Reprise editada

Ibope baixo, agressões e fantasias sexuais: Por que o canal Viva corta Bebê a Bordo

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Os atores Isabela Garcia e Tony Ramos em cena do primeiro capítulo de Bebê a Bordo: fiasco no Ibope - Divulgação/Globo

Os atores Isabela Garcia e Tony Ramos em cena do primeiro capítulo de Bebê a Bordo: fiasco no Ibope

REDAÇÃO - Publicado em 03/05/2018, às 06h34

Inovadora nos anos 1980, Bebê a Bordo (1988) virou problema para o Viva em sua reprise. A novela de Carlos Lombardi derrubou o ibope do canal e, desde a última segunda-feira (30), tem sofrido grandes cortes nos capítulos, principalmente de tramas polêmicas. Marcada por linguagem ágil, sarcástica e muitas insinuações sexuais, a reprise editada deve chegar ao fim dois meses antes do previsto, para a revolta dos telespectadores fiéis.

No ar desde 15 de janeiro, Bebê a Bordo fez a audiência dos horários em que é exibida, à 0h30 e às 15h30, cair até 77%, revelam dados obtidos com exclusividade pelo Notícias da TV.

De acordo com o Ibope, sua antecessora, Tieta (1989), registrou média de 1,3 ponto entre assinantes do país inteiro, de maio a novembro de 2017, na reprise vespertina. Já no período de janeiro a abril deste ano, a média da trama de Lombardi é de 0,3 ponto. Ou seja, a novela de Aguinaldo Silva dava quatro vezes do que Bebê a Bordo.

O Viva vem condensando três capítulos de Bebê a Bordo em um só. Essa prática é comum no Vale a Pena Ver de Novo, da Globo, mas é a primeira vez que o Viva faz isso desde que estreou entre os canais de TV paga, em 2010.

Mais curta, a novela deve acabar 15 de julho, dois meses antes do que estava previsto. Embora o principal motivo dos cortes seja o baixo ibope, o canal Viva tem usado a tesoura eliminar tramas e personagens controversos.

Joana (Débora Duarte), masculinizada e vista como homossexual (apesar de não assumir nada na trama), perdeu espaço nesta semana. Uma cena de striptease de Ângela (Maria Zilda Bethlem) foi cortada.

A personagem é uma solteirona que nunca viveu um grande amor porque dedicou toda a sua vida a cuidar dos irmãos. Na intimidade do seu quarto, no entanto, ela tem delírios sexuais com um locutor de rádio chamado Tonhão (José de Abreu). A novela mostra longas e detalhadas sequências das fantasias de Ângela.

Procurado, o canal não se pronunciou. Ontem (2) à noite, publicou nota nas redes sociais afirmando que a novela continuará sendo editada na TV, mas que estará na íntegra a partir de segunda-feira (7) em seu aplicativo de TV everywhere (Viva Play).

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Ângela (Maria Zilda Bethlem) em cena de uma de suas fantasias sexuais em Bebê a Bordo

Moderna e nada conservadora
Exibida originalmente entre 1988 e 1989, na faixa das 19h, Bebê a Bordo chegou a ser censurada, mas superou os impasses e foi sucesso da Globo na faixa das sete. A história central era a de Ana (Isabela Garcia), uma fugitiva da polícia.

Logo no primeiro capítulo, o público a conheceu como uma jovem que vivia com um bandido, havia engravidado de um estranho em uma festa e se envolvia em um assalto. Após parir Heleninha (Beatriz Bertú) no meio da rua, ela deixou a filha para ser criada por outras pessoas.

A situação da bebê era complicada, e outra criança da trama também sofria. Juninho (João Rebello) era agredido pela mãe Soninha (Inês Galvão), que batia e xingava o garoto.

"Eu era vilã, mas [os telespectadores] achavam muito engraçada a maneira como eu tratava meu filho. Eu empurrava, chamava de garoto cansativo, chato. Tem uma cena em que eu penso que devia estar possuída pra fazer, saio arrastando o menino pela beira da piscina. Hoje, isso ia dar problema, imagina", lembrou Inês em entrevista ao Notícias da TV, em janeiro.

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Sininho (Carla Marins) e Rei (Guilherme Fontes) tinham um relacionamento aberto na novela

Outra "transgressão" de Bebê a Bordo foi tratar mais abertamente sobre sexo. A gíria "levar uns coelhos" para falar sobre o ato sexual foi popularizada pelos irmãos Rico (Guilherme Leme) e Rei (Guilherme Fontes). Sininho (Carla Marins) ficava com os dois, e cenas sensuais dela chegaram a ser cortadas pela Censura Federal. 

Bebê a Bordo também inovou ao mostrar famílias que não seguiam nem de longe o modelo de comercial de margarina, com parentes que não se davam e formações diferentes do padrão. No fim da trama, por exemplo, Heleninha não fica nem com a mãe nem com a avó: ela vai viver com os dois pais, Rico e Rei, no Paraguai.

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