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Até diretor da Globo vira figurante para encher o cenário do Jornal Nacional

Imagens: Reprodução/TV Globo

Diretor-executivo de jornalismo da Globo, Mariano Boni (seta) faz figuração no JN de terça (19) - Imagens: Reprodução/TV Globo

Diretor-executivo de jornalismo da Globo, Mariano Boni (seta) faz figuração no JN de terça (19)

DANIEL CASTRO - Publicado em 26/09/2017, às 06h29

Todos os dias, funcionários da Globo no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, são convocados para se passarem por jornalistas que "trabalham" a poucos metros de William Bonner e Renata Vasconcellos. Eles aparecem durante uns cinco segundos na abertura do Jornal Nacional, o telejornal mais visto do país. A maioria é técnico de som, infografista e editor de imagem. Não são os jornalistas que fingem ser para o telespectador. Estão ali apenas para preencher espaços vazios.

A encenação nem sempre convence os olhares mais atentos. Na terça-feira (19) passada, por exemplo, alguns deles "operavam" computadores que tinham a tela azul, ou seja, estavam ligados, mas não logados. Naquele dia, foi possível contar sete terminais nessa situação (é possível ver ver seis na imagem acima).

Até Mariano Boni, diretor-executivo de jornalismo, terceiro nome na hierarquia do setor na Globo, colaborou na figuração. Na mesma terça, ele apareceu sentado em uma cadeira que não ocupa, falando ao telefone.

Uma análise de várias edições do JN ao longo dos últimos três meses mostra também que apenas algumas pessoas estão sempre nos mesmos lugares. Segundo fontes do Notícias da TV, elas de fato trabalham lá. As demais são "visitantes". Por isso variam muito, aparecem um dia ou outro ou somem durante semanas inteiras.

A figuração ocorre apenas na escalada, como é chamada a parte do telejornal em que são apresentadas as manchetes do dia. Assim que Bonner e Renata Vasconcellos anunciam as principais notícias da edição e começa a tocar o tema do JN, uma câmera instalada em uma grua percorre boa parte da nova Redação do jornalismo no Rio, mostrando jornalistas trabalhando (ou não) e o novo cenário do jornalístico.

Ocorre que no horário em que a escalada é gravada, poucos minutos antes de o telejornal ao vivo ir ao ar, já não há muita gente trabalhando no local, principalmente nas mesas que a câmera da grua mostra em primeiro plano. São essas estações de trabalho que todos os dias precisam ser ocupadas por pessoas que não são da Redação ou que não ficam naquele espaço no restante do dia.

O problema só foi percebido após a inauguração da nova Redação, em 19 de junho. Imediatamente, virou um incômodo para os chefes da Globo. Desde a semana passada, a direção de jornalismo está tentando uma solução definitiva: deslocar os jornalistas do próprio Jornal Nacional, que ficam atrás da câmera da escalada, para o espaço vazio.

Procurada, a Globo disse apenas que as informações "não procedem", mas não explicou porque os computadores estão com telas azuis e o que Mariano Boni fazia na área coberta pela grua na terça-feira passada.

Abertura do Jornal Nacional no último sábado (23): sem figurantes, um deserto tecnológico

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