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Com sangue, palavrões e travestis, Carcereiros é aposta ousada da Globo

Ramon Vasconcelos/TV Globo

Rodrigo Lombardi interpreta Adriano, o protagonista de Carcereiros: ousadia no Globo Play - Ramon Vasconcelos/TV Globo

Rodrigo Lombardi interpreta Adriano, o protagonista de Carcereiros: ousadia no Globo Play

LUCIANO GUARALDO

Publicado em 8/6/2017 - 6h00

Logo na abertura do primeiro episódio de Carcereiros, duas facções do presídio no qual a série se passa entram em guerra. Durante o confronto, a violência domina: um personagem é degolado, outros são esfaqueados, há sangue espalhado por toda parte. O tom adulto também não é poupado no vocabulário: palavrões como "porra", "caralho", "merda" e "filho da puta" pontuam as falas de presidiários e agentes penitenciários.

Em uma representação certeira de uma prisão de verdade, o primeiro episódio mostra ainda o setor que abriga os homossexuais, chamado de Ala das Flores, com direito a gays, travestis e até uma transexual (interpretada por Maria Clara Spinelli, ex-Supermax e atualmente na pele de Mira em A Força do Querer).

Carcereiros é, portanto, uma aposta ousada da Globo, uma produção que não tem o perfil da emissora e está bem distante do "realismo maquiado" das novelas _na semana passada, por exemplo, A Força do Querer foi criticada na internet por exibir o parto de Ritinha (Isis Valverde) sem nenhum sangue no bebê. A série tem cenas fortes, clima tenso e parece uma produção da TV paga.

Outra ousadia da Globo foi colocar, a partir desta quinta-feira (7), todos os 12 episódios de Carcereiros no Globo Play, sua plataforma de vídeo sob demanda. Na televisão, a série só deve estrear em abril do ano que vem _segundo a equipe responsável, com o mesmo visual "sujo" da versão online.

"Acho que a série tem que ser fiel ao universo que retrata. Pelo menos minimamente. Não dá para mostrar um presídio em que tudo é limpo, os presos são galãs que não falam palavrões e não há nenhuma briga", justifica o diretor-geral, José Eduardo Belmonte.

O roteirista Denisson Ramalho também defende a liberdade do projeto: "Não dá para lidar com um universo desses sem ousar, mesmo que a série vá ser exibida em um horário mais tarde na TV. Tentamos abarcar todos os assuntos com o máximo de textura e realidade possíveis. Os jornais contam essas histórias todos os dias, precisamos dar a intensidade que o assunto pede, para mover as pessoas. Então, sim, nós carregamos as tintas o tanto quanto a credibilidade nos permitiu".

reprodução/globo play

Preso é esfaqueado durante conflito entre facções no primeiro episódio da série: sangue

Colega de Ramalho nos roteiros da série, Fernando Bonassi acredita que a ousadia de Carcereiros é uma forma de distinguir a série de outros produtos da Globo.

"Nós precisávamos oferecer uma coisa diferente. A casa nos contratou para produzir seriados, um produto muito distinto de novelas. Ele se vende de outra maneira, apresenta outras coisas, tem uma forma de narrar própria, um preço diferente. E isso é maravilhoso!", valoriza o escritor.

Carcereiros conta a história de Adriano (Rodrigo Lombardi, que substituiu Domingos Montagner no projeto após o ator morrer afogado durante as gravações de Velho Chico), agente penitenciário de um presídio em que a tensão reina: além das facções em conflito, há funcionários corruptos e interesses políticos.

O primeiro episódio, Resgate no Inferno, mostra uma rebelião após um conflito entre as facções. Adriano e o parceiro Valdir (Tony Tornado) são feito reféns pelos presos de um pavilhão. Só serão soltos sob uma condição: Adriano precisa garantir que Binho (Diogo Salles) saia vivo do pavilhão ao lado, já tomado pelos presidiários. O preso é filho de Engenheiro (Thogun Teixeira), líder da facção que controla o setor em que Adriano trabalha.

Assim, o carcereiro tem uma hora para invadir o pavilhão ao lado, transformado em um cenário de guerra com a rebelião, encontrar Binho e levá-lo em segurança para o outro pavilhão. Para complicar a situação, Binho está em um relacionamento com Kelly (Maria Clara), uma das "flores" do presídio.

Sem querer se separar da amada, o herdeiro de Engenheiro exige que Adriano leve também a namorada para o outro pavilhão. Tudo piora quando a Tropa de Choque da Polícia Militar entra no presídio para instaurar a ordem _e Adriano corre risco, pois está usando um macacão de preso para não chamar a atenção dos encarcerados.

reprodução/globo play

Agente vivido por Caio Blat é feito de refém por prisioneiros em episódio de Carcereiros

Além da história ficcional, os episódios contam com depoimentos de agentes penitenciários reais, que compartilham histórias que viveram no trabalho. A mistura de série dramática com documentário provoca estranhamento, em mais uma ousadia estrutural cometida por Carcereiros.

"Tem uma margem de risco em ousar tanto, mas é bom confrontar o público, apostar um pouco. Não podemos dar só o que o espectador acha que quer, mas surpreendê-lo. Ele se sente estimulado e valorizado quando é confrontado. É claro que não precisa agredir, enfiar o dedo na cara, mas oferecer uma narrativa mais arrojada, que o tire da zona do conforto", resume Belmonte.

Pelo menos com a crítica, a ousaria de Carcereiros deu certo: em abril, a série foi premiada no MIPDrama, que antecede a prestigiada feira MIPTV, um dos principais eventos de televisão do mundo. Superou concorrentes do Reino Unido, da França, da Rússia e da Suécia. Com isso, despertou o interesse de emissoras da América Latina e de países do oriente, como as Filipinas.

Resta saber se o público brasileiro também comprará tantas inovações narrativas.

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