GLOW

Nudez, drogas e girl power: série de luta livre tem de tudo, menos lutas

Fotos: Erica Parise/Netflix

Alison Brie interpreta Ruth, atriz que se rende à luta livre na esperança de contar boas histórias - Fotos: Erica Parise/Netflix

Alison Brie interpreta Ruth, atriz que se rende à luta livre na esperança de contar boas histórias

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 23/06/2017, às 06h13

Livremente inspirada no programa Luta Livre de Mulheres (1986-1989), a série Glow chega hoje (23) à Netflix com uma história que mistura cenas de sexo, consumo de drogas e empoderamento feminino.

Quem era fã da atração original, exibida no Brasil pelo SBT, ou acompanha a luta livre das companhias WWE (no canal Fox Sports) e TNA (no Esporte Interativo), no entanto, pode se decepcionar: a nova série foca mais nos bastidores da criação do programa e na vida das mulheres que se arriscam como lutadoras do que nos embates e golpes dentro do ringue.

A protagonista é Ruth Wilder (Alison Brie, de Community e Mad Men), uma atriz muito dedicada à arte, mas que não consegue ser escalada para nenhum papel sério por ter um rosto comum e uma personalidade insossa.

Desesperada para pagar as contas, ela precisa escolher entre a indústria pornográfica e o Glow (sigla de Gorgeous Ladies of Wrestling, ou Moças Lindas da Luta Livre, em português), projeto em estágio inicial que reúne mulheres sem experiência nenhuma, tanto em atuação quanto no ringue.

No comando de tudo está Sam Sylvia (Marc Maron), um diretor de filmes cult viciado em cocaína e extremamente sexista. Sem dinheiro e queimado em Hollywood, ele aceita criar a liga de luta livre, a pedido do produtor iniciante Bash Howard (Chris Lowell), em troca de financiamento para seu próximo filme.

Acuado pelas ideias de Bash, Sam tenta fazer o possível para manter sua integridade artística em um projeto que nada tem a ver com sua carreira, ao mesmo tempo em que precisa lidar com tantas mulheres _nada dispostas a aturar seu machismo.

Aprendizes de lutadoras se aquecem antes dos treinamentos para que façam bonito no ringue

A melhor amiga de Ruth é Debbie Eagan (Betty Gilpin), ex-atriz de novelas que largou a carreira para se dedicar à família. Com um bebê para criar, descobre que o marido (Rich Sommer) está pulando a cerca. E o caso extraconjugal é justamente com Ruth.

Quando vai até o ginásio para brigar com a ex-amiga, Debbie acaba chamando a atenção de Sam e consegue o papel de sua vida como a heroína do programa, mesmo que seja incapaz de conviver pacificamente com Ruth.

As outras lutadoras são apresentadas inicialmente como estereótipos ambulantes: entre os destaques, há Carmen (Britney Young), que faz parte de uma família de lutadores famosos e precisa enfrentar o preconceito do pai para seguir a vocação em seu sangue; Sheila (Gayle Rankin), a garota que gosta de se vestir como um lobo; e Cherry (Sydelle Noel), atriz que ficou sem papéis com o fim da blaxploitation, gênero da década de 1970 que colocava os negros em destaque.

No decorrer dos dez episódios, porém, a personalidade das coadjuvantes é aprofundada e algumas chegam até a roubar a cena da protagonista _algo parecido ao que aconteceu com Orange Is the New Black, também produzida por Jenji Kohan.

Cherry (Sydelle Noel, à esq.) e Tamee (Kia Stevens, ex-lutadora da WWE): representatividade

Com forte apelo sexual, já que as personagens usam maiôs cavados como uniforme e rebolam seus bumbuns para as câmeras como forma de provocação, Glow não foge da nudez: os dois nomes mais conhecidos do elenco, Alison Brie e a cantora Kate Nash, mostram os seios em episódios diferentes.

O consumo de drogas também não é minimizado e ajuda a compor a atmosfera da década de 1980 na qual a série se passa, juntamente com os figurinos exagerados e penteados extravagantes. A trilha sonora também remete à época, com sucessos de Queen, Pat Benatar, Roxette e outros clássicos oitentistas.

A luta livre de fato, porém, é concentrada no sétimo e no décimo episódios, quando as lutadoras finalmente exibem o que aprenderam nos treinos e gravam o programa. Quem gosta da ação no ringue terá de se contentar com algumas pílulas espalhadas ao longo da temporada até chegar aos capítulos em questão.

Como incentivo aos fãs de raiz, há o desafio de procurar os lutadores profissionais que participam em papéis secundários: nomes como Kharma, John Morrison, Carlito, Brodus Clay e Alex Riley, que lutaram na WWE no passado, dão as caras em Glow.

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