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COMENTARISTA DA CNN

'Não faço jornalismo para os ricos', afirma Sidney Rezende sobre carreira

REPRODUÇÃO/CNN BRASIL

Imagem de Sidney Rezende em comentário na CNN Brasil

Sidney Rezende durante comentário na CNN Brasil; jornalista avaliou trajetória profissional

ERICK MATHEUS NERY

erick@noticiasdatv.com

Publicado em 1/8/2021 - 7h00

Com uma trajetória consolidada no rádio brasileiro, Sidney Rezende brinca que tem um desejo especial para a sua lápide: ser creditado simplesmente como "jornalista". Aos 62 anos, o profissional segue na ativa e é enfático ao avisar: "Não faço jornalismo para os ricos".

"Acho que o mais legal no jornalismo é estar preocupado, atento e dedicado aos mais pobres, os que mais precisam de informação", complementa o comentarista de política da CNN Brasil em entrevista ao Notícias da TV.

No canal de notícias, ele atuou ao longo do último ano no quadro matinal Liberdade de Opinião, no qual apresentou posicionamentos antagônicos aos de Alexandre Garcia. No meio do mês passado, foi remanejado para o horário noturno, e passou a comentar nos jornais apresentados por Márcio Gomes, Monalisa Perrone, William Waack e Carol Nogueira.

No entanto, engana-se quem pensa que existe alguma briga entre ele e Garcia. "Cada um observa a política brasileira com o seu olhar, temos compreensões da realidade distintas e não acho isso ruim", pondera o jornalista, que comemora a parceria com Rafael Colombo e Elisa Veeck e elege o quadro como uma das suas passagens mais felizes na televisão.

Em mais de 35 anos de carreira, Rezende já trabalhou em veículos como Jornal do Brasil, Band, Globo, CBN e a extinta TV Manchete. No bate-papo com a reportagem, o jornalista comenta a sua carreira, a polarização política do país e os desafios diários da profissão.

Confira a íntegra da conversa:

Notícias da TV - A sua carreira fala por si só. Como você faz para manter esse tom conversado com o público em todas as suas entradas, tanto na TV como na rádio?
Sidney Rezende - Que coisa engraçada, comecei a minha carreira em 1985, século passado. De fato, faz bastante tempo. A primeira cobertura que fiz foi como repórter de rádio, onde foi meu primeiro emprego, na Roquette-Pinto, foi o calvário do Tancredo Neves (1910-1985). Ele foi eleito no Colégio Eleitoral para ser presidente da República mas, infelizmente, foi acometido por um problema de saúde, viveu um drama terrível, não assumiu, e o José Sarney, que era o vice, acabou sendo presidente da República.

Aquele período foi a minha primeira experiência como repórter de chão, e eu lembro que, naquela época já eram consagrados nomes que, hoje em dia, a gente admira: o Caco Barcellos, Carlos Nascimento, Mônica Waldvogel e muitos outros colegas. De lá para cá, acho que somente estou conseguindo um pouquinho disso que você diz que eu tenho.

Ao contrário, as pessoas sempre me disseram, e isso sempre me incomodou, que eu emposto a voz, que eu falava como no rádio. Sou assim, se emposto ou não, não sei te dizer exatamente, mas sou exatamente como sou assim agora, como as pessoas viam no Liberdade de Opinião. Não é uma marca que sempre esteve na minha comunicação, mas o humor sempre esteve, tirar umas coisas do nada. Mas isso ainda é novo para mim, acho que consegui depois de muitos anos buscando precisão, disciplina, fazendo tudo certinho. Em algum momento, falei que ia ser espontâneo, e está funcionando!

Agora você trabalha como comentarista na CNN Brasil. Como está sendo essa experiência para você, com a atual polarização que vivemos?
Quando estava no Liberdade de Opinião, entrei para isso, para dar minha opinião. No trabalho que tenho atualmente, nos telejornais, tenho que fugir desse ser opinativo e procurar ser um comentarista, um analista, que é o que me parece como a função que o canal espera de mim. O analista, o ideal, é que ele não seja só opinião, que ele analise a situação com isenção.

Nessa tarefa atual, é muito mais isenção, muito mais rigor no que estou falando e menos opinião. São dois galhos de um tronco muito parecido. É muito polarizado, mas sempre procurava respeitar as outras pessoas e, ao mesmo tempo, fazer com que elas respeitassem a minha opinião, mesmo que não fosse igual. Então, nunca tive um problema na rua, jamais.

Vou a todos os lugares, ando todos os dias de dupla máscara e ouço assim: "Puxa, gosto muito do seu trabalho, parabéns!". Depois: "Sidney, eu não concordo com tudo que você fala, mas gosto do seu comentário". Acho legal você conseguir atrair alguém que não pensa igual, discorda, mas respeita.

