EQUIPE DE OURO

Feita para ganhar prêmios, Maniac leva público da Netflix a viagem delirante

Divulgação/Netflix

Jonah Hill e Emma Stone são os protagonistas de Maniac, que chega à Netflix nesta sexta (21) - Divulgação/Netflix

Jonah Hill e Emma Stone são os protagonistas de Maniac, que chega à Netflix nesta sexta (21)

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 21/09/2018, às 05h48

Nos últimos meses, a Netflix tem lançado tantas séries originais que boa parte delas acaba se perdendo no limbo da plataforma. Maniac, que chega nesta sexta (21), é diferente: com elenco de peso e um diretor consagrado, a produção parece planejada para arrebatar estatuetas no Emmy e no Globo de Ouro. Tudo embalado por uma trama surreal, que leva o público em uma viagem sem volta.

Emma Stone (ganhadora do Oscar por La La Land) e Jonah Hill (com duas indicações ao prêmio máximo do cinema) são os protagonistas de Maniac. Ela vive Annie, uma jovem depressiva que tem um trauma familiar do passado e acaba viciada em um medicamento, a única coisa que a permite escapar da realidade.

Ele é Owen, integrante de uma família milionária de Nova York e que, por ter esquizofrenia, não se encaixa no ambiente frequentado pelos parentes. Seus delírios vão de pequenos terremotos a um espião que é a cara de seu irmão Jed (Billy Magnussen), que lhe passa missões secretas para cumprir.

Por motivos distintos, Annie e Owen se encontram em um grupo escolhido para testar uma nova droga desenvolvida pelo Dr. James Mantleray (Justin Theroux). O medicamento, dividido em três comprimidos (A, B e C), promete curar todos os problemas de quem o ingere. Mas, por se tratar de um teste, nem tudo dá tão certo.

Annie e Owen são transportados para realidades paralelas, que vão de uma sátira de O Senhor dos Anéis a filmes de mafiosos, passando por comédias sexuais adolescentes dos anos 1980. Os atores mostram versatilidade para vender cada momento vivido por seus personagens _em especial Emma Stone, brilhante.

Mas a própria realidade original não é propriamente o mundo que nós conhecemos. A Nova York de Maniac mistura tecnologias ultrapassadas, como impressoras matriciais e computadores de tela verde, com um mundo futurista, no qual pequenos robôs limpam as ruas de cocô de cachorro, anúncios tomam conta da cidade e solitários contratam novos melhores amigos por uma rede social.

Tudo é tão delirante que um coala roxo de papel machê pode jogar xadrez no meio de um parque, ou uma loja pode vender informações com as quais seus clientes conseguirão chantagear seus inimigos para obterem o que desejam.

Com cacife
Maniac tem uma direção inspirada de Cary Joji Fukunaga, ganhador do Emmy pela ótima primeira temporada de True Detective. O diretor, anunciado nesta semana como o comandante do próximo filme de James Bond, abusa da criatividade na escolha de ângulos e na construção da linguagem visual da minissérie.

Como muitas produções da Netflix, porém, Maniac sofre de um problema sério: a falta de ritmo. Para uma minissérie de apenas dez episódios, a trama não se apressa em mostrar seus protagonistas nas viagens surreais. Pelo contrário: os dois primeiros capítulos servem basicamente para apresentar Owen e Annie ao público. Sally Field, com dois Oscars, dois Globos de Ouro e três Emmys no currículo, sequer dá as caras nesses episódios _exceto por uma rápida foto.

O elenco coadjuvante merece destaque. Billy Magnussen, que já flertou com a Netflix em Unbreakable Kimmy Schmidt e Black Mirror, mostra serviço dobrado na pele do irmão charmoso (mas detestável) de Owen e como um delírio bigodudo do protagonista. Julia Garner, ótima em Ozark, tem bons momentos dramáticos. E Justin Theroux rouba a cena como um charmoso cientista _o galã de Six Feet Under mostra que sabe rir de si mesmo nos vídeos demonstrativos do medicamento.

A atração é apresentada como uma minissérie. Não será surpresa para ninguém, no entanto, se o sucesso de público e de crítica acabar rendendo a encomenda de novas temporadas. Foi o que aconteceu com Big Little Lies, da HBO, e com 13 Reasons Why, da própria Netflix.

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