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Superação

Jornalista da Cultura comenta Copa do Mundo com tubo de oxigênio

Fotos Dri Spacca/NTV

O jornalista Michel Laurence em seu quarto; ao fundo, TV sintonizada em Itália x Uruguai, pela Copa - Fotos Dri Spacca/NTV

O jornalista Michel Laurence em seu quarto; ao fundo, TV sintonizada em Itália x Uruguai, pela Copa

PAULO PACHECO

Publicado em 24/6/2014 - 15h03
Atualizado em 25/6/2014 - 6h47

RESUMO: Um dos principais jornalistas esportivos do Brasil, Michel Laurence se recupera de um problema respiratório que o deixou na UTI durante um mês. Em sua casa, enquanto usa um tubo de oxigênio e faz fisioterapia para voltar ao trabalho na TV Cultura, ele comenta a Copa do Mundo no Facebook e tranquiliza amigos e fãs sobre seu estado de saúde

Aos 75 anos, Michel Laurence, referência do jornalismo esportivo brasileiro, está tomando fôlego para cobrir a Copa do Mundo. Literalmente. Em recuperação de um derrame pleural que o deixou na UTI durante um mês, ele respira com a ajuda de um fornecedor de oxigênio em sua casa (e um tubo reserva quando acaba a eletricidade). Afastado da Cultura para cuidar da saúde, o jornalista não consegue ficar longe da TV e, mesmo respirando com dificuldade, transmite o Mundial em seu perfil no Facebook.

Com oito Copas no currículo (embora acompanhe desde 1950, o jornalista desconsidera as que não cobriu "in loco"; a primeira foi em 1970, no México), Michel Laurence encontrou uma maneira informal e divertida de trabalhar no Mundial do Brasil. Desde quando deixou o hospital para iniciar o tratamento em casa, Laurence publica textos sobre os jogos do Mundial todos os dias na rede social. Para despreocupar os amigos e fãs, também escreve sobre seu estado de saúde.

"Faço uma brincadeira, escrevo umas coisinhas no Facebook. Acho que tenho uma linguagem que as pessoas entendem. Não sou pretensioso de achar que sou gênio. Não tenho grande dificuldade porque, cá entre nós, falar de futebol é uma coisa gostosa. A imagem do Neymar antes de cobrar o pênalti contra a Croácia me impressionou. Escrevo aquilo que me chama a atenção. Ninguém me pauta para nada, escrevo o que bem entendo (risos)", diz Michel Laurence ao Notícias da TV.

Em abril, Michel Laurence gravava o programa Causos da Copa, sobre suas histórias nos Mundiais, quando foi disgnosticado com pneumonia, que avançou para um derrame pleural, quando o líquido entre as pleuras invade o espaço dos pulmões, prejudicando a capacidade respiratória.

A rotina do jornalista mudou após a baixa na saúde. Além do oxigênio, ele faz fisioterapia para fortalecer as pernas e tem alimentação regrada, comportamento bem diferente de quando se casou pela terceira vez, com sua atual mulher, Rose. Laurence abandonou a vida "irresponsável", nas palavras dele, de fumo e bebida, há 28 anos.

Em sua casa, recebe cuidados médicos e o apoio da mulher e de seus dois filhos mais novos, Felipe e Paulo. Ao todo, são seis filhos, entre eles o jornalista Bruno Laurence, da Globo. Após a recuperação, com o auxílio do oxigênio e da fisioterapia, Michel espera retornar à Cultura antes da final da Copa do Mundo, em 13 de julho.

Melhor Copa

Da TV no seu quarto, Michel Laurence vê a Copa do Mundo que considera a melhor de todas que já cobriu. O jornalista confessa ter desconfiado que o Brasil pudesse sediar um evento desse porte e comemora a alta qualidade das partidas, dos estádios e, principalmente, do entusiasmo dos torcedores. Ele para a entrevista para observar, encantado, as arquibancadas coloridas de torcedores de Itália e Uruguai antes do jogo que classificou a seleção sul-americana para as oitavas de final do torneio.

"A Copa no Brasil entrou para a história. Superou em tudo as minhas expectativas. Éramos pessimistas em relação à segurança e está funcionando bem. Éramos pessimistas em relação ao povo brasileiro, que está demonstrando ser fantástico. A beleza do povo, dos estádios e o colorido que está tomando conta deste país é um negócio fantástico, eu nunca tinha visto", comenta.

Laurence compara a Copa de 2014 com a de 1970, no México. Em comum, a torcida calorosa. Assim como os brasileiros, os mexicanos abraçaram outras seleções e curtiram os jogos juntos. A ola, coreografia tradicional nos estádios, nasceu naquela edição do torneio. Diferentemente da Copa de 1974, na Alemanha, que considera o Mundial mais "frio" da história.

De vendedor a jornalista premiado

Michel Laurence começou a premiada carreira no jornalismo por acaso. Nascido em Marselha, segunda cidade mais populosa da França, mudou-se para o Brasil com seu pai francês e a mãe brasileira em 1948. Seu pai, Albert Laurence, fundou com Samuel Wainer (1910-1980) o jornal Última Hora, um dos mais importantes da imprensa brasileira. A morte de Albert, em 1963, forçou o início de Michel, na época gerente de uma loja de roupas, no jornalismo.

"O Última Hora resolvel me chamar para continuar com o nome Laurence no jornal. A princípio, neguei, porque a proposta financeira não era agradável, o jornal era perseguido pelo governo. Minha mãe dizia que eu tinha que aceitar, e ela era uma pessoa adorável, inteligente e de um coração desse tamanho. Para atender a ela, resolvi aceitar a proposta e comecei a trabalhar", recorda.

A trajetória de Michel Laurence se entrelaça com a história da imprensa esportiva brasileira. Fez parte da primeira equipe da revista Placar, da editora Abril. Cobriu Copas do Mundo por Cultura, Record, SBT, Manchete e Globo, onde realizou reportagens para o Globo Repórter, viu nascer o Globo Esporte e transformou o Esporte Espetacular, na época uma colagem de enlatados norte-americanos, em programa feito no Brasil.

Com humildade, Laurence atribui seu sucesso no jornalismo ao acaso e à sorte e tem profunda gratidão pelo país que adotou como terra natal: "Dei muita sorte, conheci os maiores jornalistas do Brasil. Ganhei dois Prêmios Abril de Jornalismo graças ao Brasil. Este País, para mim, é uma realização".

Francês que conquistou Pelé

Nas décadas de 1960 e 1970, Michel Laurence conquistou um de seus maiores amigos, Pelé: "Convivemos durante 12 anos muito chegados um ao outro, porque ganhei a confiança dele. Fui o primeiro repórter a entrar no apartamento dele em Santos. Ele perguntava minha opinião sobre várias coisas, me chamava quando tinha alguma dúvida. Participava de tudo. Sem ser nenhum puxa-saco, ao contrário, mantive minha posição de jornalista, e ele sabia disso".

A amizade de Michel Laurence com Pelé foi tão próxima que o jornalista tentou convencê-lo a não se aposentar do futebol na véspera de sua despedida, em 1974. Mais tarde, o jogador retornaria aos gramados nos Estados Unidos.

"Entro no vestiário do Santos para fazer o ambiente da Vila Belmiro sem Pelé e o vejo esvaziando o armário para ir embora. Ele me pediu carona. Durante a subida da serra, fomos conversando e tentei dissuadi-lo de deixar o futebol. Ele dizia estar sob pressão e tinha que sair do futebol. Senti que ele estava ficando emotivo", relembra.

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