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SUZANA FAINI

Atriz de A Favorita morreu frustrada com a Globo: 'Insatisfação muito grande'

FREDERICO ROZARIO/TV GLOBO

Os atores Suzana Faini e Tarcísio Meira como Iolanda e Copolla em A Favorita; eles estão frente a frente, enquanto ela olha para ele com raiva, gesticulando com as duas mãos fechadas em forma de soco, e ele a observa parado

Iolanda (Suzana Faini) e Copola (Tarcísio Meira) em A Favorita; atriz ficou 13 anos sem convites

ARTHUR PAZIN

arthurpazin@noticiasdatv.com

Publicado em 10/11/2022 - 6h25

Suzana Faini, a intérprete de Iolanda em A Favorita, morreu em 25 de abril, aos 89 anos. Quando deu vida à personagem da novela que se despede do Vale a Pena Ver de Novo nesta sexta (11), a atriz demonstrou sua frustração com a Globo. "Insatisfação muito grande", disse a veterana em entrevista à época.

Na ocasião, Suzana confessou não entender por que ficou tanto tempo longe das novelas. É que antes de encarnar a moradora de Triunfo na trama de João Emanuel Carneiro, a atriz não fazia um folhetim inteiro na Globo desde 1995, quando viveu Dalva no remake de Irmãos Coragem.

A veterana afirmou que sabia das dificuldades do mercado, mas avaliou que por não ter sido muito presente em fotos e entrevistas na mídia criou a situação para ficar afastada dos folhetins.

"Sei que não tem nada de pessoal, mas você acaba pensando: não gostam de mim, nem do meu trabalho. Ainda hoje isso causa um negócio na minha cabeça. Então, acho que uma das minhas grandes falhas foi não ser mais acessível à mídia", analisou a artista.

Ela lembrou, durante o bate-papo com o jornal O Globo, que quando ia à praia com a filha pequena, por exemplo, não chamava a atenção dos fotógrafos. "Sempre fiquei na minha. Hoje eu sei que isso não é bom. A mídia adora uma novidade, um vestido ou um namorado novo", disse a atriz, em 2008.

DIVULGAÇÃO/AGNEWS

Suzana Faini com a filha Milenka

Suzana Faini com a filha, Milenka

Participações apenas

Suzana se dedicou ao teatro e surgiu em diversas participações especiais. Ela viveu uma juíza em Começar de Novo (2004) e freiras na minissérie Chiquinha Gonzaga (1999) e na novela Desejos de Mulher (2002).

Suzana também integrou o elenco das minisséries Hoje É Dia de Maria (2005) e Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007), na qual deu vida à mãe de Plácido de Castro (Alexandre Borges). No entanto, antes de A Favorita (2008), não havia recebido convites para papéis de maior destaque.

"Nunca fui cogitada para ser a protagonista. Honestamente, não guardo mágoas. Tenho uma insatisfação muito grande por outro motivo, porque sou uma atriz que poderia ter tido mais trabalho. E é claro que gostaria de ter feito coisas mais relevantes", declarou.

A atriz também relembrou um episódio em que perdeu a chance de um papel principal em uma trama de Janete Clair e relatou a dificuldade de ter contato, à época, com as equipes das novelas. 

Uma vez, a Janete [Clair] disse que tinha escrito para mim. Mas acabei fazendo outra personagem. Ela me contou que não havia nada contra mim, apenas muita gente a favor da outra atriz. Não vou dizer qual foi a novela, mas aquele trabalho poderia ter mudado a minha carreira. E, hoje em dia, o Projac é uma cidade à parte. Quando você telefona para lá, fala com a secretária eletrônica da secretária do secretário do assistente. É impossível fazer contato. Quando os estúdios eram no Jardim Botânico, encontrava todo mundo ali nos corredores. Inclusive os autores.

Fora dos folhetins, ela teve que lidar com diversos telespectadores nas ruas, perguntando sobre seu paradeiro:

Pensavam que eu estava de férias, que eu não queria mais trabalhar. Imagine... Para mim, é uma deformação ficar sem produzir. Sem trabalho, eu me atrapalho toda, meu dia não rende. Sem falar do lado econômico. Alguns chegavam a perguntar por que a Record não me chamava. Respondia: por que a Globo não me chama?! Afinal, sempre trabalhei na emissora, apesar de nunca ter sido contratada. Comecei lá na década de 60, quando ainda era bailarina.

Retomada

Em A Favorita, Suzana retornou às novelas aparecendo com maior frequência do começo ao fim da história. Na trama, ela era casada com Copola (Tarcísio Meira) e morria de ciúmes da ex do marido, Irene (Glória Menezes). Na ocasião, a atriz comemorou o convite e agradeceu por estar trabalhando.

O papel na saga de Flora (Patricia Pillar) e Donatela (Claudia Raia) abriu caminho para uma retomada na carreira de Suzana Faini. A atriz engatou diversos personagens em folhetins da Globo, em novelas de Gloria Perez e Elizabeth Jhin.

Depois de uma participação em Caminho das Índias (2009), ela viveu a governanta Antônia, personagem de bastante destaque na novela das seis Escrito nas Estrelas (2010). Em seguida, integrou o elenco de Salve Jorge (2012) e se despediu das novelas em Espelho da Vida (2018), encarnando uma governanta misteriosa e importante para a trama espírita.

O último trabalho de Suzana Faini como atriz foi na série Sob Pressão (2018). Ela morreu em abril deste ano após complicações do Parkinson. Em seus quase 50 anos de carreira na TV, a atriz era lembrada também por seus papéis em Irmãos Coragem (1970), Pai Herói (1979) e Top Model (1989).

JOÃO MIGUEL JÚNIOR/TV GLOBO

Suzana Faini em Espelho da Vida

Suzana Faini em Espelho da Vida

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