NOVA TEMPORADA

Sem carisma de Wagner Moura, Narcos aposta em ostentação e traficante gay

Fotos de Juan Pablo Gutierrez/Netflix

Pacho Herrera (Alberto Ammann, à dir.) dança tango com parceiro gay em cena de Narcos - Fotos de Juan Pablo Gutierrez/Netflix

Pacho Herrera (Alberto Ammann, à dir.) dança tango com parceiro gay em cena de Narcos

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 01/09/2017, às 05h28

[Atenção: este texto contém spoilers]

Depois de duas temporadas focadas na caça a Pablo Escobar (Wagner Moura), a série Narcos retorna à Netflix nesta sexta (1º) com dez episódios que funcionam como um recomeço. Com a morte do poderoso traficante de Medellín, o agente Javier Peña (Pedro Pascal) agora tem a missão de derrubar o cartel de Cali, que chama a atenção pela ostentação e por um de seus cabeças ser homossexual. Logo no primeiro episódio, há um beijo gay.

Pacho Herrera (Alberto Ammann), chefe de distribuição do cartel, é apresentado nu numa banheira com outro homem. Depois, vai a um bar encontrar um traidor e começa a dançar tango com um outro rapaz. No meio da dança, para surpresa de todos os fregueses, Herrera começa a beijar o parceiro.

Para deixar claro que sua orientação sexual não o torna fraco, o traficante mata o traidor com crueldade: a vítima tem pernas e braços amarrados a quatro motos que começam a se movimentar em direções opostas, desmembrando o homem.

Porém, a lacuna deixada por Escobar e, principalmente, o carisma de Moura são sentidos o tempo todo na nova temporada. Tanto que, para substituí-lo, entram em cena não um, mas quatro cabeças do cartel: Gilberto Rodríguez Orejuela (Damián Alcázar), Miguel Rodríguez Orejuela (Francisco Denis), Chepe Santacruz-Londono (Pêpê Rapazote) e o próprio Pacho Herrera.

Os quatro se esforçam, mas nem somados conseguem ter o mesmo peso que Wagner Moura deu a Pablo Escobar, uma figura mundialmente conhecida e de maior relevância histórica. Não por acaso, o brasileiro foi indicado ao Globo de Ouro por sua atuação na primeira temporada. 

Javier Peña (Pedro Pascal) mostra organograma do cartel de Cali, novos caçados de Narcos

Cientes de que é impossível criar um protagonista como Escobar, os roteiristas de Narcos preferiram ressaltar como o cartel de Cali é diferente do "rei de Medellín". Enquanto Pablo mandava matar seus rivais como aviso para que ninguém o traísse, os calenhos agem na escuridão e preferem se livrar das provas, transformando cadáveres em comida para os peixes.

E, se Escobar era uma pessoa pública, que lutava para conquistar o carinho do povo colombiano, os novos traficantes optam por estender sua rede de influência pelas sombras, convivendo com a elite e os poderosos do país. Assim, promovem festas elegantes, regadas a uísques caros, vestem roupas de marca e feitas sob medida.

Com quatro antagonistas sem o carisma de Escobar/Moura, o público acaba atraído pela história de Jorge Salcedo (Matias Varela), chefe de segurança do cartel que deseja largar a vida no crime para trabalhar de forma honesta e garantir tranquilidade para a mulher e as filhas. No momento em que anuncia que deseja deixar os calenhos, descobre que sair não é tão simples assim.

A explicitação das diferenças entre as temporadas anteriores e a nova não é nada sutil: a narração, agora a cargo do agente Peña, faz questão de comparar as atitudes do cartel com as de Escobar o tempo todo. Mesmo quem não assistiu às duas temporadas anteriores conseguirá compreender que o jogo agora é outro. 

Gilberto Rodríguez (Damián Alcázar), chefão do cartel, em guarda-roupa com peças de marca

Peña, elo de ligação entre a velha e a nova Narcos, também mudou _e a série, novamente, escancara isso. Em uma festa familiar, o agente encontra uma ex-namorada (Bre Blair), que oferece um cigarro a ele. Ele recusa, dizendo que está tentando parar de fumar e até usando chicletes de nicotina. "Olha só você, um novo homem", observa ela.

Independentemente de as mudanças serem aceitas pelo público, a série já teve sua quarta temporada confirmada pela plataforma de streaming.

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