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BOA NOITE?

Pandemia faz Jornal Nacional quebrar tradição de 52 anos na Globo

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

William Bonner e Renata Vasconcellos no estúdio Jornal Nacional, com o número de mortes pela Covid-19 ao fundo

William Bonner e Renata Vasconcellos no encerramento do Jornal Nacional de 7 de abril: sem 'boa noite'

VINÍCIUS ANDRADE

vinicius@noticiasdatv.com

Publicado em 9/4/2021 - 6h45

Uma das principais marcas do Jornal Nacional desde que estreou, em 1969, é o "boa noite" dos âncoras na abertura e no encerramento do noticioso. Com raras exceções, o telejornal sempre chegou ao fim com esse desejo, seguido da trilha musical com os créditos. Porém, com o avanço da pandemia e a sequência de recordes de mortes pela Covid-19 no Brasil, essa tradição foi quebrada.

No período de 8 de março a 8 de abril, foram ao ar 28 edições do Jornal Nacional. Dezesseis delas terminaram sem o "boa noite" de William Bonner, Renata Vasconcellos ou de seus substitutos na bancada.

A Globo justifica essa medida como uma forma de demonstrar respeito ao isolamento social, aos profissionais de saúde e "às milhares de famílias enlutadas durante a pandemia", conforme reforçam os âncoras nas edições em que o telejornal mais visto do país acaba sem trilha musical, apenas com o número de mortos exibido no telão no estúdio.

A primeira vez que o noticioso terminou assim por causa das mortes por Covid-19 foi em 9 de maio, um sábado, quando Flávio Fachel e Mônica Teixeira comandaram a edição que noticiou a marca dos primeiros 10 mil mortos pela doença no Brasil. Desde então, o JN passou a encerrar assim a cada 5 mil óbitos: 15 mil, 20 mil, 25 mil e assim por diante.

Em 17 de março de 2021, Bonner e Renata anunciaram um "marco" no Jornal Nacional. "Esse momento de homenagem foi se repetindo de tempos em tempos, você foi se habituando ao nosso cenário na escuridão, à imagem triste de um pedaço cinzento da bandeira brasileira com o número de vidas perdidas", falou o âncora e editor-chefe do telejornal da Globo.

"Isso vai acontecer hoje mais uma vez, mas o marco dessa quarta-feira [17 de março] é diferente. É a primeira vez que o JN termina assim em duas edições seguidas. Ontem [16/3], o Brasil superou a marca de 280 mil vítimas. Em 24 horas, o país ultrapassou o marco simbólico das 285 mil mortes", lamentou Renata Vasconcellos.

"É um novo patamar dessa tragédia e um motivo a mais para que todas as autoridades e todos os cidadãos brasileiros façam todo o possível, urgentemente, para frear essa escalada em respeito às famílias de tantos mortos. Em respeito à vida de todos", encerrou Bonner.

País em luto

O silêncio no encerramento do Jornal Nacional já era adotado em datas de coberturas de grandes tragédias ou para prestar homenagem póstuma para personalidades. Mas a pandemia de Covid-19 acabou transformando os noticiosos, não só o da Globo, no retrato de uma tragédia diária.

Com o vírus espalhado, hospitais lotados e desrespeito às medidas de prevenção, o número de mortos tem se multiplicado diariamente. Para se ter uma ideia, em 10 de março, o Jornal Nacional terminou sem o "boa noite" para marcar o número de 270 mil vidas perdidas pela doença.

Naquela data, o Brasil havia registrado mais de 2 mil óbitos pela Covid-19 em 24 horas pela primeira vez. Na última terça (6), o país passou a ter mais de 4 mil mortes diariamente. Ao todo, 345.025 pessoas  já morreram depois se contaminarem com o coronavírus.

Nos últimos 15 dias, dez edições do Jornal Nacional terminaram em silêncio. Nesta semana, três dias consecutivos não tiveram o "boa noite".


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