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LUTO

Convidada para remake de Renascer, atriz Léa Garcia morre aos 90 anos

DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

Léa Garcia sorri em entrevista ao Conversa com Bial

Léa Garcia em entrevista ao Conversa com Bial em 2022; atriz morreu nesta terça-feira (15)

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 15/8/2023 - 9h27
Atualizado em 15/8/2023 - 10h18

A atriz Léa Garcia teve um infarto e morreu aos 90 anos nesta terça (15), após ser homenageada no Festival de Cinema de Gramado (RS). Conhecida por papéis em novelas como Selva de Pedra (1972) e Escrava Isaura (1976), a atriz estava em negociações para um papel no remake de Renascer, escrito por Bruno Luperi.

A confirmação da morte foi feita pela família em uma publicação no Instagram durante a manhã. "É com pesar que informamos o falecimento agora, na cidade de Gramado, no Festival de Cinema de Gramado, da nossa amada Léa Garcia", escreveram.

Segundo a colunista Anna Luiza Santiago, do jornal O Globo, a artista tinha sido convidada para interpretar Inácia no remake que substituirá Terra e Paixão na faixa das nove da Globo. A personagem feita por Chica Xavier (1932-2020) na versão de 1993 do folhetim de Benedito Ruy Barbosa era empregada da casa de José Inocêncio (Antonio Fagundes).

Léa é uma figura histórica do teatro negro no Brasil. Ela teve papéis marcantes no teatro, TV e cinema, acumulou prêmios ao longo da carreira e virou uma referência para jovens atores e, principalmente, mulheres negras.

Vida e carreira

Léa Lucas Garcia de Aguiar nasceu em 1933 no Rio de Janeiro. Demonstrou interesse pelas artes ainda muito jovem e tinha o desejo de cursar Letras. O dramaturgo e ativista Abdias Nascimento (1914-2011) foi quem a convenceu a subir no palco pela primeira vez, na peça Rapsódia Negra (1952), encenada pelo Teatro Experimental do Negro.

Também teve destaque como Mira na peça Orfeu da Conceição (1956), de Vinicius de Moraes (1913-1980). A história foi transformada no filme Orfeu Negro (1959), no qual Léa viveu Serafina. Pelo papel, a atriz ficou em segundo lugar na Palma de Ouro, em Cannes.

Ainda no teatro fez as peças Perdoa-me por Me Traíres (1959), Piaf (1983) e Romanceiro da Inconfidência (2000).

Ela estreou na televisão na década de 1950 no Grande Teatro da TV Tupi, emissora na qual participou do programa Vendem-se Terrenos no Céu (1963). Trabalhou também na TV Rio, onde atuou em Os Acorrentados (1968).

Léa foi convidada para trabalhar na Globo em 1970, quando fez parte do elenco de Assim na Terra como no Céu, folhetim de Dias Gomes (1922-1999). Esteve ainda em Minha Doce Namorada (1971) e O Homem que Deve Morrer (1971), novela de Janete Clair (1925-1983) que trazia a história de dois casais inter-raciais --novidade à época.

Ganhou muita visibilidade na primeira versão de Selva de Pedra, em que viveu a secretária Elza. Depois, teve papéis em Os Ossos do Barão (1973), Fogo sobre Terra (1974), A Moreninha (1975), Maria, Maria (1978) e Marina (1980).

Intérprete da vilã Rosa na primeira versão de Escrava Isaura (1976), Léa Garcia chegou a ser agredida na rua por causa das maldades da personagem. "Uma criatura pegou um peixe enorme e bateu nas minhas costas porque eu 'estava sendo perversa com a Isaura'. Apanhei também... Levei um beliscão de lágrimas descerem dos olhos. As pessoas naquele momento confundiam o personagem com o ator", contou a atriz no Conversa com Bial.

Na TV Manchete, fez Dona Beija (1986), Helena (1987), Tocaia Grande (1995) e Xica da Silva (1996). Esteve ainda em O Campeão (1996), da Bandeirantes. Ela atuou também na Record em Cidadão Brasileiro (2006), Luz do Sol (2007) e A Lei e o Crime (2009).

A artista fez também a minissérie Abolição (1988), em comemoração ao centenário da abolição da escravatura. Léa integrou os elencos de Pacto de Sangue (1989), Araponga (1990), A Viagem (1994), Anjo Mau (1997), Suave Veneno (1999), O Clone (2001), Êta Mundo Bom! (2016) e Sol Nascente (2016). Tem ainda no currículo as minisséries Desejo (1990) e Agosto (1993), além da série Mister Brau (2015-2018).

Fez o filme As Filhas do Vento (2005), vencedor de vários prêmios no Festival de Gramado. Esteve nos curtas Acalanto (2012) e Acúmulo (2017). Léa Garcia também foi roteirista e adaptou para o cinema de textos de autores negros, como Cidinha da Silva, Luiz Silva Cuti e Muniz Sodré.

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