Análise

Em busca de nova identidade, Amazon cancela até série indicada ao Globo de Ouro

Divulgação/Amazon

Kathryn Hahn e Kevin Bacon em cena da comédia I Love Dick, que foi cancelada pela Amazon - Divulgação/Amazon

Kathryn Hahn e Kevin Bacon em cena da comédia I Love Dick, que foi cancelada pela Amazon

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 19/01/2018, às 05h18

No mercado de produção de séries originais desde 2013, a Amazon atravessa sua pior crise de identidade. Com a demissão do presidente Roy Price, acusado de assédio sexual, a plataforma decidiu deixar de investir em atrações menores e alternativas, para focar esforços em megaproduções.

Na noite de quarta-feira (17), a Amazon anunciou o cancelamento de três de suas comédias de uma só vez. Até I Love Dick, que rendeu uma indicação ao Globo de Ouro para Kevin Bacon, entrou na linha de corte.

Também receberam a foice a cult One Mississippi, que teve duas temporadas, e a paródia Jean-Claude Van Johnson, em que o ator belga Jean-Claude Van Damme interpreta uma versão fictícia (e exagerada) dele mesmo.

Com isso, a Amazon agora mantém apenas quatro comédias em produção: Transparent, Mozart in the Jungle e The Marvelous Mrs. Maisel, todas ganhadoras do Globo de Ouro, e a paródia de super-heróis The Tick, que estreia a segunda metade de sua primeira temporada em fevereiro.

Fazer rir, pelo jeito, não está mais nos planos da empresa: das 19 novas séries encomendadas pela plataforma para os próximos anos, apenas duas são comédias: The Dangerous Book for Boys, inspirada no livro homônimo, e uma comédia ainda sem título com Maya Rudolph e Fred Armisen, ambos ex-Saturday Night Live.

A Amazon não faz segredo de que seu futuro está em séries grandiosas: em novembro, a plataforma anunciou um investimento de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 3,2 bilhões) para transformar os livros de Senhor dos Anéis em uma série grandiosa, que siga a linha de Game of Thrones. Só para comprar os direitos de adaptação da obra, a companhia desembolsou US$ 250 milhões (R$ 804 milhões).

Quando a produção estrear, será de longe a série mais cara da TV. Um levantamento do site britânico Verdict indica que cada episódio deve custar cerca de US$ 20 milhões (R$ 62 milhões), contra os US$ 13 milhões (R$ 41 milhões) que a Netflix investe em cada capítulo do drama histórico The Crown.

A proposta é clara: enquanto a principal concorrente no streaming produz cada vez mais séries, destinadas a públicos segmentados, a Amazon vai lançar menos projetos, mas que tenham um apelo maior.

As mudanças se estendem até a própria maneira com que a Amazon escolhe as séries que vai produzir: desde o início, ela realizava uma rodada de episódios pilotos que eram disponibilizados ao público. As mais vistas e bem avaliadas ganhavam o sinal verde. Agora, nada disso: os assinantes perderam o poder de escolha.

A última rodada de pilotos, por exemplo, apresentou três projetos de comédia. Um deles, Sea Oak, tinha como protagonista Glenn Close (Damages). Com uma estrela que já foi indicada a seis Oscars, 12 Globos de Ouro (com duas vitórias) e 14 Emmys (com três troféus), a aprovação parecia apenas uma burocracia. Mas a Amazon recusou Sea Oak e os outros dois candidatos.

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