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Com streaming, Globo tenta driblar rejeição à TV aberta e ampliar público

Ramón Vasconcellos/TV Globo

O ator Rodrigo Lombardi em Carcereiros, série lançada no Globoplay antes de ir ao ar na TV - Ramón Vasconcellos/TV Globo

O ator Rodrigo Lombardi em Carcereiros, série lançada no Globoplay antes de ir ao ar na TV

FERNANDA LOPES

Publicado em 17/8/2018 - 5h20

Ciente de que boa parte do público já torce o nariz para suas produções e venera lançamentos de plataformas como a Netflix, a Globo está investindo em séries pensadas para serem lançadas primeiramente em streaming. A emissora considera bem-sucedido o caso de Carcereiros e agora aposta na exibição de conteúdos em multiplataformas.

"É uma lógica de ampliação de alcance, as histórias podem impactar mais gente. Em cada plataforma tem determinado público. Sendo bem realista, tem gente que hoje tem uma rejeição e está distante da TV aberta, mas esse público está online. Se tivermos conteúdo ali [no Globoplay, plataforma de streaming da emissora] disponível, estamos ampliando o alcance. Essa estratégia vem pra atingir público maior", disse Leonora Bardini, chefe de curadoria de conteúdo da Globo.

Em painel realizado no seminário Obitel (Observatório Ibero-americano de Ficção Televisiva), realizado na USP (Universidade de São Paulo) ontem (16), Leonora admitiu que a emissora até demorou para se inserir na prática de liberar séries para o telespectador maratonar. Essa estratégia era vista internamente como uma "canibalização" do conteúdo, como algo que minaria a possibilidade de sucesso na TV aberta, o grande negócio do grupo, que paga os custos de produção.

Carcereiros foi lançada no streaming em junho do ano passado. Até a estreia na TV aberta, em abril deste ano, seu episódio mais visto tinha sido acessado 192 mil vezes. Na estreia na Globo, a série marcou 25,7 pontos, o que equivale a 1,8 milhão de domicílios apenas na Grande São Paulo.

Mas, para Globo, a estratégia com Carcereiros foi ótima também no Globoplay. "Quando foi lançada, ficou entre os dez conteúdos mais assistidos. Em abril, no dia seguinte após começarem as chamadas na TV, virou o quarto conteúdo mais visto. Quando estreou na programação, foi o segundo. É interessante ver como as plataformas se retroalimentam", revelou.

A executiva também se surpreendeu com o fato de que o próprio Globoplay se retroalimenta. Ela contou que, assim que Segundo Sol estreou, a audiência de Avenida Brasil (2012) subiu, porque o público queria relembrar o trabalho de Adriana Esteves. O mesmo aconteceu com a estreia de Carcereiros, que levantou os acessos às cenas de Verdades Secretas (2015), também protagonizada por Rodrigo Lombardi.

No que compete às séries, a emissora agora tem um "planejamento de oportunidades", que começa quando a sinopse é aprovada. Além de o texto precisar ser potente e capaz de durar mais de uma temporada, convém ter uma estratégia de distribuição cuidadosa para prender a atenção do público. 

"Isso é uma prática recente na Globo. Na hora em que a sinopse é aprovada, precisamos saber quais são as possbilidades de exibição desse conteúdo ao longo de três, cinco, até 20 anos. Na própria criação já dá para fazer camadas de conteúdo", disse. 

"É importante que os artistas conheçam e entendam as possibilidades, o objetivo é pensar essa estratégia com o máximo de antecedência possível. Existem séries que tem um potencial de exibição em binge watching [toda a temporada disponibilizada de uma só vez], mas também pode ter uma versão filme. A mesma história pode ser contada de várias formas, e aí podemos atingir um público mais amplo", explicou.

divulgação/globo

Os autores Marçal Aquino e Fernando Bonassi, responsáveis pela adaptação de Carcereiros

Novela x série?
Para os criadores de ficção, tudo isso também é novidade. "Eu só me preocupava com a jornada do herói, agora tenho que me preocupar com a jornada do telespectador também", ironizou Marçal Aquino, escritor e um dos autores que adaptou Carcereiros para a TV, durante o Obitel.

Ele e Fernando Bonassi, o segundo autor, também não se preocupam com a linguagem da série e a exposição de cenas fortes na TV, com mortes e palavrões. "Se você solta um 'car****' na hora errada, o Ministério da Justiça te monitora no próximo episódio. Mas a gente trabalha com encomenda, e as encomendas têm o tamanho da coragem do financiador", disse, em referência à Globo.

A única preocupação dos autores é manter o mercado de séries brasileiro aquecido, inovador e distinto das novelas. Eles reconhecem o sucesso e a marca indiscutível delas na cultura nacional, mas também acham importante ter as liberdades temática e de novos formatos.

"O Brasil é um país melodramático porque o melodrama dá certo. Mas e a frieza de poder matar [um personagem] em cena? A dor e a delícia de escrever seriado na Globo é a enorme sombra negra da novela", falou Bonassi. 

"Para nós, sempre houve uma tensão constante entre a linguagem e estereótipo de série, que não é de novela, não poderia ser. E sabemos que essa linguagem de novela vai estar sobre nós [soberana] o tempo inteiro. Mas a Globo sabe também que a inserção no mercado de séries é importante. São dois formatos que vão conviver", completou Aquino.

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