A VIDA INVISÍVEL

Pênis ereto e crítica ao machismo: Tudo sobre o filme brasileiro na corrida pelo Oscar

DIVULGAÇÃO/BRUNO MACHADO

A atriz Carol Duarte como a personagem Eurídice Gusmão, que está vestida como noiva e fumando, no filme A Vida Invisível

Carol Duarte como Eurídice Gusmão em A Vida Invisível, filme brasileiro na corrida pelo Oscar 2020

VINÍCIUS ANDRADE - Publicado em 21/11/2019, às 05h06 - Atualizado às 05h07

Após desbancar longas como Bacurau na corrida por uma indicação na categoria de melhor filme internacional no Oscar, A Vida Invisível estreia nesta quinta (21) nos cinemas. A produção critica o machismo, com diálogos interessantes, cenas fortes e direito até a imagem de um pênis ereto em tela cheia no momento em que Antenor, personagem de Gregório Duvivier, vai ter a primeira vez com sua mulher na noite de núpcias.

Dirigido pelo cearense Karim Aïnouz, o longa ainda conta com a presença luxuosa de Fernanda Montenegro. Ela aparece apenas nos 15 minutos finais, na fase mais velha de Eurídice Gusmão. A personagem é interpretada por Carol Duarte (A Força do Querer e O Sétimo Guardião) na juventude e na vida adulta.

Eurídice foi separada da irmã, Guida (Julia Stockler), na década de 1950 após uma mentira do pai sustentada pela mãe. A trama explora a história dessas duas mulheres, que vivem situações completamente distintas enquanto tentam se reencontrar. Em comum, problemas com homens e relacionamentos abusivos.

Para explicar sobre o que trata o filme e sua personagem, Fernanda Montenegro diferenciou o homem macho, viril, do machão, que é inseguro e faz de tudo para diminuir a mulher na tentativa de se sentir melhor. 

Ela define o longa como "uterino e vaginal", por focar na trajetória de diferentes personagens femininas.

"A condição da mulher é sempre crítica, ainda é a de baixo no comando. E, mesmo quando não é a de baixo no comando, há a luta pelo comando ainda. Há um grande fenômeno de crise na dramaturgia brasileira mostrado na imagem das mulheres, por conseguinte os homens também", explicou Fernanda em um dos eventos de lançamento do filme.

Antenor (Gregório Duvivier) e Eurídice (Carol Duarte) vivem um casamento abusivo no filme

O sexo em A Vida Invisível

Parte do machismo é representada pelo personagem de Gregório Duvivier. Antenor é o marido de Eurídice (Carol Duarte), que força a mulher a fazer sexo com ele na noite de núpcias, mesmo com ela bêbada e insegura para o momento. O ato começa no quarto e termina no banheiro de um hotel, quando aparece o pênis ereto.

"Essa coisa do sexo, o Karim [diretor] pedia muito que fosse animal. Debaixo do homem comum, tem um animal selvagem. Não dá pra glamourizar o sexo, não dá pra fingir. É um embate físico de muita violência. O filme mostra isso. Foi difícil fazer, uma energia muito pesada pra mim. Voltava pra casa arrasado", confessou o ator.

"Dá um pânico de pensar que essa foi a realidade de muitas mulheres. É muito pouco engraçado, muito tenso e muito difícil encenar isso de uma maneira realista e crível. É muito pesado. Quando eu voltava pra casa, tinha que despir do personagem, tomar um banho e algumas vezes eu chorei em casa", explicou Gregório Duvivier.

"A Eurídice nunca tinha visto o corpo de um homem nu na frente dela, nunca tinha tido uma relação sexual, então teve toda uma preparação pra gente definir como seria isso para ela e para o Antenor também. O Karim monta e desmonta, faz e refaz, a gente foi enlouquecendo ali [com os personagens]", disse Carol.

"No banheiro, a gente criou uma relação de muita confiança. O Karim esvaziou o set. A equipe era majoritariamente de mulheres, isso me deixou muito mais confortável para filmar todas as cenas do filme. Acho que a gente foi descobrindo ao longo, e a movimentação da cena foi natural", relatou a atriz.

Corrida pelo Oscar

Candidato brasileiro na disputa para entrar na lista final do Oscar de melhor filme internacional (até o ano passado a categoria era chamada de melhor filme estrangeiro), A Vida Invisível é um dos principais cotados para conquistar uma vaga.

A campanha pela estatueta é comandada pelo produtor Rodrigo Teixeira, que já conseguiu emplacar longas como Me Chame Pelo Seu Nome (2017) na principal premiação do cinema mundial. Um dos trunfos é a empresa que cuida da distribuição do filme nos Estados Unidos: a gigante Amazon

O filme foi selecionado para pelo menos cinco dos dez festivais mundiais que os especialistas chamam de Circuito de Festivais para o Oscar: TIFF, Mill Valley, Hamptons, Middleburg Film Festival e BFI.  Também foi exibido no Toronto International Film Festival, Zurich Film Festival, no Festival Internacional de Valladolid e ganhou o Grand Prix da mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes.

A Vida Invisível também aparece na lista de apostas de veículos internacionais, como The Hollywood Reporter, Variety e Indiewire. Assista abaixo ao trailer do filme:

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