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Zé do Caixão batia em atrizes e chamava a polícia para ser preso

Fotos: Reprodução/Space

José Mojica Marins (Matheus Nachtergaele) bate em atriz durante 'teste macabro' - Fotos: Reprodução/Space

José Mojica Marins (Matheus Nachtergaele) bate em atriz durante 'teste macabro'

DANIEL CASTRO

Publicado em 27/11/2015 - 5h27

Um dos diretores mais cultuados do cinema nacional, José Mojica Marins, 79 anos, aplicava em seus atores métodos mais radicais do que os de Stanley Kubrick (1928-1999), cineasta americano referência no rigor com o elenco. Mojica, o Zé do Caixão, batia com gosto no rosto das atrizes e as submetia a "testes macabros" e a "testes de coragem" em que eram obrigadas a comer baratas vivas, ficar presas em urnas mortuárias e tomar choques elétricos. Para chamar a atenção da imprensa, o próprio Mojica se denunciava à polícia.

É o que mostra o terceiro episódio da série Zé do Caixão, que o canal Space exibe nesta sexta (27), às 22h30, com reprise no domingo (29), às 23h. "Era um misto de método de preparação de atores com arrecadação de dinheiro e propaganda", conta o jornalista André Barcinski, biógrafo de Mojica e um dos roteiristas da série protagonizada por Matheus Nachtergaele. "Ele fez isso muitas vezes. Ele mesmo chamava a polícia e a imprensa", lembra.

No episódio desta noite, a polícia baixa na produtora de Mojica, onde ele dava aulas para ganhar dinheiro e arregimentar atores dispostos a pagarem para atuar em seus filmes. Ao sair da cadeia, Dirce (Maria Helena Chira) fica intrigada: quem denunciara o chefe para a polícia? As suspeitas eram várias. Naquela noite, uma mulher que nunca apanhou nem dois pais foi surpreendida com um tabefe no rosto, outra comeu uma barata e uma terceira foi trancada num caixão. "Quem não aparece, desaparece", responde Mojica à fiel assistente, revelando que fora ele o autor da denúncia. Valeu a pena. A prisão foi parar nas primeiras páginas dos jornais.

Matheus Nachtergaele como José Mojica Marins em um caixão na série Zé do Caixão

O episódio é dedicado ao filme Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966), uma continuação do bem-sucedido À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963), igualmente um clássico do cineasta maldito. Nele, Mojica já se confunde com seu grande personagem, Zé do Caixão. Fora de cena, em um momento de descanso no trabalho, tira um cochilo em um caixão. Críticos já começam a reconhecer seu talento. E a ver em sua obra influência do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), para espanto do autodidata Mojica. Intelectuais de esquerda tentam cooptá-lo, mas o diretor não pensa duas vezes e acata o pedido da Censura Federal para mudar (e salvar) o final de seu longa.

Nas filmagens de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, o cineasta usou aranhas de verdade. O resultado, para o filme, não poderia ter sido melhor: as atrizes entraram em pânico. Uma outra atriz passou sufoco com uma jiboia enrolada em seu pescoço. Foi salva pelo inigualável "Cooorrrrrta" de Mojica.

No episódio, o diretor não só bate numa atriz em cena, incomodado com o excesso de drama, mas também em um apresentadora de TV, que lembra Hebe Camargo (1929-2012). A bofetada na atriz existiu. Já as chicotadas na apresentadora são uma fusão de acontecimentos. Mojica nunca chicoteou Hebe Camargo, mas repetiu exaustivamente seus "testes macabros" em programas como o Quem Tem Medo da Verdade?, sucesso da Record do final dos anos 1960. Chicotadas faziam parte desses testes, para deleite da audiência.


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