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Memória da TV

Silvio Santos tentou abrir rede de TV em 1970, mas militares não deixaram

Reprodução/Memória Globo

Silvio Santos, com Cid Moreira, em seu programa na Globo na virada dos anos 1960/70 - Reprodução/Memória Globo

Silvio Santos, com Cid Moreira, em seu programa na Globo na virada dos anos 1960/70

THELL DE CASTRO

Publicado em 1/11/2015 - 7h45

Se fosse pela vontade de Silvio Santos, o SBT poderia ter surgido pelo menos dez anos antes de sua inauguração, em 1981. Em 1970, pouco mais de um mês depois da falência da Excelsior, o animador, que arrebatava multidões com seus programas na Globo e na Tupi, fez uma proposta ao então presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985). Silvio sugeriu controlar as concessões de São Paulo e Rio, criar uma rede e salvar o emprego dos funcionários. Os militares, em um momento em que combatiam a popularização da TV, não deram crédito. Silvio Santos só abriu seu primeiro canal em 1976, no Rio. 

A Excelsior fechou as portas em 1º de outubro de 1970, após dez anos no ar, quando engenheiros do governo lacraram seu transmissor. Em 15 de dezembro do mesmo ano, sem conseguir quitar suas dívidas, a rede teve suas duas concessões definitivamente cassadas. Mais de 400 funcionários foram demitidos. A Excelsior controlava o canal 2 no Rio e o 9 em São Paulo (que acabou herdado pela RedeTV! em 1999).

Silvio Santos, que já comandava seu programa dominical na Globo havia alguns anos e alcançava altos índices de audiência, queria realizar, a qualquer custo, seu sonho de ter uma emissora de televisão.

Em entrevista à revista Veja de 4 de abril de 1971, ele desmentiu que estava comprando cotas da TV Record (o que faria alguns anos depois) e da TV Rio, ambas entrando em decadência, mas confirmou interesse nos canais da Excelsior.

“Hoje, tenho um único interesse: comprar as concessões dos canais 2 e 9, cassados pelo governo no ano passado. Meu objetivo é ter uma emissora, e vou ter. Comecei minha carreira como locutor, como um soldado, e gostaria de terminar como um marechal. Só no dia em que eu tiver uma estação de TV me sentirei realizado. Se perder algum dinheiro nisso, não faz mal”, disse.

O próprio Silvio, na mesma reportagem, contou como surgiu essa história. Segundo ele, após o fechamento da Excelsior, um grupo de funcionários o procurou. Queriam que ele adquirisse a emissora.

“Tive uma conversa com os ex-proprietários e vi que não havia nenhuma possibilidade na compra, porque o passivo da firma era muito alto. Mas a insistência dos funcionários fez com que a ideia ganhasse corpo e comecei a achar que uma TV não deveria ser um bicho de sete cabeças, porque, praticamente, eu já tenho uma que funciona 12 por semana”, declarou, se referindo à sua produtora, que fazia seus programas.

Em novembro de 1970, um mês após o fechamento da Excelsior, Silvio foi com o grupo de funcionários para uma audiência com o então presidente Médici.

“Fiz uma proposta ao presidente: uma vez que o governo desse a mim a concessão, eu me comprometia a manter todos os funcionários que as Excelsior tinham no dia da cassação, por mais seis meses a partir do dia em que a concessão fosse publicada no Diário Oficial”, contou. “Nesses seis meses, eles receberiam o salário que estavam ganhando. Pagaria também os seus atrasados, cuja soma estava em torno de 4 ou 5 milhões de cruzeiros. Depois desse prazo, poderia mandar todos embora ou ficar com os que me interessassem”, completou.

Apesar de ter elogiado Silvio Santos, Médici não atendeu ao pedido. O fato de o apresentador seguir uma linha popular incomodava os militares. Além disso, ele não queria comprar a Excelsior, mas apenas herdar as concessões, que ficaram "adormecidas" durante alguns anos. A do Rio de Janeiro, em 1975, foi entregue à TV Educativa (hoje TV Brasil). A de São Paulo foi, em 1981, transferida para Adolpho Bloch, que dois anos depois abriu a TV Manchete.

Grade com Chacrinha e Flávio Cavalcanti

Os planos de Silvio Santos eram ambiciosos. A televisão a cores chegaria ao Brasil apenas em 1972, mas ele já queria comprar os melhores equipamentos para essas transmissões. Os investimentos ficariam na casa dos 30 milhões de cruzeiros, com equipamentos comprados nos Estados Unidos, financiados em 15 anos.

Para a programação, além, evidentemente, de seus programas, ele queria contratar ninguém menos do que Chacrinha e Flávio Cavalcanti, outros dois grandes nomes da televisão brasileira naquela época. “Sempre procuro me cercar do melhor material humano, disponível ou não, na praça”, disparou.

E mais: já tinha na cabeça o plano para fazer esses apresentadores serem, de certa forma, sócios na produção dos programas, dividindo lucros e prejuízos. Esse modelo foi adotado muitos anos depois no próprio SBT, nos programas de Gugu Liberato e Ratinho, entre outros.

Mas Silvio Santos não ficou sem sua televisão. Ele ganhou a concessão do canal 11 do Rio de Janeiro, e colocou a TVS no ar em 14 de maio de 1976. Anos depois, conseguiu convencer o então presidente João Batista Figueiredo e ganhou o canal 4 de São Paulo, podendo finalmente inaugurar uma rede, o que aconteceu em 19 de agosto de 1981.

“Consegui muito mais do que aquele rapaz que chegou a São Paulo, vindo do Rio, com um terno e um ordenado de 5 cruzeiros podia sonhar. Por isso, reafirmo: não posso parar, seria ingratidão com o público que me deu tudo”, disse Silvio na entrevista à Veja em 1971.


THELL DE CASTRO é jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira (Editora InHouse). Siga no Twitter: @thelldecastro


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