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QUE BOMBA!

Cinco motivos para evitar (e dois para ver) A Festa de Formatura na Netflix

Fotos: Divulgação/Netflix

James Corden, Nicole Kidman, Meryl Streep e Keegan-Michael Key parecem pensativos em cena de A Festa de Formatura

James Corden, Nicole Kidman, Meryl Streep e Keegan-Michael Key em A Festa de Formatura, da Netflix

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 12/12/2020 - 6h50

Criador da série Glee (2009-2015), Ryan Murphy volta ao mundo dos musicais com A Festa de Formatura, disponibilizado pela Netflix na sexta (11). O elenco repleto de estrelas como Meryl Streep, Nicole Kidman, James Corden e Kerry Washington, porém, não salva o longa de ser uma bomba --exatamente como o espetáculo sobre Eleanor Roosevelt (1884-1962) que dá o pontapé na história ficcional.

Baseado no musical The Prom, que durou menos de um ano na Broadway, o filme conta a história de dois atores, Dee Dee Allen (Meryl) e Barry Glickman (Corden), que são detonados pela crítica após a estreia da peça deles mais recente. Com a informação de que ambos não são queridos pelo público porque são vaidosos e egoístas demais, eles decidem encontrar uma causa para defender e, assim, fazerem bonito diante dos fãs.

Enquanto isso, no interior de Indiana, a jovem Emma Nolan (Jo Ellen Pellman) está sofrendo porque foi proibida de levar sua namorada ao baile de formatura. Ela luta para provar que tem o mesmo direito de curtir a noite que os colegas heterossexuais, mas é barrada pela Associação de Pais e Mestres, liderada pela intransigente senhora Greene (Kerry Washington).

Quando Dee Dee e Barry ficam sabendo do caso de Emma, decidem ir até Indiana para defenderem o amor e se assegurarem de que a jovem terá um baile de formatura que jamais irá esquecer --mesmo que ela não faça muita questão da ajuda dos astros, que ainda ganham a companhia da corista Angie (Nicole Kidman) e do ex-ator de TV Trent (Andrew Rannells).

A sinopse é interessante, mas o filme derrapa em vários momentos, da escalação de alguns atores às piadas que só funcionam para quem acompanha o mundo da Broadway. Confira cinco motivos para passar bem longe de A Festa de Formatura:

Meryl e Corden são os astros do longa

1) James Corden

Um dos maiores problemas de A Festa de Formatura tem nome e sobrenome: James Corden. O apresentador de talk show interpreta um ator gay, exageradamente afeminado e que sofreu no passado com o preconceito dos pais. Na vida real, Corden é heterossexual, o que cria problemas em sua atuação. Não que héteros não possam fazer gays na ficção (ou vice-versa), mas ele não tem a vivência necessária para entender alguns dos dramas do personagem, e o transforma apenas em uma caricatura.

A escalação de Corden fica ainda mais problemática se levado em conta que, em seu filme anterior para a Netflix, The Boys in the Band, Ryan Murphy escalou apenas atores homossexuais assumidos para contar uma história que marcou a comunidade LGBTQ+. A questão de Emma ser proibida de ir ao baile, embora contada de uma maneira bem mais leve e colorida, é tão séria quanto --e deveria ter sido honrada com uma escalação de elenco adequada.

2) Falta foco

Na Broadway, The Prom era claramente um musical com momentos cômicos. A adaptação para o cinema amplia a parte de comédia, mas sem abrir mão das canções, e acaba não se decidindo por nenhum dos dois gêneros. Alguns números musicais perdem seu impacto por causa das piadas que os antecedem, e as tentativas de humor não funcionam quando acompanham músicas comoventes.

3) Atores subaproveitados

Nicole Kidman deu nova vida ao gênero musical ao estrelar Moulin Rouge! - Amor em Vermelho (2001). É, portanto, um desperdício escalar a atriz para um filme do gênero e colocá-la para cantar apenas uma música. Para piorar, sua personagem tem pouco a acrescentar à história.

E ela não é a única subaproveitada na trama. Andrew Rannells, Keegan-Michael Key e Ariana DeBose (que deve ser a próxima grande estrela de Hollywood) também não têm muito o que fazer. Com um elenco desses, Ryan Murphy deveria ter distribuído melhor os momentos para brilhar, em vez de concentrá-los em Meryl Streep e James Corden.

4) Piadas internas

Baseado em um musical da Broadway sobre atores de musicais da Broadway, o filme peca ao manter boa parte das piadas do espetáculo --mesmo que a história agora atinja um público muito maior, que não necessariamente entende os bastidores dessa indústria. Assim, é provável que boa parte da audiência fique boiando em referências a Les Misérables, a coristas ou mesmo à vida de diva egocêntrica que Dee Dee leva.

5) Músicas esquecíveis

Um musical de respeito precisa de uma canção marcante: Dreamgirls - Em Busca de um Sonho (2006) tinha And I'm Telling You I'm Not Going; Chicago (2002) contou com All That Jazz; Os Miseráveis (2012) emocionou com On My Own; até o terrível Cats (2019) emplacou Memory na cultura pop. A Festa de Formatura até tem boas músicas, mas nenhuma que se destaque ou que fique na cabeça do espectador após o fim do filme.

Aliás, a própria ideia de adaptar o musical da Broadway como longa-metragem parece estranha, porque o espetáculo original passou longe de ser um sucesso: The Prom ficou menos de um ano em cartaz na meca do teatro em Nova York, não ganhou nenhum Tony (o maior prêmio da categoria) e encerrou sua temporada deixando saudade apenas nos poucos (mas apaixonados) fãs. Ryan Murphy teria outras opções bem mais conhecidas para levar dos palcos para o cinema --ou para a Netflix.

Jo Ellen e Ariana: boas surpresas no elenco

Mas nem tudo é um fracasso em A Festa de Formatura. Veja também dois motivos para conferir o filme da Netflix:

1) Elenco jovem promissor

Um novato conseguir se destacar em um elenco com tantos nomes tarimbados é uma façanha e tanto, e é exatamente isso que acontece em A Festa de Formatura. Dona do papel central, Jo Ellen Pellman é um achado e consegue comover o público com os dramas e as inseguranças de Emma.

Ariana DeBose, apesar de pouco aproveitada, faz o seu melhor com o material que lhe é dado --ela deve brilhar ainda mais como a Anita do remake de Amor Sublime Amor, com direção de Steven Spielberg, no ano que vem. E Nico Greetham, Sofia Deler, Logan Riley Hassel e Nathaniel J. Potvin também roubam a cena como os jovens populares que atormentam Emma no colégio.

2) Temática importante

Em uma época na qual tudo vira motivo para discussões intermináveis nas redes sociais, é no mínimo corajoso que um filme desse porte se proponha a discutir o preconceito contra a comunidade LGBTQ+ e a mostrar que a inclusão é o caminho para o futuro.

Destaque para a música The Acceptance Song (A Canção da Aceitação, em tradução livre), que mostra a hipocrisia de cristãos ao seguirem apenas as partes da Bíblia que condenam a homossexualidade, mas ignorarem outras doutrinas ultrapassadas dos livros sagrados, como a proibição à masturbação e ao divórcio.

Confira o trailer de A Festa de Formatura, já disponível na Netflix:


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