MALHAÇÃO DIFERENTONA

Viva a Diferença merece tanto confete? Veja 3 razões para amar e uma para odiar

RAPHAEL DIAS/GSHOW

As atrizes Gabriela Medvedovski, Ana Hikari, Heslaine Vieira, Daphne Bozaski e Manoela Aliperti caracterizadas como as suas personagens de Malhação: Viva a Diferença

Gabriela Medvedovski, Ana Hikari, Heslaine Vieira, Daphne Bozaski e Manoela Aliperti, as protagonistas da trama

DANIEL FARAD - Publicado em 06/04/2020, às 06h00

Malhação: Viva a Diferença (2017) volta ao ar nesta segunda (6) para provar se realmente merece todos os confetes que ganhou três anos atrás. Em sua estreia na Globo, Cao Hambuguer virou um dos produtos mais longevos da casa de cabeça para baixo. Diferentona, a temporada rendeu não só elogios da crítica, mas também boa audiência. De quebra, ainda deu à emissora um prêmio Emmy Internacional Kids na categoria série em 2019.

Em 25 anos, o autor foi o único a romper com o enfoque da produção em jovens de classe média ou alta do Rio de Janeiro. A história acompanhou a trajetória de um grupo de cinco amigas, de diferentes realidades socioeconômicas, que se reuniam em torno bairro de Vila Mariana, na cidade de São Paulo.

O quinteto também quebrou com o padrão narrativo de um par romântico central que tem o seu relacionamento atrapalhado durante capítulos a fio por um (ou uma) antagonista sem escrúpulos.

"Só o fato de serem cinco protagonistas já era diferente de todas as outras temporadas, em que a gente sempre via um casal heterosexual [como fio condutor]. Desde o início, nós percebemos que ia ser um trabalho muito importante", avalia Ana Hikari, que deu vida a Tina.

Apesar dos temas abordados não serem necessariamente novos, e explorados à exaustão em outras fases do folhetim, Daphne Bozaski acredita que o diferencial da trama está em tocar em pontos cruciais sem exagerar no didatismo.

"A gente viu o quanto as questões eram absorvidas pelos jovens. Hoje, em que as referências se multiplicaram nas redes sociais, eu acho que muitos se sentem perdidos. Viva a Diferença é uma forma de fazê-los refletir sobre a vida para que sejam adultos melhores", analisa a intérprete de Benê.

Veja três razões para amar Malhação: Viva a Diferença

REPRODUÇÃO/TV GLOBo

Samantha (Giovanna Grigio) e Lica (Manoela Aliperti) se beijam no folhetim: gesto pioneiro 


Sem rótulos

Abertamente bisexual, Lica (Manoela Aliperti) foi a primeira protagonista LGBTQ+ de Malhação. Nos primeiros capítulos, ela mantinha um relacionamento aberto com MB (Vinícius Webster), mas acabou se apaixonado pela melhor amiga, Samantha (Giovanna Grigio). As duas deram o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo na história da produção.

"O compromisso da novela como um todo era falar sobre a realidade, que tem pessoas de orientações sexuais diversas, amizades complexas, questões profundas. Elas são meninas que já tinham um afeto e decidiram experimentar. Não é todo mundo que tem essa coragem", pondera Manoela.

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Lica (Manoela Aliperti) e Tina (Ana Hikari) em Malhação: diferentes visões sobre o feminismo


Girl power

Viva a Diferença conseguiu discutir com naturalidade alguns temas que costumam causar debates acalorados nas redes sociais. Com a narrativa compartilhada entre cinco garotas, a temporada abordou o feminismo e suas diversas caras e formas, sem esbarrar em um discurso didático ou panfletário.

Cada protagonista tinha o próprio jeito de mostrar o seu girl power, chavão que popularizou o empoderamento feminino na década de 1990. Ellen (Heslaine Vieira) e Tina serviram de contraponto, por exemplo, para a liberdade de Lica --que podia se expressar mais livremente, sem tantas amarras, por conta dos privilégios de ser de uma família de alto padrão.

As jovens lidavam de forma diferente com a desigualdade de gênero, já que a sua experiência de vida trazia outros preconceitos e barreiras quem nem sempre as outras amigas enxergavam. Enquanto Ellen sofreu ao ganhar uma bolsa em uma escola particular pela sua origem humilde, Tina enfrentou a mãe Mitsuko (Lina Agifu) para se relacionar com Anderson (Juan Paiva) --um jovem negro.

Cao não se furtou a mostrar também a hipocrisia ou contradições das meninas. Lica pregava o direito de não se apegar a ninguém, mas surtou ao descobrir os relacionamentos extraconjugais do pai Edgar (Marcello Antony).

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A atriz Daphne Bozaski interpreta Benê na novela de Cao Hamburger: síndrome de Aspenger 


Nada de caricatura

Em 2020, Benê continua como uma representação bastante diversa do que as novelas costumam retratar em relação ao espectro do autismo. Ela tem síndrome de Asperger, uma denominação para autistas de alto rendimento, que não apresentam atrasos de desenvolvimento ou comprometimento cognitivo graves.

Com as suas particularidades, a menina viveu todos os dilemas de suas amigas, entre elas as paixões adolescentes. Ela engatou um romance com Guto (Bruno Gadiol), que se estendeu até o final do folhetim.

O roteirista escapou da saída fácil de abordar um caso mais severo para criar conflito em sua trama, caso tanto de Linda (Bruna Linzmeyer) em Amor à Vida (2013) ou de Justina (Julia Stockler) em Éramos Seis (2019).

"Eu estudei bastante para não cair em uma caricatura e hoje eu vejo que várias pessoas que eu já convivi podem muito bem serem autistas, sem nunca se darem conta disso", revela Daphne.

E uma razão para odiar Viva a Diferença

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Malu (Daniela Galli) é a antagonista da história: a vida levou a culpa pelas maldades da vilã


Coisas de novela

Apesar de todos os esforços de Cao para contar essa história de uma forma diferente, a novela não deixou as características dos folhetins de lado. Assim como Amor de Mãe, a divulgação na época apostou na velha máxima de que o vilão é a vida. Mitsuko e Malu (Daniella Galli), porém, tocaram o terror durante quase todos os episódios --com uma eventual redenção para completar o clichê.

O escritor também não conseguiu escapar da lógica dos triângulos amorosos, como Keyla (Gabriela Medvedovski) dividida entre Tato (Matheus Abreu) e Deco (Pablo Morais). Ele também preferiu não contrariar o público e desfazer casais por conta da torcida nas redes sociais.

A tônica dos finais felizes, alguns excessivamente melosos, não ficaram de fora. Tina e Juan decidiram juntar as escovas de dente para marcar a passagem da adolescência à vida adulta. "Eu acho tudo cafona, então lembro de me questionar se não estava brega demais (risos), mas foi um jeito legal de terminar [a novela]", entrega Hikari.


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