GUERRA DE GIGANTES

Emissoras britânicas se unem para bater de frente com Netflix e Amazon

Divulgação/BBC

O ator Benedict Cumberbatch em cena de Sherlock, série da BBC disponível na Netflix - Divulgação/BBC

O ator Benedict Cumberbatch em cena de Sherlock, série da BBC disponível na Netflix

REDAÇÃO - Publicado em 09/03/2018, às 05h46

Rivais na TV britânica desde 1955, a BBC e a ITV vão juntar forças para combater um adversário em comum: os serviços de streaming como Netflix e Amazon, que têm crescido em ritmo acelerado no Reino Unido e modificado o panorama do entretenimento. A BBC defende que as emissoras do país unam seus conteúdos em uma nova plataforma digital.

Em uma conferência realizada na manhã de ontem (8) em Londres, a presidente da ITV, Carolyn McCall, sugeriu que sua emissora vai se unir à BBC e à terceira maior rede do país, o Channel 4, para fazer frente às novas plataformas.

"Eu acredito que as redes britânicas vão colaborar mais do que nunca nesse aspecto, porque [a TV] é um ambiente precioso e muito subestimado pelas pessoas", declarou a executiva durante a Deloitte and Enders Analysis' Media and Telecoms.

O discurso de Carolyn seria fortalecido por uma declaração que Tony Hall, diretor-geral da BBC, faria aos colaboradores nesta semana _mas que acabou adiada após ele ser diagnosticado com uma infecção respiratória.

No texto do discurso, adiantado pelo jornal The Guardian, Hall sugere que as TVs britânicas lancem uma nova plataforma que reúna seus conteúdos.

Hall compara a batalha com o streaming com a história bíblica de Davi e Golias, e cita "cinco gigantes da costa oeste" norte-americana: Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google. "Nós não somos mais os maiores do ramo, e só podemos vencer essa guerra se acelerarmos as mudanças", afirma.

Como a BBC não depende de publicidade (a rede é bancada por um imposto pago por todos os moradores do país), Hall defende que o problema do crescimento da Netflix e da Amazon não é exclusivamente financeiro.

"Os gigantes vão roubar grandes talentos, mas não é do interesse deles inspirar as próximas gerações. Isso é o trabalho da BBC e, no momento, ninguém faz melhor do que a gente", diz.

Atualmente, boa parte da programação da BBC é vendida para a Netflix em território britânico _alguns programas, como a série Sherlock e o documentário Planeta Terra, estão disponíveis também no Brasil. A emissora e a plataforma são parceiras ainda em projetos grandiosos, como Troy: Fall of a City. A proposta de Hall seria tirar essas atrações da concorrente e colocá-las no novo serviço de streaming.

A estratégia é similar à tomada pela Disney, que atualmente disponibiliza séries infantis do Disney Channel, filmes de super-heróis e animações na Netflix. Com o lançamento de um serviço de streaming próprio em 2019, a distribuidora vai recuperar seu conteúdo para fortalecer a nova plataforma.

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