga Nunes), o pai da filha de Regina, mas o personagem cômico é tão ruim que o público parece não ter comprado a ideia de que um sujeito como ele pudesse atrapalhar a relação dos dois.

De todas as mudanças operadas em Babilônia, a de Carlos Alberto foi a única que contribuiu efetivamente para a história. É pena que para isso os autores tenham abortado uma trama que renderia polêmica. Afinal, um dos papéis da telenovela é levantar discussões que contribuam para a sociedade. Regressar no perfil do personagem de Pasquim é como anular a importância de Babilônia para o história do gênero. 


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