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LEANDRO STOLIAR

Tratado como terrorista na Venezuela, jornalista revive trauma de prisão em livro

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Imagem de Leandro Stoliar nos bastidores do Jornal da Record

Leandro Stoliar nos estúdios do Jornal da Record; jornalista reviveu trauma da prisão na Venezuela em livro

ERICK MATHEUS NERY

erick@noticiasdatv.com

Publicado em 21/6/2021 - 6h55

Para investigar uma denúncia de corrupção com dinheiro brasileiro, o jornalista Leandro Stoliar viajou para a Venezuela em 2017. No entanto, durante a produção da reportagem, ele foi preso e tratado como um terrorista no país vizinho. Quatro anos depois, ele revive os traumas e os bastidores dessa jornada no livro Dossiê Venezuela, lançado nesta segunda-feira (21).

"Levei os dois primeiros anos para tomar coragem de escrever, pois não queria reviver o que a gente tinha passado lá. A gente sabe que viver em detalhes aquilo podia trazer traumas que já tinha esquecido ou que estava tentando esquecer", conta Stoliar para o Notícias da TV.

Ele e o repórter cinematográfico Gilson Fredy ficaram cerca de 30 horas presos pelos agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), a polícia política de Nicolás Maduro, presidente do país. "Achávamos que não íamos voltar para casa. O momento mais tenso foi quando fomos transferidos algemados da prisão em Maracaibo para Caracas [capital do país]", descreve.

Fomos em um avião teco-teco, um monomotor. Só tinha o piloto, eu estava do lado da porta, que estava aberta. O Gilson ficou do meu lado e, na nossa frente, quatro agentes com fuzil, touca ninja e colete à prova de balas. O avião perdia altitude toda hora e estávamos voando sobre uma floresta, com várias pistas clandestinas no chão. Um dos agentes falou que ia me jogar do avião se não parasse de falar, pois ficava o tempo todo tentando convencer que a gente estava fazendo jornalismo. Como estava do lado da porta, não tinha para onde ir.

Repórter especial da Record, o jornalista ressalta que, mesmo com o teor político da história, o foco do livro é valorizar a liberdade de imprensa: "É muito importante falar sobre isso, pois os jornalistas do mundo inteiro estão sofrendo com isso, com a dificuldade de transmitir as notícias".

Levei dois anos tomando coragem para escrever, e mais dois anos acompanhando os últimos acontecimentos da Venezuela, apurando as informações para mostrar a transformação desde a nossa prisão até os dias de hoje. O livro todo se baseia nos bastidores da prisão, a dificuldade como jornalista de atuar em um país controlado pela ditadura. Mas, para que o leitor entenda, volto no tempo para contar o que levou a Venezuela à crise política e econômica.

Com vistos de turista e sem a autorização especial para trabalho na região, Leandro e Gilson foram enviados pela emissora ao país para apurarem suspeitas de desvio de dinheiro em obras financiadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e executadas por construtoras brasileiras, como a antiga Odebrecht (atual Novonor).

"Quando cheguei na redação [da Record], um dia antes da viagem, a produção veio com a pauta. Como sou repórter de séries especiais, não sei o que vou fazer no dia seguinte. Era um dia normal, aí soube que ia para a Venezuela. Cada equipe foi para um lugar, pois a denúncia era grande, o Lucio Sturm foi para o Panamá. Eu fui para um país controlado pela ditadura e, na minha opinião, peguei a pauta mais difícil, não podia criticar o governo", relembra.

Bastidores da reportagem

Durante o período na Venezuela, o jornalista entrevistou Juan Guaidó, atual presidente autoproclamado do país, mas que era um deputado de oposição ao governo Maduro na ocasião.

"Ele era o homem mais procurado do país e foi extremamente tenso conseguir essa entrevista. Fomos para a gravação sem saber o caminho. Entramos em um prédio pela parte de trás, justamente para não ver o número do prédio ou o nome da rua, subimos pelo elevador de serviço. Era um cofre, não tinha número, com porta blindada. Aquele ambiente me deixou extremamente preocupado", explica.

A entrevista com o político poderia ter provocado a morte dos brasileiros: "Quando fomos presos, os agentes nos levaram até o hotel para pegarmos as nossas coisas. Eles pediram para o Gilson abrir a memória da câmera e, quando viram a entrevista com o Guaidó, um dos agentes avisou: 'Apaga essa entrevista agora! Se o meu chefe vir que vocês entrevistaram esse deputado, vocês nunca mais voltam para o Brasil'".

Além do lançamento do livro, Leandro segue como repórter especial da Record e acumulou a função de apresentador do Jornal da Record - 24 Horas nos últimos meses. "É um momento de crescimento, mas também é de responsabilidade, encaro dessa maneira. Quando você deixa de ser só repórter de TV, passa a ser escritor, cronista, apresentador, acho que a sua responsabilidade aumenta", admite.

"Quem está de fora vê que estou crescendo. Porém, na minha visão, o que está crescendo é a minha responsabilidade. Quando a gente lida com informação e ganha mais espaço para dar essa informação, a nossa responsabilidade é muito maior. A notícia não é só o fato em sim, também é a capacidade que temos como jornalistas de fazer com que a outra pessoa reflita sobre o fato", complementa.

Dossiê Venezuela é da editora Maquinaria, tem 192 páginas e o preço sugerido é de R$ 49,90 para a versão física e de R$ 39,90 para o e-book.

Confira as reportagens sobre o caso de 2017:


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