Análise + Audiência

Alto Astral começa mais romântica do que cômica e mantém ibope

Renato Miranda/TV Globo

Sérgio Guizé e Nathalia Dill em cena do capítulo de estreia de Alto Astral, novela das sete da Globo - Renato Miranda/TV Globo

Sérgio Guizé e Nathalia Dill em cena do capítulo de estreia de Alto Astral, novela das sete da Globo

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 03/11/2014, às 19h57

Personagens do Além não são uma novidade nas novelas brasileiras. A Viagem (1994), clássico de Ivani Ribeiro, trazia vários deles em uma trama marcada pela doutrinação do espiritismo. Recentemente, Marina Ruy Barbosa deu vida à noiva-cadáver Nicole, em Amor à Vida (2013), uma trama que, de tão rocambolesca, provocava risos involuntários.

Alto Astral, a estreia de hoje da Globo, ressuscita esses tipos, mas desta vez na base do humor. Longe de ser doutrinário, o folhetim dá o pulo do gato ao tratar os personagens fantasmagóricos sob a ótica do humor, sem, entretanto, desbancar para o deboche.

Daniel Ortiz estreia como autor titular no comando de uma história baseada em um argumento deixado por Andrea Maltarolli (morta em 2009 vítima de um câncer) e com a bênção de Silvio de Abreu, que supervisiona o texto. Na direção, Jorge Fernando, um dos diretores mais habitué do horário das sete. Ou seja, diante de um time assim, o público pode esperar, no mínimo, dar risada diante da televisão. Mas, surpreendentemente, pelo menos em vista do primeiro capítulo, Alto Astral mostrou-se muito mais romântica do que cômica.

A história conta a trajetória de Caíque (Sérgio Guizé), um médico que desde criança conversa com espíritos e desenha o rosto de uma mulher, a jornalista Laura (Nathália Dill). Ele e o irmão Marcos (Thiago Lacerda) têm uma relação conflituosa e, para apresentar a rivalidade entre os dois, a novela usou um prólogo que culmina num acidente aéreo _coincidentemente, Boogie Oogie, a trama das seis, também começava com um desastre de avião.

Caíque e Laura, com a ajuda do espírito da menina Bella (Nathalia Costa), se encontram e se apaixonam à primeira vista. O problema é que Laura é noiva de Marcos, um fato que Caíque desconhece. E é aí que a história tem o primeiro tropeço: em tempos de redes sociais e stalkers soltos pela rede, é um pouco forçado o fato de ele sequer ter visto uma foto da noiva do irmão, por mais distante que eles sejam. Mas, como diz Glória Perez, é preciso voar, e voando a gente vai assistindo às novelas...

Guizé é um rosto quase desconhecido (está em sua segunda novela como protagonista) e dá certo respiro aos tipos de galã típicos da televisão. Nathalia Dill continua com uma dicção estranha, mas convence como mocinha. Os dois juntos têm química, o que conta como ponto positivo à novela. No elenco, destaque ainda para Thiago Lacerda e a menina Nathalia Costa que, mesmo sem nenhuma fala, conseguiu conquistar seu espaço na história. Conrado Caputo (Pepito) também promete momentos cômicos.

Claudia Raia surge como Samantha Santana, a picareta engraçada da história. O histórico de Raia como vilã não depõe a seu favor _explodiu em Sete Pecados (2007), como Ágata, e não convenceu como a malvada Lívia, de Salve Jorge (2012). Desta vez, porém, ela pisa em um terreno que domina com maestria e tem tudo a ver com seu estilo de interpretar: a comédia. É preciso reconhecer que a trinca Claudia Raia, Silvio de Abreu e Jorge Fernando funciona muito bem, prova disso é a naturalidade da atriz na personagem. A acompanhar.

Abrir as histórias paralelas aos poucos pode não conferir muita agilidade à novela, mas essa calmaria não é totalmente ruim. É sabido que muitos personagens vão entrar no decorrer do folhetim e isso dá ao autor tempo de manobra, caso algum fio do roteiro não caia no agrado do público.

Quem esperava dar mais risada com Alto Astral pode ter se frustrado. Quem, porém, estava sedento por um romance mais água com açúcar pode ficar feliz. Alto Astral, a julgar pelo primeiro capítulo, fez o feijão com arroz direitinho e provou ter mais caldo para o que vem por aí.

Audiência

A estreia de Alto Astral cravou 24 pontos na Grande São Paulo, segundo dados preliminares do Ibope. Manteve o desempenho dos capítulos iniciais de Geração Brasil (24,1) e Além do Horizonte (24). No confronto, a Record marcou 10,6 e o SBT, 7.


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