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LIVE-ACTION

'Remake' de Mulan fracassa em bilheterias, mas não fará falta a fãs do original

DIVULGAÇÃO/DISNEY

A atriz Liu Yifei segura arco e flecha como a personagem Hua Mulan no filme Mulan, da Disney

Com a atriz Liu Yifei na pele da protagonista Mulan, live-action é um bom filme de ação que peca em roteiro

KELLY MIYASHIRO

kelly@noticiasdatv.com

Publicado em 15/9/2020 - 6h55

Cercado de polêmicas e estreando nos cinemas da China em plena pandemia da Covid-19, o live-action de Mulan tem fracassado nas bilheterias, mas definitivamente não fará falta aos fãs da animação original, lançada em 1998. Com um roteiro raso, o novo longa sobre a princesa guerreira da Disney é um bom filme de ação voltado ao público infantil.

Após gastar mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) em sua produção, a Disney amarga o faturamento de "apenas" US$ 23,2 milhões (R$ 121 milhões) em seu fim de semana de estreia na China, uma marca considerada bem abaixo da expectativa da empresa em um cenário no qual o novo coronavírus não teria fechado o comércio, principalmente as salas de cinema, ao redor do mundo inteiro. 

Em outros países que conseguiram liberar o acesso a cinemas, o filme arrecadou só US$ 5,9 milhões (R$ 31 milhões). Assim, somando todas as bilheterias do lançamento ocorrido na semana passada, o filme atingiu um total de US$ 37,6 milhões (quase R$ 200 milhões).

Para efeito de comparação, Frozen 2 estreou em novembro de 2019, uma época sem pandemia, e obteve o faturamento de US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) somente em seu fim de semana de estreia. 

Como se não bastasse os problemas de dinheiro do filme, a protagonista Liu Yifei bateu de frente com o público chinês ao se declarar contra o movimento pró-democracia de Hong Kong e elogiar a polícia, acusada de violência excessiva no tratamento de manifestantes e ativistas. 

O estúdio teve de enfrentar diversas campanhas de boicote em Taiwan, Hong Kong, Singapura e Tailândia, além de correr o risco de censura pelo governo chinês. Mas a aposta de que a bilheteria do país com a maior população do mundo compensaria o investimento tem sido cada vez mais frustrada.

Mulan só conseguiu liberar seu lançamento junto aos censores duas semanas antes da estreia prevista, ficando com pouco tempo para a divulgação. Os veículos de imprensa chineses também foram proibidos de cobrir a estreia e de fazer críticas independentes sobre o filme. Os dois fatores são os principais responsáveis por atiçar a curiosidade do público, então o resultado foi a diminuição do interesse.

[Atenção: a partir daqui este texto contém spoilers de Mulan]

Sobre os aspectos técnicos do filme, Mulan peca muito em seu roteiro, mesmo sendo baseado no conto original da heroína que salva a China. O Global Times, único jornal chinês autorizado a criticar o longa, atacou o "baixo nível artístico" e a "incompreensão da cultura chinesa" da produção. O Notícias da TV também assistiu e ficou decepcionado com a falta de profundidade de algumas tramas.

Mesmo ciente de que o filme não seria uma cópia fiel da animação, é perceptível que Mulan foi feito direcionado a crianças e não ao público mais velho, já que a falta de sangue cenográfico nas cenas de guerra foram propositais para manter a classificação indicativa. A obra também é didática demais. A protagonista não consegue desvendar os mistérios sozinha, é necessário que algum personagem discurse para que tal fato ocorra.

Sem o alívio cômico de Mushu, o grilo e até a avó de Mulan --personagens que foram adaptados e transformados em outros elementos, o live-action ficou mais sério e até mais maduro, mas acaba se tornando um longa da Disney completamente esquecível para os fãs mais velhos, que ainda vão preferir o desenho animado.

Focada em mostrar uma menina disposta a lutar contra o machismo enraizado na sociedade, a produção explora de maneira superficial o sacrifício de uma filha primogênita que decide ir lutar na guerra no lugar de seu pai, um militar aposentado que com certeza iria morrer no combate.

Ao introduzir uma bruxa (Gong Li) como a vilã Xianniang, o filme também falha ao não explicar de forma mais justa os motivos que levaram a mulher marginalizada pela sociedade a tomar um rumo obscuro. E depois ela se sacrifica heroicamente simplesmente do nada. No lugar de uma boa história, os produtores preferiram distrair com muitos (e bons) efeitos especiais e uma ótima fotografia.

Para recuperar os mais de US$ 200 milhões investidos em sua produção, a Disney está apostando no streaming, com a distribuição premium (o estúdio chama de Premier Access) no Disney+ nos Estados Unidos. Entretanto, em três meses o longa estará disponível de graça para os assinantes da plataforma.

Devido aos números da pandemia no Brasil, que já contabiliza mais de 130 mil vítimas do novo coronavírus, Mulan deve pular as salas de cinema nacionais para ser lançado diretamente no streaming com a chegada do Disney+ no território brasileiro. A plataforma estreia por aqui em 17 de novembro.


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