Análise | A Lei do Amor

Prejudicada por prólogo de cinema, novela das nove será relançada hoje

Imagens: Reprodução/TV Globo

Chay Suede e Isabelle Drummond em imagem cuidadosa, típica da primeira de A Lei do Amor - Imagens: Reprodução/TV Globo

Chay Suede e Isabelle Drummond em imagem cuidadosa, típica da primeira de A Lei do Amor

DANIEL CASTRO - Publicado em 10/10/2016, às 05h29

Os primeiros quatro capítulos de A Lei do Amor tiveram um tratamento cinematográfico. Para mostrar como os protagonistas Pedro e Helô se conheceram, se apaixonaram e se distanciaram, a Globo lançou mão de recursos técnicos que a telenovela, pela produção industrial, não costuma ter.

A direção artística de Denise Saraceni deu à história de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari uma delicadeza que suavizou e modernizou os clichês de folhetim. O momento em que a mocinha flagrou o amado na cama com uma mulher pelada conseguiu dramaticidade sem que uma única palavra fosse dita, como pedia o roteiro. Graças a uma decupagem cuidadosa e a uma trilha sonora de bom gosto, o clichê não ficou brega. Pelo contrário.

A fotografia de A Lei do Amor tem um quê de cinema europeu, e um dos fotógrafos é o francês Jean Benoit Crépon, o mesmo da minissérie Ligações Perigosas (2016). Predomina uma linguagem clássica, e há um pouco de tudo: câmera no tripé, câmera em movimentos suaves em trilhos, gruas e drones e um pouco de câmera na mão. Grãos, lentes e filtros buscam uma textura que afasta o registro do realismo digital. 

Às vezes, todos os personagens surgem habilmente enquadrados num único plano aberto; outras vezes, eles se movimentam no cenário, são seguidos ou se oferecem para a câmera, criando um raro plano-sequência, como ocorreu no momento em que Pedro, ainda competentemente defendido por Chay Suede, foi embora da casa do pai, Fausto (Tarcísio Meira).

Na primeira fase, a fotografia e a música buscaram a beleza o tempo todo, até quando mostravam a feiúra da miséria. Cada quadro foi composto pensando nos mínimos detalhes. As sequências tiveram cinco, seis planos diferentes _e não apenas os três "tradicionais", um fechado no rosto de um ator, outro no rosto do segundo ator e um terceiro mais aberto, mostrando os dois.

"Usamos a câmera para destacar o personagem e intrigar o olhar do telespectador", diz a diretora Denise Saraseni. "Precisávamos buscar uma narrativa imagética trabalhando os planos para que tivéssemos uma emoção também nela, para que as personagens não tivessem o limite da tela. O som, para a captação dos diálogos, precisou de novos microfones, para que os diretores tivessem a liberdade de planos abertos mais longos e movimentos dramáticos com a câmera. Queríamos criar mistério e poesia também na imagem", observa. 

Pena que a novela não pode ser sempre assim. Gravar com esse cuidado leva um tempo que o produto, com episódios diários, não tem. O capítulo de sábado de A Lei do Amor, o primeiro totalmente na segunda fase, já não teve o mesmo tratamento dos anteriores.

Helô (Isabelle Drummond) flagra Pedro (Chay Suede) na cama com Suzana (Gabriela Duarte)

Erro estratégico

Apesar do acerto na direção e no texto, a Globo errou na estratégia de apostar apenas no drama romântico dos mocinhos nos primeiros cinco capítulos da trama. O prólogo sofisticado e delicado foi ao mesmo tempo lento. Afastou uma parte do público, aquele que espera mais ação no início de uma novela das nove, e o ibope caiu. Os primeiros capítulos de A Lei do Amor tiveram quatro pontos a menos do que os de Velho Chico.

Nos bastidores da emissora, não foram poucos os que acharam o prólogo de A Lei do Amor desnecessário. A apresentação do casal principal e de alguns personagens fundamentais poderia ser resolvida em um único e movimentado capítulo, ou em flashbacks. Como sintetizou o crítico Mauricio Stycer, a novela teve prólogo de cinco capítulos por causa de uma única cena, a que Helô (Isabelle Drummond) flagra Pedro (Chay Suede) na cama com Suzana (Gabriela Duarte).

O capítulo desta segunda-feira (10) terá mais "cara" de primeiro capítulo do que o que inaugurou A Lei do Amor. Terá ações que determinarão os rumos da trama, como o atentado que matará Suzana (Regina Duarte) e deixará o remidido Fausto em coma, guardando o grande segredo da história.

Parece até que os autores previam uma certa apatia do público pela primeira fase e planejaram um relançamento da novela. Nos próximos capítulos, eles oferecerão um novelão clássico, com barracos e reviravoltas. 


Colaborou MÁRCIA PEREIRA


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