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COLUNA DE MÍDIA

Onda de demissões na WarnerMedia coloca HBO Max em risco

Divulgação/HBO Max

Zendaya em Euphoria

Zendaya em Euphoria; demissões na WarnerMedia podem ameaçar sucessos como série da HBO Max

GUILHERME RAVACHE

gravache@gmail.com

Publicado em 13/5/2022 - 6h35

Não foi por falta de aviso. CEO da Warner Bros. Discovery, David Zaslav alertou que faria grande cortes de custos quando fosse concluída a fusão da Discovery e da Warner Media. Mas a velocidade e o tamanho do facão do executivo tem superado as piores expectativas.

O alto comando da empresa foi defenestrado logo na primeira semana após a conclusão da fusão dos dois grupos no mês passado. Jason Kilar, CEO da WarnerMedia, foi um dos primeiros a deixar o cargo, seguido por oito de seus executivos mais próximos. Até aí, nenhuma novidade. A saída de Kilar e seu time era esperada.

Mas o que tem surpreendido é que Zaslav tem passado o facão também nas lideranças da empresa no mundo inteiro, principalmente na área de streaming, que era bem avaliada pelo mercado, já que a HBO Max tem crescido consistentemente seu número de assinantes nos últimos meses.

Menos conteúdo na HBO Max?

Na quinta-feira (12), foram anunciadas as demissões de Brad Wilson, gerente geral e vice-presidente executivo dos Estados Unidos; Johannes Larcher, gerente geral de International; Luis Duran, gerente geral da América Latina; Sarah Lyons, vice-presidente executiva de produto e Jason Press, CTO e chefe de Engenharia da WarnerMedia.

Além deles, deixaram a empresa Tom Ascheim, presidente da Warner Bros. Global Kids, Young Adults e Classic, e Brett Weitz, gerente geral da TNT, TBS e TruTV. No Reino Unido, Irlanda e outros mercado internacionais, também foram "negociadas" saídas.

Na gestão da Discovery, cortar custos é prioridade. Mês passado, Zaslav afirmou que "não quer vencer a guerra do conteúdo". A frase foi uma ironia com os altos gastos do setor. Os investidores adoraram. Enquanto a Netflix despenca na bolsa, a Warner Bros. Discovery tem recebido avaliações positivas de analistas por sua agressiva estratégia de corte de custos.

"Embora ainda estejamos cautelosos com o setor de streaming altamente competitivo, achamos que a abordagem da administração de não tentar 'ganhar' a guerra de gastos do streaming é uma estratégia mais sustentável do que vemos em alguns pares", escreveram os analistas da Cowen em um relatório.

Segundo os analistas da Moffett Nathanson, um dos maiores desafios da empresa é resolver seu problema de fluxo de caixa. As produções demandam altos investimentos, e a HBO Max ainda dá grandes prejuízos e não tem perspectivas de lucro em curto prazo.

Novelas brasileiras ameaçadas

Agora, é questão de tempo para que os cortes sejam cascateados para os andares de baixo. Como também houve troca da liderança na América Latina, os funcionários estão bastante apreensivos no Brasil. 

Uma área particularmente em risco parece ser o recém criado núcleo de Dramaturgia, liderado pela executiva Mônica Albuquerque e que conta com o autor Silvio de Abreu na equipe. Criada em 2021, a área demanda altos investimentos, já que produz conteúdo original e contrata estrelas e profissionais técnicos.

Entre os principais objetivos deste núcleo estava a produção de telesséries sob a liderança de Abreu. Com a nova direção, o risco é que boa parte dos projetos nem saia do papel. Como revelou o colunista Gabriel Vaquer, os executivos do núcleo estavam esta semana nos Estados Unidos defendendo os projetos de novelas no Brasil.

Ao comprar a WarnerMedia, a Discovery ficou com uma dívida de mais de R$ 282 bilhões. Zaslav prometeu cortar já nos próximos dois anos R$ 15 bilhões em despesas. Onde ele vai cortar já está ficando claro.

Além de demitir executivos, na TNT e TBS, canais da Warner, foram cancelados todos os desenvolvimentos de produções roteirizadas. A Discovery é notória por reality shows como Largados e Pelados, que atraem audiência e custam pouco em relação à dramaturgia.

As grandes produções da HBO Max dificilmente vão escapar. Elas são dezenas de vezes mais caras que reality shows. Para muitos, cortar custos das produções da HBO, boa parte entre as mais caras e premiadas do mercado, é matar a essência da marca. 

Mas a liderança da Discovery não parece se intimidar pelas críticas ou decisões impopulares. Ela fechou a CNN+, o streaming do canal de notícias, menos de um mês após a estreia da plataforma nos Estados Unidos. Com o fim da CNN+, a Discovery diz que irá economizar mais de R$ 2 bilhões.

Dezenas de profissionais foram demitidos, boa parte com poucas semanas de casa, já que tinham mudado de emprego para trabalhar na nova plataforma.

Choque de culturas

Como afirmou a casa de análises Cowen, um dos maiores desafios da fusão WarnerMedia e Discovery será integrar duas culturas tão diferentes. "O desempenho dependerá muito da capacidade do CEO David Zaslav de misturar as culturas díspares das duas empresas e navegar em seus relacionamentos com a comunidade de Hollywood".

"Como a Warner Bros. Discovery irá priorizar o investimento em streaming sem prejudicar seu portfólio de redes de TV tradicionais? A recente desaceleração de assinantes da Netflix muda o plano de investir no streaming daqui para frente?", questionaram os analistas da Moffett Nathanson em 26 de abril.

Os pesados cortes de executivos na área de streaming, aparentemente, respondem a esta pergunta. Agora, a ordem é que a HBO Max dê lucro --e logo.

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