Novo Mundo

Agressivos, romances de dom Pedro eram obscenos demais para novela das seis

Tata Barreto e José Miguel Júnior/TV Globo

Letícia Colin, Caio Castro e Agatha Moreira vivem triângulo amoroso em Novo Mundo - Tata Barreto e José Miguel Júnior/TV Globo

Letícia Colin, Caio Castro e Agatha Moreira vivem triângulo amoroso em Novo Mundo

REDAÇÃO - Publicado em 12/04/2017, às 05h21

Os detalhes do triângulo amoroso entre dom Pedro I, a imperatriz Leopoldina e a marquesa de Santos eram muito mais quentes do que uma novela das seis poderia exibir. Com base em suas trajetórias reais, os três personagens históricos são representados em Novo Mundo, respectivamente, por Caio Castro, Letícia Colin e Agatha Moreira. Mas, ao mesmo tempo em que a novela inclui uma certa fantasia romântica nas tramas que os envolvem, também tira de cena alguns fatos fortes e íntimos demais que chocariam boa parte do público do horário.

Em Novo Mundo, Leopoldina sofrerá quando descobrir as traições de seu marido com Domitila de Castro, a marquesa de Santos. Mas, por causa da classificação indicativa, a novela certamente deixará de fora as agressões (físicas e emocionais) que ela sofria de dom Pedro.

A imperatriz também não deverá tomar conhecimento do conteúdo erótico das cartas que dom Pedro mandava para a marquesa, com direito a apelidos, desenhos e até troca de pelos pubianos.

Veja alguns detalhes baseados em pesquisas de historiadores sobre a relação conturbada entre os três:

joão Miguel Júnior/TV Globo

A atriz Agatha Moreira interpretará a marquesa de Santos, amante de dom Pedro

Domitila: jogos sexuais e personalidade forte
Domitila de Castro (1797-1867) não era uma típica nobre submissa do século 19. A marquesa de Santos sabia se impor sobre seu amante e deixá-lo a seu dispor, com personalidade geniosa e truques sexuais. De acordo com o livro Domitila: A Verdadeira História da Marquesa de Santos, do pesquisador Paulo Rezzutti, ela conhecia técnicas de pompoarismo (contrações nos músculos vaginais), que proporcionavam mais prazer no sexo tanto para ela quanto para seu parceiro.

A marquesa controlava dom Pedro I (1798-1834) não só na cama, mas também em todo o relacionamento extra-conjugal que tiveram. Segundo o livro A Carne e o Sangue (da historiadora Mary Del Priore), que destrincha o triângulo amoroso, os dois travavam diálogos ríspidos em suas cartas. Em um deles, o imperador disse: "Quero que vá para São Paulo", ao que Domitila respondeu "Vou quando eu quiser". Quando escreveu à amada para dizer que mandaria um cavalo para buscá-la, ela retrucou: "Seu cavalo vai ficar pastando no meu jardim".

paulo belote/TV Globo

Caio Castro em cena como dom Pedro; imperador enviava seus pelos pubianos à amante

Cartas pornográficas
A correspondência por cartas entre os dois amantes era cheia de declarações, provocações e provas de fidelidade, mas com um diferencial: traziam sempre referências a sexo e ao erotismo do casal. dom Pedro e Domitila se tratavam, por exemplo, pelos apelidos de Titília e Demonão (o imperador também se referia a si mesmo como Fogo Foguinho).

Em meio às palavras de amor, o monarca fazia desenhos para a amada: todos representavam seu pênis, por vezes ejaculando, segundo o livro A Carne e o Sangue. Para deixar ainda mais clara sua "fidelidade" à marquesa, dom Pedro enviava a ela amostras de seus pelos pubianos.

reprodução/globo

Relação entre dom Pedro e Leopoldina era conturbada e permeada por agressões físicas

Agressões a Leopoldina
A imperatriz não conseguiu ser feliz em seu casamento arranjado com o monarca português. Além da decepção de saber que ele preferia sua amante, Leopoldina (1797-1826) também sofria com o temperamento violento do marido. De acordo com a historiadora Isabel Lustosa, autora do livro D. Pedro I, os rumores de que o imperador batia em sua mulher, inclusive quando ela estava grávida, eram muito conhecidos ao fim do Primeiro Reinado.

Um jornal da época publicou que ele agrediu Leopoldina com pontapés em novembro de 1826, e um soldado alemão que lutou na Guerra da Cisplatina também relatou que dom Pedro "em momentos de cólera maltratava gravemente sua esposa".

Tatá Barreto/TV Globo

Maus-tratos de dom Pedro a Leopoldina chegaram aos ouvidos do pai dela, na Europa

Má fama na Europa
Não demorou muito para que a reputação de dom Pedro como agressor de sua mulher chegasse às cortes da Europa. Um diplomata francês escreveu sobre as agressões e contusões da imperatriz, e a fofoca chegou aos ouvidos do pai dela. Antes de morrer, a própria Leopoldina, deprimida pela atenção ostensiva que dom Pedro dava à amante, chegou a pedir a seu pai, o imperador da Áustria, Francisco I, para ir embora do Brasil.

Francisco I ficou possesso quando soube da morte da filha e chamou dom Pedro publicamente de canalha. O imperador austríaco fez de tudo para dificultar um segundo casamento do monarca português, tanto que dom Pedro foi rejeitado por 16 princesas. Só conseguiu se casar com Maria Amélia, uma jovem que não era princesa de sangue e era neta de Napoleão Bonaparte, o que na época não era sinal de prestígio entre as famílias reais da Europa.

isabella pinheiro/gshow

Domitila de Castro, interpretada por Agatha Moreira, foi rechaçada pela população 

Marquesa apedrejada
De acordo com o livro A Carne e o Sangue, expor a vida íntima em público era considerado um sinal de virilidade para a corte brasileira. A população, no entanto, não enxergava essa questão da mesma forma. O sofrimento de Leopoldina e o fato de dom Pedro nem tentar esconder seu caso com Domitila chamaram a atenção de forma negativa. Quando a imperatriz morreu, muita gente acreditou que ela havia sido envenenada pela amante de seu marido.

A marquesa de Santos nunca cometeu esse crime, mas só as suspeitas sobre ela já geraram manifestações violentas do povo. Os mais irados foram até a casa de Domitila para apedrejá-la. Em mais de uma ocasião, ela teve que se afastar de dom Pedro para que ele pudesse contornar seus problemas políticos e acalmar os ânimos da população.

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