LUTO

Velório de Boechat tem lágrimas e buzinaço: 'Deixa um buraco enorme'

Francisco Cepeda/AgNews

Um buzinaço feito por taxistas e motoristas de ônibus emocionou os presentes no velório Ricardo Boechat - Francisco Cepeda/AgNews

Um buzinaço feito por taxistas e motoristas de ônibus emocionou os presentes no velório Ricardo Boechat

FELIPE LAURENCE E DÉBORA LIMA - Publicado em 12/02/2019, às 13h38 - Atualizado às 14h03

Jornalistas, apresentadores, amigos e familiares prestaram a última homenagem a Ricardo Boechat em velório realizado desde a noite de ontem (11) no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo. O local foi aberto ao público, e o âncora do Jornal da Band foi alvo de diversas manifestações, incluindo um buzinaço de taxistas e motoristas de ônibus. A demonstração de respeito do público emocionou quem estava no local, e muitos foram às lágrimas.

Compareceram ao velório o governador de São Paulo, João Doria, João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, os jornalistas José Simão, Boris Casoy, Carlos Tramontina, Roberto Cabrini e José Roberto Burnier e os apresentadores Serginho Groisman, Ana Paula Padrão e Fernando Rocha, entre muitos outros. Amigos e fãs também prestaram solidariedade à viúva Veruska Boechat e à mãe do jornalista, Mercedez Boechat.

O âncora do Jornal da Band morreu na segunda (11) aos 66 anos em um acidente na rodovia Anhanguera, na zona oeste de São Paulo. Ele estava em um helicóptero que tentava fazer um pouso de emergência e foi atingido por um caminhão na altura do quilômetro 7 do Rodoanel. O motorista teve ferimentos leves.

"Ele [Boechat] deixa um buraco enorme. [É] insubstituível, deixa um legado muito grande e com muitas lições de jornalismo investigativo, alma de repórter para chegar o mais perto da verdade, mesmo se ela estivesse enevoada. Deixa uma lição de não temer poderosos ou grandes corporações. Deixa a marca de um jornalismo corajoso e a lição para lutarmos sempre", afirmou Johnny Saad no velório.

Para Roberto Cabrini, a morte de Boechat  foi "um dos dias mais difíceis da história do jornalismo". "Boechat era uma pessoa que tinha muita informação, um intelectual, falava fácil, tinha opinião para tudo e nos ensinou a nunca ouvir só um lado. Uma pessoa fantástica", completou José Roberto Bournier.

"Custo a imaginar que eu viria ao velório do Boechat, era um símbolo de vida. Um dos maiores jornalistas brasileiros, sem dúvida: tinha retidão de caráter, ética com coragem e bom humor", afirmou Boris Casoy.

Às 13h, o velório passou a ser restrito apenas a parentes e amigos, que subiram ao palco do auditório do MIS para prestar uma última homenagem ao jornalista. O evento foi encerrado após palavras dos familiares e com uma longa ovação no auditório.

Pontualmente às 14h, o corpo do jornalista deixou o local em direção ao Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra (Grande SP), onde será cremado ainda hoje, às 16h, em uma cerimônia para família. Uma carreata de taxistas e motociclistas acompanhou o carro funerário.

Velório do jornalista Ricardo Boechat

Imagem 0 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 1 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 2 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 3 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 4 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 5 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 6 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 7 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 8 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 9 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 10 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 11 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 12 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 13 Velório do jornalista Ricardo BoechatImagem 14 Velório do jornalista Ricardo Boechat
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Roberto Cabrini compareceu ao velório (foto: Francisco Cepeda/AgNews)

Trajetória
Ricardo Eugênio Boechat nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 1952, e era filho de um diplomata. Começou a carreira como repórter em 1970, no Diário de Notícias, Foi secretário de comunicação de Moreira Franco no governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1987, e entre os anos 1980 e 1990 foi repórter e colunista dos jornais O Globo, Jornal do Brasil e O Estado de S.Paulo.

A carreira na televisão começou em 1997, quando ganhou um quadro de opinião no Bom Dia Brasil. Permaneceu no Grupo Globo até 2001, quando foi demitido após se envolver num escândalo de empresas de telefonia.

A revista Veja publicou na época uma reportagem em que trazia conteúdo de telefonemas entre Boechat e o jornalista Paulo Marinho, em que eles conversavam sobre o conteúdo de reportagens sobre a guerra pelo controle e companhias telefônicas no Brasil. Marinho trabalhava para um aliado da TIM.

Mesmo após o escândalo, Boechat continuou considerado como um dos jornalistas mais importantes e influentes no Brasil. Ele foi colunista do Jornal do SBT e chegou a gravar o piloto de um telejornal para a emissora, que nunca se concretizou. Também foi colunista do jornal O Dia e professor de jornalismo na Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro.

Boechat entrou para a Band em 2006, como diretor de jornalismo da sucursal do Rio de Janeiro. Se mudou para São Paulo em fevereiro daquele ano para ser âncora do Jornal da Band, mesma função que exercia no Jornal BandNews, que apresentou na rádio até ontem. O jornalista também mantinha uma coluna na revista IstoÉ.

Ao longo da carreira, Boechat recebeu diversos prêmios por sua atuação no jornalismo. Foram três prêmios Esso (em 1989, 1992 e 2001) e nove Comunique-se (em 2006, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017). Ao receber tantos troféus, entrou para a Galeria de Mestres do Jornalismo da premiação e foi considerado hors-concours nas categorias Apresentador/Âncora de Rádio e Colunista de Notícia. Foi eleito como o jornalista mais admirado do Brasil em 2014 e 2015.

Boechat era casado com Veruska Seibel e deixa seis filhos.

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