'Rei dos auditórios'

'Travesti agora é bem-vindo ao Programa Silvio Santos', diz Roque

Fotos: Dri Spacca/NTV

Gonçalo Roque, diretor do Departamento de Caravanas e Convidados do SBT, em sua sala - Fotos: Dri Spacca/NTV

Gonçalo Roque, diretor do Departamento de Caravanas e Convidados do SBT, em sua sala

DANIEL CASTRO - Publicado em 15/06/2014, às 17h15 - Atualizado em 16/06/2014, às 06h29

RESUMO: Aos 76 anos, Gonçalo Roque, ex-assistente de palco de Silvio Santos, comanda uma rede de 120 caravanistas que chegam a levar 2.000 pessoas por dia ao SBT. Em entrevista exclusiva, ele explica por que homem não é aceito nos auditórios de Silvio Santos e revela como o programa passou a aceitar até dois travestis por gravação. 'Travesti é gente como a gente', disse o 'patrão'

Durante cinco décadas, homens foram terminantemente proibidos na plateia de Silvio Santos. Há um ano, isso mudou. O programa de auditório mais tradicional da TV brasileira agora aceita travestis e homens vestidos de mulher. "Silvio gostou da ideia. Ele falou para mim: 'Travesti é gente como a gente'. As pessoas vêm aqui. Pode ser o machão, se se vestir de mulher, entra no auditório", diz Gonçalo Roque, 76 anos, diretor do Departamento de Caravanas e Convidados do SBT, uma estrutura de 12 profissionais que já chegou a colocar mais de 2.000 pessoas nos auditórios da emissora em um único dia.

Roque, um ex-porteiro e office-boy que criou todo um know-how de lotar plateias, explica a rejeição aos homens: “Homem não ajuda. Homem não colabora. Porque se você vai com a namorada ao programa de auditório e tiver alguém olhando para ela, você vai querer brigar. Se o cara vem com a namorada e vem um cantor bonitão e a namorada grita para o cantor, o namorado já dá uma cotovelada nela e manda ficar quieta. Então, só entram mulheres, elas ficam mais à vontade”.

Os travestis foram uma demanda das cerca de 120 caravanistas que alimentam o SBT de “colegas de trabalho”. “Os bairros têm bastante travecos e aí elas falam com a caravanista do bairro, pedem para vir ao programa”, diz Roque. Os travestis, no entanto, têm uma cota ainda bem pequena de lugares. Toda semana são só dois [travestis]. Porque se começar a colocar demais as travestis entram e as mulheres ficam de fora”, justifica.

Homem invade Troféu Imprensa vestido de mulher

No Programa Silvio Santos, as travestis são colocadas em poltronas coladas no corredor, para que o apresentador converse com elas. O “patrão” às vezes faz a linha “sedutor”: “Isso aí é só parte do pagamento”, assoprou para uma delas logo após entregar uma nota de cem reais, insinuando que o “programa” continuaria depois do programa. Para outra, perguntou se ela tinha “algum predicado” e reclamou que as pernas eram “horríveis”, porém insistiu para ela deixar o telefone na saída.

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Mas nunca teve um homem que entrou vestido de mulher? “Já teve diversos”, responde Roque. O caso mais recente foi no Troféu Imprensa, em abril. “Era um homem mesmoO sujeito assistiu ao programa e disse para mim que tinha realizado o sonho dele porque tinha visto o Silvio Santos. Na saída, a gente ficou olhando e ele tropeçava no sapato porque ele não sabia andar de salto alto”, lembra Roque.

“Na hora que ele foi embora, foi se desmontando, tirando a peruca, a roupa, o sapato. E a segurança foi indo atrás achando que ele era jornalista infiltrado, mas não era. Ele só queria realizar o sonho dele de conhecer o Silvio Santos”, complementa a supervisora Mércia Dias Garção, braço direito de Roque no departamento de auditórios do SBT.

Rei das macacas vira rei do auditório

Roque começou com Silvio Santos em 1955, quando ambos trabalhavam na Rádio Nacional. Ele se considera o criador do sistema que abastece os auditórios de todas as emissoras com caravanas de bairros. “Eu ia aos bairros e anunciava de megafone que tal dia ia ter caravana para o Silvio Santos. Na época era tudo muito difícil, era feito com peruas. Também fiz caravanas para o Chico Anysio, Chacrinha, Moacyr Franco. Todos os apresentadores de televisão, eu trabalhei com eles. Hoje, de acordo com muitas pessoas aí, sou o rei dos auditórios. Antigamente, era o rei das macacas”, gaba-se.

Macacas de auditório, conceitua Roque, eram “as moças que eram contratadas para agarrar o cantor, invadir palco, gritar etc. E eu fazia esse trabalho para o Wanderley Cardoso até que um dia quase que eu entrei numa fria”. Como assim?

“Quando ele [Wanderley] entrou no palco, a menina já estava avisada que tinha que desmaiar. Só que tinha uma grade na frente e, quando a menina foi desmaiar, ela bateu a cabeça e desmaiou mesmo. Foi aquela correria. Teve que chamar a ambulância. Naquela época, macaca era a pessoa que atacava o cantor”.

Roque também intermediou a contratação de “macacas” na histérica excursão da boy band porto-riquenha Menudo, em 1985. “Me contrataram para levar uns cinco ônibus de mulherada lá [no aeroporto de Congonhas]. Elas ficaram em pontos estratégicos e quando os menudos chegaram elas tinham que invadir. Foi uma bagunça tão grande que até a polícia apareceu perguntando quem era o responsável. Quando foram me procurar eu já estava longe”, conta, rindo.

Roque, o 'rei dos auditórios'

Comportado, auditório de hoje tem modelos

Houve uma “renovação” no auditório, diz Roque. As senhoras perderam espaço. “Hoje a maioria dos programas de auditório só quer apresentar jovens, mulheres lindas e rapazes bonitões”, critica. “Ninguém mais fica correndo atrás de artista”.

Antes de Silvio Santos aparecer para gravar, Roque faz um aquecimento do auditório. Dura uns dez minutos. “Nós só orientamos como elas devem se comportar. Antigamente, era ‘Você precisa invadir o palco. Você precisa gritar. Você precisa agarrar o cantor’. Hoje é tudo dentro da ordem. É uma brincadeira sadia. O Silvio gosta de tudo certinho.  Ele brinca muito com o auditório, e o auditório se tornou um auditório alegre”.

Na concorrência, empregam-se modelos nos auditórios, denuncia o ex-assistente de palco de Silvio Santos: “Tem muitos programas que contratam modelos para ficar um auditório bonito, mas isso não funciona. A modelo está ganhando para aparecer”.

Com quase 60 anos dedicados aos auditórios, Roque tem autoridade para dizer se existe alguma técnica no trabalho: "No meu conhecimento não existe nada de técnica. Existe o coração. Você dá atenção para a pessoa, ela é bem tratada e quer voltar na semana que vem”.

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