Preconceito

Filha de Samara Felippo sofre racismo, e atriz faz desabafo: 'Chorando sozinha'

Reprodução/Instagram

A atriz Samara Felippo em foto publicada no Instagram

Samara Felippo fez relato emocionado sobre um episódio de racismo que passou com a filha mais velha, Alícia

REDAÇÃO - Publicado em 10/12/2019, às 12h37

Samara Felippo desabafou sobre um caso de racismo sofrido por sua filha Alícia, de 10 anos. A atriz fez um relato no Instagram na segunda-feira (9) e contou que, durante a festa de formatura da garota, dois adolescentes brancos, de aproximadamente 14 anos, a xingaram de "neguinha" e "cabelo ruim". "Chorando sozinha", escreveu ela, que também é mãe de Lara, de 6 anos.

Samara explicou que foi a primeira vez que passou por essa situação. Segundo ela , as crianças estavam brincando em um parquinho enquanto os pais conversavam no salão de festas, quando uma delas entrou chamando a mãe e dizendo que dois adolecentes estavam zoando e implicando com elas.

"Eu sempre falo, escrevo, mas nunca tinha passado com minhas filhas por uma situação de racismo. E pela primeira vez me deparei diretamente com o que muito passam diariamente", escreveu a atriz na publicação com uma foto dela com a filha.

A artista da Record continuou seu relato dizendo que imediatamente levantou e foi onde as crianças estavam: "Fui que nem um bicho pra cima dos moleques e falei tudo que tenho vontade pra racistas, mesmo os que ainda nem sabem que são".

Os xingamentos usados para a garota foram "marrenta, neguinha e cabelo ruim. O clássico do rascimo naturalizado", relatou Samara. "Se eu, mulher branca, estou até agora chorando sozinha, com ódio e raiva, querendo esfolar a cara daqueles moleques e dos pais deles, como não validar e enxergar a raiva e ódio de séculos de humilhação e viôlencia?", analisou a atriz.

Alícia, de 10 anos, é fruto do relacionamento da atriz com o jogador de basquete Leandrinho. Confira o relato completo de Samara Felippo: 

 
 
 
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“Ser mãe de duas meninas negras me abriu pra um mundo eu onde eu descobri que não sabia nada. Nao sabia sequer enxergar a dor do outro. Onde eu enxerguei privilégios por ser uma mulher branca numa sociedade tão racista.” Esse é um trecho de uma fala minha na peça @mulheresquenascemcomosfilhos, que num dia de ensaio me veio aos prantos. Eu sempre falo, escrevo mas nunca tinha passado com minhas filhas por uma situação de racismo. E pela primeira vez me deparei diretamente com o que muitos passam DIARIAMENTE. Estávamos na festa de formatura da Alícia, enquanto os pais conversavam no salão de festas as crianças brincavam no parquinho ao lado. Quando uma delas veio até a mãe: “Mae, tem dois adolescentes zoando e implicando com a gente” Eu imediatamente levantei e fui a passos largos. As crianças relatavam: “Aqueles três, puxaram o cabelo do fulano, zoaram com a ciclana” Meu sangue começou a entrar em ebulição, fui que nem um bicho pra cima dos moleques e falei tudo que tenho vontade pra racistas, mesmo os ainda nem sabem que são. Garotos brancos de 14 anos, classe média de merda, com a camisa verde e amarela. Os xingamentos para minha filha eram: marrenta, neguinha e cabelo ruim. O clássico do racismo naturalizado. Agradeço ao que me fez sair da minha bolha branca e ter desde cedo esclarecido minha filha, enaltecido sua esperteza, beleza, coragem, seu cabelo, sua pele, suas raizes...e feito ela sair dessa situação de cabeça erguida e fortalecida. E assim continuo fazendo. Sei que não será a primeira e nem última vez que ela passará por isso. Agora eu te pergunto: se eu como mulher branca, cheia de privilégios, minhas filhas negras mas ainda sim com seus privilégios, seja por classe social ou tom de pele( Sim, tom de pele conta nesse país!!Quanto mais preta a pele mais preconceito sofre-se, leia sobre Colorismo)passamos por isso, imagina quantas meninas pretas passam todos os dias? Te pergunto: se eu mulher branca estou até agora chorando sozinha, com ódio e raiva, querendo esfolar a cara daqueles moleques e os pais deles, como não validar e enxergar a raiva e ódio de SÉCULOS de humilhação e violência? Acordem!

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