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MARCOS OLIVEIRA

'Não sei se é bom morrer ou continuar nessa pandemia', diz ator que fez Beiçola

Reprodução/RedeTV!

O ator Marcos Oliveira em entrevista à RedeTV! em 2019, com cenário de madeira e plantas

O ator Marcos Oliveira em entrevista à RedeTV! em 2019; ele tem passado por dificuldades na pandemia

FERNANDA LOPES

Publicado em 27/5/2020 - 5h35

Viver no Brasil durante a pandemia de coronavírus (Covid-19) tem sido um desafio para Marcos Oliveira, conhecido por interpretar Beiçola em A Grande Família (2001-2014). O ator tem ficado em casa, de quarentena, sem trabalhar e sem perspectivas de quando poderá voltar ao teatro e à TV. Ele lamenta também o descaso do governo com os artistas.

"Só saio pra ir ao mercado, fico em casa brincando de casinha, que é uma coisa insuportável. Tento fazer alguma coisa, mas a criatividade fica meio abalada, não consigo fazer nada, escrever nada. E só, é ficar vendo televisão, jornalismo. É uma [sensação de] insegurança geral, não sei quando vai acabar. Não sei se é bom morrer ou continuar nessa pandemia, entendeu?", ele confessa.

Nos últimos anos, Oliveira foi às redes sociais pedir ajuda para conseguir trabalhos e ser escalado para produções. Agora, quando todas as gravações de TV e cinema estão paralisadas, e os teatros fechados, ele tem se mantido com suas reservas financeiras e com a ajuda de amigos.

"Não acredito nessa coisa [de auxílio emergencial], até sair alguma coisa eu já morri de fome. Graças a Deus tenho amigos que me ajudam. Ajudam a pagar uma conta, pagar outra. Minha proprietária já baixou o aluguel. Mas é um absurdo, a gente que mora em lugar de classe média vê que os condomínios são uma loucura, é um absurdo o que se paga", diz Oliveira, morador do Rio de Janeiro.

O eterno Beiçola não acredita também que o governo federal possa dar qualquer tipo de apoio ou auxílio à classe artística e a pessoas que trabalham na área da cultura, uma das mais atingidas na pandemia.

"A gente é lixo pra esse governo que tá aí. O objetivo do governo é acabar com pobre, preto, homossexual e artista. Tá claro, tá na própria estrutura de ministérios horrorosos. Mas não votaram e elegeram ele [Bolsonaro]? Agora a gente tem que aguentar a mediocridade, a burrice. Não sou de direita, não sou de esquerda, muito menos do centro. Eu não acredito nessa política, nessa democracia. A gente vai levando porque é a única coisa que tem, não tem outra opção", diz, desiludido.

Neste ano, Oliveira apareceu na TV em O Dono do Lar, comédia do Multishow da qual faz parte do elenco fixo, e em Homens?, série de humor do Comedy Central disponível no Prime Video, o streaming da Amazon.

Ele diz que seu único compromisso é com O Dono do Lar, que não tem data prevista para o retorno das gravações. Fora isso, o ator não tem outros trabalhos em vista nem perspectiva de voltar a atuar na Globo tão cedo. Ele acredita que não faz o estilo que tem visto nas produções mais recentes da emissora.

"Queria fazer cinema, outras coisas de audiovisual. Televisão tá meio barra-pesada, a Globo está entrando numa fase modernosa. A gente que tem cara de Brasil não entra mais. Está descaracterizada, uma coisa meio mercado internacional. A brasilidade dançou. E eu sou muito brasileiro, a minha relação de expressão é brasileira, não tem essa coisa clean", opina.

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