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MEMÓRIA DA TV

Em 1991, CNN transformou guerra em espetáculo ao vivo e repórteres em astros

Fotos: Reprodução/CNN

Soldado carrega bomba em avião na Guerra do Folgo (à esq.) e o jornalista Bernard Shaw, destaque da cobertura  - Fotos: Reprodução/CNN

Soldado carrega bomba em avião na Guerra do Folgo (à esq.) e o jornalista Bernard Shaw, destaque da cobertura

THELL DE CASTRO

Publicado em 30/6/2019 - 7h25

Prestes a inaugurar uma operação no Brasil, por meio do licenciamento de sua marca para investidores nacionais, com previsão de entrada no ar ainda neste ano, a CNN foi descoberta pelos brasileiros --e por boa parte do mundo-- durante a Guerra do Golfo, em 1991. Era a primeira vez que uma guerra tinha transmissão ao vivo pela televisão, e os repórteres do canal se tornaram celebridades.

A CNN, sigla de Cable News Network (rede de notícias a cabo, em português), foi ao ar pela primeira vez em 1º de junho de 1980, nos Estados Unidos. Com sede em Atlanta, foi o primeiro canal exclusivamente jornalístico daquele país. A emissora fazia relativo sucesso em sua terra local, mas só se tornou mundialmente conhecida mesmo a partir da cobertura do conflito.

A Guerra do Golfo foi um embate entre o Iraque e as forças de coalizão internacional, lideradas pelos EUA. Saddam Hussein (1937-2006), ditador iraquiano, autorizou a invasão ao Kuwait em agosto de 1990. A ONU (Organização das Nações Unidas) exibiu que o país fosse abandonado voluntariamente até 15 de janeiro de 1991. Como o pedido não foi acatado, os EUA iniciaram os ataques no dia seguinte.

Com imagens da CNN, os canais brasileiros exibiram os primeiros ataques dos norte-americanos. O povo estava muito interessado no conflito --a audiência das emissoras subiu, inclusive na madrugada, as pessoas se reuniam para acompanhar os bombardeios e plantões entravam no ar a qualquer momento para atualização dos acontecimentos.

Um dos grandes diferenciais da CNN foi o uso do satélite. Ela tinha sinal próprio e ficava 24 horas no ar, não dependia de imagens das forças armadas dos EUA. No livro Nós Mudamos o Mundo: Um Pioneiro Revela a História da CNN, Sidney Pike, que dirigiu o braço internacional do conglomerado, disse que a transmissão da guerra "projetou o canal muito além do que jamais ousaríamos sonhar". 

Imagens das explosões de bombas em Bagdá ganharam o mundo todo através da CNN em 1991

A imprensa brasileira também destacou o canal. "Uma grande surpresa estava reservada para os telespectadores brasileiros na noite do último dia 16, e não era o ataque dos caças americanos sobre Bagdá. O que ninguém imaginava é que naquela noite as principais redes de televisão brasileiras iriam embarcar numa espécie de cadeia informal com uma rede de cabo dos EUA da qual o grande público raramente ouvia falar", destacou a Folha de S.Paulo de 18 de janeiro de 1991. 

"Pelo menos no Brasil, a CNN ganhou a guerra do Golfo. Não exatamente a CNN, mas tudo o que ela representa: uma rede de cabo dedicada a notícias durante 24 horas por dia", completou o texto.

No mesmo 18 de janeiro, o Jornal do Brasil destacou que a guerra foi transmitida pela CNN para 100 milhões de pessoas em 100 países, elevando jornalistas como Bernard Shaw e Peter Arnett, que transmitiam as principais notícias, a celebridades.

"Em vários momentos, John Holliman anunciava que iria interromper sua narrativa para colocar o microfone na janela, de forma que os ouvintes pudessem ter um noção da intensidade dos bombardeios. Bernard Shaw se arrastava pelos corredores e se escondia debaixo de mesas para garantir a transmissão das notícias para todo o mundo e para não ser visto por agentes de segurança no hotel", detalhou o texto.

O JB também explicou que, como Bagdá estava sem eletricidade e telefonia, a CNN conseguiu transmitir graças ao sistema chamado 4-wire. "Trata-se de um sistema privado de linhas abertas que, segundo a própria CNN, não funciona através dos sistemas tradicionais de telefonia, mas de micro-ondas transmitidas de Bagdá para Amã, na Jordânia, e de lá para Atlanta, via satélite", detalhou.

"As televisões europeias, apesar de preparadas para cobrir a guerra, foram obrigadas a se render à competência e ousadia dos profissionais da CNN e passaram a retransmitir o que a rede americana mostrava", concluiu.

O conflito terminou em 28 de fevereiro de 1991, com a retirada das tropas iraquianas do Kuwait. Mas a fama da CNN estava apenas começando, com o canal se consolidando como fonte mundial de notícias em tempo real, de qualquer lugar do mundo, a partir daí.


THELL DE CASTROé jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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