PROGRAMA DO PORCHAT

À Record, Waack confirma cala-boca da Globo e diz que aprendeu a ser mais humilde

Edu Moraes/RecordTV

William Waack durante gravação de entrevista com Fábio Porchat nesta segunda-feira (5) - Edu Moraes/RecordTV

William Waack durante gravação de entrevista com Fábio Porchat nesta segunda-feira (5)

REDAÇÃO - Publicado em 05/03/2018, às 15h14 - Atualizado às 21h11

Demitido da Globo em dezembro do ano passado por causa de um comentário racista, William Waack voltou à TV nesta segunda-feira (5). Em entrevista ao Programa do Porchat, da Record, ele confirmou que fez um acordo com a antiga emissora para ficar de boca fechada com relação à sua saída, e disse que todo o episódio do vazamento do vídeo preconceituoso o ensinou a ser mais humilde.

Fábio Porchat exibiu a gravação vazada em novembro do ano passado nas redes sociais antes de receber Waack no sofá do talk show. O ex-âncora do Jornal da Globo foi claro ao declarar que o episódio, apesar de resultar em sua demissão, também trouxe coisas boas: "Eu aprendi a ter mais sensibilidade para alguns pontos e a ser mais humilde", disse.

Na conversa com Porchat, o jornalista confirmou que não deu nenhuma entrevista antes porque o acordo que assinou com a Globo o proibia de falar. O "cala-boca" da Globo foi antecipado pelo Notícias da TV em fevereiro.

Waack também negou estar desempregado. "Estou trabalhando à beça. Estou indo pro mundo digital. O caminho que eu quero seguir é colocar no ar um programa que eu apresentava, chamado Painel WW. Vai ter plateia no estúdio", adiantou.

Chama a atenção que o jornalista tenha escolhido justamente a Record, maior concorrente da Globo, para fazer sua primeira aparição, depois de quatro meses fora do ar. No sofá de Porchat, Waack se definiu como um "brincalhão", característica que contrasta com a imagem sisuda que carregou durante anos na bancada da Globo.

Sua fama de homem que nunca ri virou piada até dentro da Globo, no Adnight, Marcelo Adnet chegou a propor um desafio para que fizessem o jornalista sorrir.

Papo sério
Conhecido pelas brincadeiras que promove com seus entrevistados, Porchat adiantou que sua prioridade no talk show era realizar boas entrevistas. Mas, em conversa com a imprensa, adiantou que não transformará seu programa em um papo-cabeça chato.

"Não adianta eu tentar ser um entrevistador seríssimo, porque eu não sou assim. E o [Pedro] Bial já faz isso muito bem, ele é um puta jornalista, não vou bater de frente com ele nesse aspecto", justificou o comediante e apresentador.

Relembre a demissão
Waack não aparecia na TV desde 8 de novembro, mesmo dia em que vazou nas redes sociais um vídeo em que era flagrado fazendo uma ofensa racista. Na gravação, Waack aparece em Washington, onde estava para a cobertura das eleições presidenciais dos Estados Unidos, exatamente um ano antes. Ele se preparava para entrar no ar ao vivo quando um motorista passou na rua buzinando.

"Está buzinando por que, seu merda do cacete?", reclamou Waack. Em seguida, ele se virou para o comentarista Paulo Sotero, ao seu lado, e afirmou: "Deve ser um, com certeza, não vou nem falar de quem, eu sei quem é. Sabe o que é?". De acordo com peritos, foi possível constatar que o jornalista de fato usou a palavra "preto".

No início de dezembro, o diretor de comunicação da Globo, Sergio Valente, afirmou ao Notícias da TV que a punição de Waack precisaria doer porque a emissora tem um compromisso social a cumprir. "A gente quer ser maior, muito melhor, um ambiente onde as pessoas se encontram, um lugar que traga as pessoas, onde os talentos queiram trabalhar. E a gente só vai conseguir isso sendo respeitoso", disse.

No mesmo mês, em 22 de dezembro, a rescisão do acordo entre Waack e Globo foi tornada pública por meio do seguinte comunicado:

"​Em relação ao vídeo que circulou na internet a partir do dia 8 de novembro de 2017, William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais. Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças. Pede desculpas a quem se sentiu ofendido, pois todos merecem o seu respeito.

​A TV Globo e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham.

​A TV Globo reafirma seu repúdio ao racismo em todas as suas formas e manifestações. E reitera a excelência profissional de Waack e a imensa contribuição dele ao jornalismo da TV Globo e ao brasileiro. E a ele agradece os anos de colaboração.

Ali Kamel, diretor de Jornalismo da TV Globo

William Waack, jornalista e apresentador de programas jornalísticos da TV Globo".

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