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Salário de R$ 60 mil na carteira: Por que Ivan Moré não assinou com a Record?

Reprodução/TV Globo

Ivan Moré em chamada do Globo Esporte em que apareceu com olhos inchados, após anúncio de saída - Reprodução/TV Globo

Ivan Moré em chamada do Globo Esporte em que apareceu com olhos inchados, após anúncio de saída

DANIEL CASTRO - Publicado em 24/06/2019, às 06h43

Contratação dada como certa no início do mês, Ivan Moré está fora dos planos da Record a curto prazo por causa de um impasse incomum nas negociações. Ambas as partes já tinham acertado um salário de R$ 60 mil mensais, de fazer inveja a qualquer mortal. Mas o jornalista fez uma exigência que foi vista como arrogante, e o negócio melou.

Moré não abriu mão de ser contratado como pessoa jurídica sem descontos e com garantia de emprego de três anos. A Record não aceitou. O queria com carteira profissional assinada, (muitos) descontos no holerite e passível de dispensa a qualquer momento.

A negociação ainda não é tratada como completamente encerrada, mas a Record já decidiu que não dará um passo para avançá-la a não ser que Moré recue da exigência de ser contratado por meio de uma empresa da qual ele é dono.

O impasse causou estranheza porque, até alguns anos atrás, ser contratado como PJ era a norma para salários altos, tanto na Globo como na Record. Eram as emissoras que impunham o contrato como PJ, e os funcionários gostavam porque tinham a sensação de que ganhavam mais, o que nem sempre era real.

No entanto, uma série de ações na Justiça em que ex-PJs reivindicaram (e ganharam) direitos de quem é registrado em carteira fizeram as duas emissoras mudarem a política. Na Record, somente altos executivos, salários milionários (como Rodrigo Faro) e contratos por temporada (como Xuxa e Gugu) são PJs.

Fora do Pan

Só uma nova reviravolta muito mirabolante impedirá Ivan Moré de ficar desempregado. A Record, que contava com ele para ancorar os Jogos Pan-Americanos de Lima, já voltou atrás. A emissora grava nesta quarta-feira (26) chamadas para as transmissões do evento, em julho. Mylena Ciribelli volta a ocupar o lugar de destaque que seria de Moré.

As negociações entre Record e Moré também se desgastaram porque o jornalista não apresentou o distrato com a Globo, com quem tinha contrato até o final de agosto. Os executivos da Record perceberam que estavam levando "canseira" do ex-apresentador do Globo Esporte. Viram uma "arrogância de grande grife" por parte de alguém que, acreditam eles, não terá oferta melhor no mercado.

Segundo pessoas próximas a Moré, o jornalista simplesmente não se sentiu seguro para assumir um compromisso com a Record, ser tratado como grande aquisição e poder ser demitido a qualquer momento.

Moré passou a negociar com a Record no início de maio, quando a Globo o surpreendeu com a notícia de que seria substituído no Globo Esporte SP, em 1º de junho, por Felipe Andreoli. Ele chegou a chorar nos bastidores e a aparecer no ar com os olhos inchados.

Tudo caminhava para a renovação do contrato com a Globo, mas como repórter e por um salário mais baixo (e como PJ). No entanto, de acordo com o UOL Esporte, a insistência do jornalista para que houvesse uma "transição" (em outras palavras, homenagem) irritou a chefia.

A Globo decidiu, então, antecipar o fim de sua passagem pelo Globo Esporte de 31 para 29 de maio, sem direito a despedida, e avisá-lo de que seu contrato, que venceria em agosto, não seria mais renovado. Moré correu e acertou com a Record. Só faltou apresentar a carteira profissional ao RH.

Daniel Castro
DANIEL CASTRO transformou a coluna de Televisão da Folha de S.Paulo na mais relevante do país durante sua passagem pelo jornal, entre 1991 e 2009. Trabalhou no Notícias Populares (1995-96) e R7 (2009-13). E-mail: dcastro@noticiasdatv.com

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