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LUISA ARRAES

Atriz de Justiça se recusa a ver cena de estupro: 'Pavor iminente'

Reprodução/Globo

A atriz Luisa Arraes em cena como a personagem Débora, de Justiça, minissérie da Globo - Reprodução/Globo

A atriz Luisa Arraes em cena como a personagem Débora, de Justiça, minissérie da Globo

FERNANDA LOPES

Publicado em 1/9/2016 - 7h00

Em seu terceiro trabalho na Globo, Luisa Arraes, 23 anos, encarou o desafio de representar na ficção seu maior medo na vida real: ser estuprada. Na trama de Justiça, sua personagem, Débora, foi atacada por um homem em um beco, durante o Carnaval do Recife, e sofreu abuso sexual. A atriz teve sintomas físicos antes de gravar a cena, de tão nervosa que ficou. Depois de terminar o trabalho, não quis nem conferir o resultado na TV.

"Todas as cenas na minissérie são muito difíceis, com carga emocional muito alta. Tive todos os tipos de dor, de barriga, de coluna. A gente tem muita ajuda da equipe inteira para se concentrar e entrar na história, porque são tragédias que a gente não viveu. Temos que usar a imaginação e ver o que pode ser feito com o pavor e o medo que existem, porque essas histórias acontecem. A cena do estupro eu não consigo mais assistir, foi horrível. É um pavor iminente", revela.

Nesta quinta (1º), o abuso sexual volta a aterrorizar Débora: ela descobre que mais uma garota foi violentada pelo mesmo homem e decide fazer um retrato falado dele. Apesar da rejeição à cena, Luisa defende que o estupro e a violência contra a mulher são temas muito frequentes no dia a dia feminino, mas ainda muito pouco abordados pela teledramaturgia brasileira.

"É preciso falar, sim, a gente foge muito de assuntos feios, tem medo de falar sobre isso. Débora usa muito o termo estuprador, que é horrível, ninguém gosta. Mas existe, é um medo que não pode ficar calado. [Acontece atualmente] Esse movimento [social contra o machismo] incrível das mulheres aqui no Brasil. Eu converso com meu pai e ele diz: 'Mas isso já acontecia na Europa, nos anos 1960'. Tudo bem, mas aqui não! Esses movimentos ajudam todas nós a termos coragem. Acho que é ótimo que o assédio esteja aparecendo com mais força [na TV]", explica.

Crédito

A atriz Luisa Arraes na cena do estupro sofrido por sua personagem, Débora, em Justiça

Luisa é filha da atriz Virginia Cavendish e do cineasta e diretor Guel Arraes, responsável sobre as séries semanais da Globo. De família pernambucana (ela é neta de Miguel Arraes e prima de Eduardo Campos, ambos ex-governadores de Pernambuco, já mortos), a carioca pediu ajuda aos primos para compor o sotaque da personagem de Justiça. "Quando precisava de ajuda, mandava áudio para todos os meus primos dizendo: 'Gente, estou com uma dúvida nessa palavra'. Sem eles, realmente, não teria conseguido", brinca.

Luisa nega veementemente que receba algum favorecimento na Globo por ser filha de quem é. Ela estreou na emissora em 2012 na série Louco por Elas, em que interpretava a filha mais velha de Eduardo Moscovis e Deborah Secco. Ela se destacou como a Laís de Babilônia (2015), trama em que fazia par romântico com Chay Suede, e passou no teste do diretor artístico José Luiz Villamarim para atuar em Justiça. "Claro que a gente sofre alguns preconceitos [por ter pais famosos], mas acho que cada vez mais vou traçando meu caminho e isso vai diminuindo", afirma.

Em meio às gravações de Justiça, Luisa também se dedica ao curso de letras na PUC do Rio de Janeiro, onde se forma no fim deste ano. Ela confessa que às vezes fica perdida com a mistura entre textos da TV para decorar e textos teóricos da universidade para estudar. Mas sua grande confusão é mesmo em relação ao desfecho de sua personagem, que decide matar o estuprador.

"Me perguntaram muitas vezes se ela está indo fazer justiça ou vingança, e já respondi justiça. Às vezes acho que eu iria, sim, atrás dele, mas penso se seria legítimo, se seria bom para ela. Porque eu tenho certeza de que o primeiro impulso de todo mundo é esse, matar a pessoa que fez isso, todo mundo entende ela querer se vingar assim. No início eu pensava que estava certo, depois fui repensando e até hoje, cada vez que assisto, penso uma coisa [diferente]", diz, em tom de mistério.


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