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Justiça

'As pessoas deveriam ter o direito de decidir morrer', diz Cauã Reymond

Ellen Soares/TV Globo

Cauã Reymond em gravação da minissérie Justiça em que interpreta o contador Maurício - Ellen Soares/TV Globo

Cauã Reymond em gravação da minissérie Justiça em que interpreta o contador Maurício

MÁRCIA PEREIRA

Publicado em 18/8/2016 - 6h13

Grisalho e com um personagem de intensa carga dramática, Cauã Reymond está de volta à TV a partir da próxima semana na minissérie Justiça, da Globo. Ele interpretará Maurício, um marido apaixonado que sucumbe ao doloroso pedido de sua mulher: morrer. Bailarina, Beatriz (Marjorie Estiano) não quer viver se não puder dançar. Ela ficará tetraplégica após ser atropelada e morrerá por eutanásia, tema que está mexendo muito com a cabeça do galã. "As pessoas deveriam ter o direito de decidir morrer. É a minha opinião, mas eu sou a favor de sempre estar dentro da lei", diz.

O ator revela que pretendia dar um tempo da televisão para descansar a imagem, já que passou vários meses no ar em A Regra do Jogo (2015) e ainda tem uma série inédita gravada, Dois Irmãos, que estreará no dia 2 de janeiro. Porém, o convite para fazer Justiça representava "sair da casinha". Reymond afirma que o papel o coloca em um lugar novo e diferenciado.

Escrita por Manuela Dias, a minissérie apresenta histórias que se costuram com diferentes pontos de vista. De segunda a sexta-feira, o público verá uma trama diferente a cada dia da semana, exceto às quartas. Em comum, todos os protagonistas foram presos na mesma noite em 2009 e ganharão a liberdade juntos, sete anos depois. O desejo de fazer justiça com as próprias mãos também está presente em todas as histórias, promovendo um diálogo com opiniões contrárias o tempo todo.

estevam avellar/tv globo

Cauã Reymond na sequência em que a personagem de Marjorie Estiano é atropelada 

Justiça trará o debate sobre eutanásia, que é pouco comum na teledramaturgia brasileira. "Poderá propor uma forma diferente de encarar a eutanásia. Se a minissérie fizer a gente repensar a lei, faz sentido, sim, abordar o tema. Sou a favor da lei, mas também sou a favor da pessoa fazer o que quiser. Cada um tem consciência do que quer para si, principalmente quando está lúcido", declara o ator.

Ele diz que ser aberto para entender a situação que Maurício vive o ajudou nesse trabalho, mas também fala que não gostaria de estar na pele do personagem. "Voltei para casa muito mexido após a gravação das sequências mais fortes com a Marjorie, no hospital, com a questão da eutanásia. Isso me trouxe um questionamento interno que nenhuma preparação traz ao ator".

Reymond revela que relembrou o período em que seu avô ficou internado, sobrevivendo por meio de aparelhos. Mesmo assim, diz que é delicado se colocar no lugar de alguém que atende o pedido de uma pessoa que deseja morrer. "Eu acho dolorido o que esse cara passa. Dia desses, fui para casa, me colocando no lugar dele. Eu acho tão difícil o que ele enfrenta. A maior dificuldade do personagem é não ter mais a pessoa que mais ama e ser culpado por isso".

reprodução/tv Globo

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond: os protagonistas de Justiça

Para agravar ainda mais a situação, Maurício sabe quem é o homem que atropelou sua mulher e fugiu. É um dos sócios da empresa em que ele trabalhava, o inescrupuloso Antenor (Antonio Calloni). Em fuga com uma mala de dinheiro, o mau-caráter ultrapassa um ônibus em alta velocidade e atropela Beatriz, que saía do teatro após uma de suas apresentações.

Assim que deixa a prisão, o principal objetivo do contador passa a ser se vingar de Antenor. "Isso é importante porque tem um embate aí: o que é justo e o que é vingança? O que está dentro da lei e o que não está?", indaga o ator. 

Mais velho

O personagem de Justiça é mais velho do que Reymond, seu visual é careta e ele está ficando grisalho. "Tenho um pouco de cabelo branco, mas a produção os deixa mais brancos ainda. Acho que essa envelhecida que me dão enriquece o meu trabalho como ator", conta.

Ele comemora o fato de estar em uma idade em que pode tanto fazer papéis de homens mais velhos, como Maurício, ou mais jovens, como Juliano, de A Regra do Jogo. "Posso jogar um pouco mais para frente e um pouco mais para trás. Eu estou interessado em jogar mais para frente agora. Estou em busca de personagens que têm uma necessidade dramática, e muitas vezes isso tem a ver com a idade", revela.

A caminho de Lisboa

Após a minissérie, Reymond vai se dedicar ao filme Dom Pedro I. Além de viver o protagonista, ele é produtor do longa-metragem. O ator viajará para Portugal para conhecer os lugares onde dom Pedro passou parte da vida.

"Essa será a primeira viagem de muitas para fazer o personagem. Lá, também vou fazer algumas reuniões de produção. Queremos mostrar dom Pedro de um ponto de vista mais português. Nos acostumamos a ter uma visão muito restrita sobre ele. Queremos algo mais amplo. Ele era galanteador, sim, como conhecemos, mas também muito mais do que isso. Escolhemos a Laís Bodanzky como diretora para ter um olhar mais sensível e menos machista", conta.

Reymond ainda é modesto ao falar sobre uma possível carreira internacional. "Cada vez mais as pessoas estão circulando com mais facilidade. Carreira internacional tem a ver quando um projeto seu cruza a barreira do exterior e os convites começam a aparecer", conclui o galã.

Justiça estreia na próxima segunda-feira (22) após a novela Velho Chico. A minissérie tem 20 capítulos, direção artística de José Luiz Villamarim e direção de Luisa Lima, Walter Carvalho e Isabella Teixeira. Suas quatro histórias se passam no Recife.


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