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MEMÓRIA DA TV

Nos anos 1980, Silvio Santos desistiu de lucro milionário ao ser cobrado por morte

REPRODUÇÃO/SBT

Silvio Santos durante apresentação de programa no SBT nos anos 1980, ao lado de duas assistentes de palco

Silvio Santos durante apresentação de programa no SBT nos anos 1980; ele desistiu de negócio na saúde

THELL DE CASTRO

Publicado em 13/12/2020 - 6h55

Apresentador e empresário de sucesso, Silvio Santos, que completou 90 anos no sábado (12), seguramente tem mais êxitos que fracassos em sua vitoriosa carreira. No entanto, o animador se assustou nos anos 1980 ao se envolver numa empresa do setor de saúde, da qual saiu tão rápido quanto entrou.

Em histórica entrevista sobre sua trajetória ao jornal O Estado de S. Paulo em 18 de outubro de 1987, Silvio, que nunca foi de muita conversa com jornalistas, abriu o jogo sobre diversos assuntos, destacando principalmente sua vida financeira.

Na época, o Grupo Silvio Santos, além do SBT, comandava empreendimentos como o Baú da Felicidade, a Liderança Capitalização, lojas de eletrodomésticos, concessionária de veículos e uma das maiores fazendas do Brasil, na qual ele nunca botou os pés.

Na conversa, Silvio citou também o plano de saúde Clam, negócio com o qual demonstrou sua decepção. "Pensei que ia ser um negócio bacana, para o povo, eu queria me realizar dando ao povo médico, hospital, saúde. Eu me empolguei", explicou.

De acordo com Silvio, eram vendidos 2500 planos por mês e, após falar sobre o serviço em seus programas, chegou a 45 mil a cada 30 dias.

Mas aí veio o inesperado. "Um dia cheguei aqui em casa e tinha um casal esperando na porta. 'Senhor Silvio, o meu filho morreu'. 'Mas morreu de quê?'. 'Eu tinha o Clam e ele morreu'. Fiquei sem saber o que falar", enfatizou.

"Aí fiquei pensando: quando cara vem reclamar que recebeu uma panela furada, eu ligo para o João Pedro e devolvo a panela. Quando vieram reclamar que o cara vendeu títulos de capitalização e mentiu, dizendo que o comprador ia ganhar uma casa, eu mando devolver o dinheiro. Mas como vou fazer quando vieram na minha casa reclamar uma vida humana? Eu não posso devolver o filho", destacou.

"Aí eu disse: 'Vou parar com isso'. Comecei a ver que a medicina não era o que eu pensava. Que os médicos não são aquilo que eu pensava. Que os laboratórios não são o que eu pensava. E então falei: panela furada eu troco, brinquedo quebrado eu troco, vendedor tapeia freguês e eu mando pagar, mas quando vêm reclamar que o filho morreu, não tenho o que falar", completou.

Imediatamente, Silvio parou de fazer propagandas do Clam. O negócio ainda continuou funcionando por um tempo, vendendo somente 400 planos por mês, até que ele conseguiu sair do empreendimento.

Record só dava prejuízo

Na época da entrevista, Silvio ainda era dono de 50% da Record, enquanto a outra metade estava com a família Machado de Carvalho. E o animador queria vender a sua fatia o quanto antes.

"Infelizmente a Record não vai bem, e eu sou sócio dela. Então eu tenho que ficar policiando junto com meu sócio, o Paulinho Machado de Carvalho, para poder ver se aguentamos a empresa. Se acontecer alguma coisa com a Record, quem vai entrar bem sou eu, claro", afirmou, dizendo que a emissora dava prejuízo milionário todo mês. Algum tempo depois, o canal foi vendido para Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo Silvio, na época o SBT estava começando a operar no azul, após alguns anos de prejuízo. Mas ele garantiu que nunca iria querer concorrer diretamente com a Globo, o que começou a tentar meses depois.

"A Globo é um supermercado, eu sou uma quitanda. Fatura dez vezes mais do que eu", enumerou. "Se eu resolver ser Globo, vou afundar, como todas afundaram", completou, dizendo que as vezes em que venceu a emissora foi por sorte.

Medo da morte

Enfrentando problemas de saúde na época (tanto que ficou afastado de seu programa por algumas semanas para se tratar nos Estados Unidos), Silvio disse que sempre teve muito medo de morrer.

"Muito. Tanto que já perguntei a meu médico se devo ir a um psiquiatra. Ele respondeu que pode piorar. Agora como vocês sabem, estou rouco, com um calo na garganta. Estou proibido de falar muito, e fazendo exercícios vocais, tomando remédio. Não vou fazer biópsia, e se der câncer? Tenho pavor de câncer. Então prefiro não saber", destacou.

"É a idade. Garganta, coração, próstata, pressão. Daqui para a frente só vai piorar. Até domingo passado, na parada do Dia da Criança, eu fiquei pensando em morte, morte, morte", concluiu.


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