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DEU NA GLOBO

Filas, brigas e trânsito: Como São Paulo realiza a maior Comic-Con do mundo

Divulgação/Netflix

A showrunner Lauren Schmidt Hissrich e o ator Henry Cavill durante painel de The Witcher na CCXP 2019

A showrunner Lauren Schmidt Hissrich e o ator Henry Cavill foram à CCXP promover The Witcher

LUCIANO GUARALDO

Publicado em 9/12/2019 - 6h16

Encerrada no domingo (8), a edição 2019 da CCXP (Comic-Con Experience) consolidou a feira de cultura pop de São Paulo como a maior do gênero em todo o mundo. Mais de 280 mil fãs foram ao evento em seus cinco dias, contra cerca de 150 mil na Comic-Con de San Diego, considerada a mais importante. A grandiosidade foi destacada até pela Globo, parceira da convenção, que ressaltava o seu tamanho em todas as entradas ao vivo de lá.

É claro que quantidade nem sempre equivale à qualidade, e fãs se perguntam se a CCXP é também a melhor convenção. Em 2019, tive a oportunidade de cobrir três das Comic-Cons mais importantes do mundo: a de San Diego (em julho), a de Nova York (em outubro) e a de São Paulo. E o evento brasileiro tem, sim, vantagens em relação aos rivais estrangeiros. Mas também deixa a desejar em alguns aspectos.

Para começar, o principal diferencial do evento que acontece em São Paulo: o número de artistas internacionais que vêm para cá é muito menor do que nas feiras de Nova York e, em especial, na de San Diego. A explicação é logística: os atores e diretores, em geral, já estão nos Estados Unidos, e não precisam encarar um longo voo até o Brasil para passarem apenas algumas horas aqui e voltarem para casa.

Esse, que poderia ser um ponto extremamente negativo, acabou rendendo algo muito positivo para a CCXP paulistana: as ativações. Marcas como Globoplay, Netflix, Disney, Amazon e Warner montaram estandes gigantescos, com várias coisas para o público fazer e passar o tempo caso não se interessasse por nenhum dos painéis daquela hora.

No exterior, há mais estandes de marcas menores, como lojas de bonecos, editoras de quadrinhos e desenvolvedoras de games. As distribuidoras de cinema e gigantes de streaming também fazem menos ativações em seus espaços, pois o foco está nos painéis das séries e filmes que apresentarão durante o evento.

Filas, filas e mais filas

Por outro lado, as ativações nos estandes geram filas extras na CCXP. É impossível tirar uma foto no cenário montado ou tentar ganhar um brinde sem esperar pelo menos 40 minutos. Alguns espaços chegaram a distribuir senhas para evitar que o fã perdesse horas do evento aguardando a sua vez de brincar.

As longas filas são a maior reclamação dos brasileiros, mas acontecem nos três eventos. Em San Diego, pessoas chegam a dormir dois dias ao relento apenas para entrar no painel de sua série ou filme favorito. Em São Paulo, a apresentação da Disney no sábado (7) foi tão concorrida que fãs chegaram a brigar pelo direito de entrar no auditório --as senhas para o espaço se esgotaram no dia anterior.

Nesse ponto, a vantagem vai para Nova York. Por lá, os painéis não acontecem apenas no Javits Center, o centro de convenções que funciona como sede do evento. As principais apresentações são reservadas para espaços maiores, como o Hammerstein Ballroom ou o Madison Square Garden --há filas para entrar, mas, de maneira geral, todo mundo consegue um lugar para acompanhar o painel.

A impossibilidade de a CCXP usar espaços complementares ao pavilhão, pelo fato de não haver nenhum auditório de tamanho aceitável na região, ressalta outro problema da feira brasileira: a acessibilidade.

Chegar e sair do São Paulo Expo é um exercício de paciência --os ônibus gratuitos oferecidos pela organização não conseguem trafegar pelas ruas lotadas, assim como carros ou táxis. Muitos visitantes preferem fazer o caminho de 1,3 quilômetro a pé para fugir do trânsito.

É um problema que a CCXP enfrenta desde sua estreia, em 2014, e que parece não ter solução simplesmente por causa da estrutura do bairro. Em Nova York, há uma estação de metrô a dois quarteirões do centro de convenções. Em San Diego, o trem fica em frente à entrada do evento --a ponto de o público precisar atravessar a ferrovia para encontrar opções de refeição. Assim, a dispersão do público é feita de maneira muito mais eficiente ao fim do dia.

As peculiaridades do brasileiro

A organização da CCXP também precisa levar em conta que o fã brasileiro não é como o do resto do mundo. Aqui, o público vibra, grita, torce e agita ao ver seu ídolo de perto (ou em um telão). Nos Estados Unidos, as reações são mais contidas. É por isso que muitos artistas se emocionam ao serem ovacionados em um painel.

Mas também é por isso que o cuidado com a segurança deve ser redobrado. O incidente que ocorreu no sábado, em que fãs derrubaram a barricada em cima de Ryan Reynolds quando o ator tentou se aproximar deles, não pode se repetir. A estrutura deve ser pensada para reações mais acaloradas, pois o brasileiro é assim.

De forma geral, a CCXP cumpre um papel importante para um público que era carente de eventos voltados para ele. Mas os responsáveis pelo evento não podem se acomodar com o sucesso (os ingressos se esgotaram em tempo recorde) e pararem de evoluir. Ainda há muita coisa para melhorar, e os fãs merecem isso.

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