ANÁLISE

Final feliz de Éramos Seis é um alívio necessário em meio ao caos do coronavírus

Reprodução/TV Globo

Os atores Cássio Gabus Mendes e Gloria Pires se beijam em cena de Éramos Seis, caracterizados como os personagens Afonso e Lola

Afonso (Cássio Gabus Mendes) beija Lola (Gloria Pires) em cena do último capítulo de Éramos Seis

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 27/03/2020, às 19h28

Não foi só Lola (Gloria Pires) que ganhou um presente de Ângela Chaves, autora do remake de Éramos Seis, com seu final feliz. Os últimos capítulos da novela das seis da Globo, com uma mensagem pra lá de positiva, são um alívio também ao público, refém de uma programação televisiva quase que exclusiva sobre os cuidados e efeitos da pandemia provocada pelo novo coronavírus (Covid-19).

A trajetória de Lola e sua família foi contada de maneira vagarosa e sem atropelos, vez por outra beirando um marasmo, é verdade, mas a autora foi hábil na construção de sua carpintaria dramatúrgica: os personagens agiram com lógica e, mesmo que não tenham arrebatado o público de maneira avassaladora, causaram empatia.

Lola, sem dúvida, é o melhor exemplo. O grande acerto de Éramos Seis foi, desde o início, a escalação de Gloria Pires para protagonizar a história. Há tempos a atriz não estava tão bem em uma novela como agora. Econômica no gestual, soube transmitir sentimentos mesmo em silêncio: seu olhar bastava para emocionar.

Até quando precisou subir o tom e pesar no drama, a exemplo da cena em que desabafou com a imagem da santa na ocasião da morte de Carlos (Danilo Mesquita), Gloria não abusou de exageros e deu um nó na garganta dos telespectadores. Impecável.

É preciso também reconhecer a parceria da atriz com Cássio Gabus Mendes (Afonso). Inicialmente escalado para interpretar Julio, papel que coube a Antonio Calloni, a troca beneficiou a história, ao criar um conflito amoroso para a matriarca.

A química com Gabus Mendes, igualmente sensível como o comerciante apaixonado, possibilitou um desfecho inédito a Lola. Suavizar o final da protagonista foi uma decisão acertada da emissora em tempos árduos. Ao menos na ficção, há um mínimo de esperança.

Essencialmente feminina e delicada, a novela contou ainda com outros reforços para a identificação do público. No time de coadjuvantes, destaque para Simone Spoladore (Clotilde), Carol Macedo (Inês), Virgínia Rosa (Durvalina) e Joana de Verona (Adelaide). E até Susana Vieira (Emília), tão espalhafatosa em seus últimos trabalhos, dessa vez não comprometeu.

Por fim, as participações especiais na reta final da história deixaram um gostinho de homenagem ao trazer atores que participaram de outras versões da novela. Marcos Caruso, na pele do prefeito de Itapetininga, foi cirúrgico, com um sotaque acertado e hilário. Nicette Bruno (Joana) e Irene Ravache (Tereza), outrora intérpretes de Lola, brilharam igualmente na última semana.

Se a novela foi de Lola, o último capítulo foi de Alfredo (Nicolas Prattes). O filho que mais deu dor de cabeça para a protagonista voltou da guerra, conheceu o filho que teve com Inês, se regenerou e teve direito ao amor ao lado de Adelaide.

A felicidade, aliás, foi a tônica do desfecho e até o momento mais doloroso, a morte de Maria (Denise Weinberg), foi carregado de delicadeza, com direito a um discurso leve sobre a beleza da vida e sem chororô.

As lágrimas rolaram soltas mesmo com a narração final de Lola. "A vida se transforma, e eu agradeço", disse ela. Mais do que em qualquer outra versão, a vida de Lola se transformou --e para melhor, ainda bem!

O remake de Éramos Seis serviu para reafirmar a história como um clássico da televisão e, principalmente, honrar a carreira de Gloria Pires.


Este texto não reflete necessariamente a opinião do Notícias da TV.

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