Tem uns radicais, sim, de um lado e do outro, que vão muito agressivos. Mas é um percentual tão pequeno, 1% que resolve te xingar ou falar mal, que considero isso muito pouco, pequeno. Alguns, eu tento remover daquela atitude mais radical, agressiva. E outros, eu nem tento, por causa da forma como abordaram, com xingamentos.

E com a pandemia da Covid-19, você teve que transformar a sua casa em um estúdio de rádio e de TV. Acredito que você estava acostumado com o contato com a equipe, a convivência na redação.
É verdade, não fui o único nem o primeiro, todos os meu colegas que vivenciam isso notaram que é diferente. Primeiro foi gradativo, não foi tudo de uma vez, começamos com o rádio, depois com a TV. Aí sim, tem equipamentos adequados, ajustar a iluminação. Nesse sentido, a minha mulher, Lygia Gotti, se transformou em uma grande profissional da área técnica. Ela é que me ajuda na montagem dos equipamentos, iluminação, som, conversa com os técnicos da CNN. Sem dúvidas, está sendo uma experiência totalmente nova.

Já tinha feito participações à distância, mas não com equipamentos, assim como foram montados aqui. É muito fascinante, mas nada substitui a equipe técnica, que sempre me respeitou muito. O meu trabalho não iria ao ar sem uma série de ajustes. Se alguma coisa sai errada, não é por culpa de ninguém da estrutura, é por minha própria responsabilidade.

Gostaria de saber sobre a sua experiência nos bastidores do Liberdade de Opinião, a sua relação com o Alexandre Garcia, o Rafael Colombo e a Elisa Veeck.
O quadro foi um sucesso no período em que estive e vai continuar sendo, agora com o Fernando Molica. Olha que coisa curiosa, já conhecia o Alexandre Garcia, trabalhamos juntos na Globo. Todas as vezes, quando possível, e nossos plantões combinavam, sempre conversávamos nos corredores sobre o Brasil, política, nossas carreiras. Sempre muito gentil, um coleguismo muito legal.

O Rafael Colombo e a Elisa Veeck, conheci agora na CNN. Acompanhava o Colombo como telespectador na época da Band, assistia ao Canal Livre com ele. Inclusive, eu apresentei a versão local [no Rio de Janeiro] no passado, quando trabalhei lá. Tem uma pessoa oculta que é o editor Rodrigo Maia, ele é o grande cérebro por trás do quadro.

Fiz três ligações para o Garcia. A primeira, antes de começar, eu disse: 'Alexandre, poxa, fui convidado para fazer um quadro com você. Se alguém vai achar que vamos brigar, por mais visões diferentes de mundo que a gente possa ter, isso não vai acontecer da minha parte'. [Ele respondeu:] 'Ah, fica tranquilo, também não!'. Nós nunca brigamos, isso foi mantido.

A segunda ligação foi no meio do programa, falei: "Alexandre, no item tal do comentário de hoje, a sua fala foi muito superior à minha. Muito completa, muito boa. Não tinha pensado sobre essa visão que você deu do seu comentário". Não estou me desmerecendo, mas o dele foi muito completo.

Por fim, quando fui convidado para a troca de turno, liguei para agradecer a ele, pois nós sempre mantivemos esse grau de respeito, embora tenhamos visões do mundo diferenciadas. Cada um observa a política brasileira com o seu olhar, temos compreensões da realidade distintas e não acho isso ruim.

Se não fosse o Rafael Colombo, talvez não tivesse me sentido tão à vontade. Ele sempre foi muito astuto, bem-informado, com um humor que ele próprio mostrou no decorrer da apresentação, pois ele é sério. Ele foi se sentindo à vontade comigo, e eu com ele. Criamos uma interação muito boa, e eu agradeço muito a ele. A Elisa, vou falar menos, porque ficamos uma semana agora no final, mas notava que a cada programa ela ia relaxando comigo e entendendo meu jeito. Foi uma das coisas mais legais que fiz na televisão, adorei fazer.

E agora você está no turno da noite, ao lado do Márcio Gomes, Monalisa Perrone, William Waack. Você sentiu diferença?
É muito diferente, pois no quadro tinha 20 minutos corridos, aproximadamente. Agora, tenho que fazer comentários de tempos diferentes, um minuto, um minuto e meio, dois minutos. É um formato diferente, um desafio novo. É um desafio triplicado, tento me preparar mesmo sem saber quais serão os temas da noite.

Tenho que me adequar à linguagem e ao tempo para o horário noturno, que tem uma audiência muito diferenciada do horário da manhã. Estou diante de alguns extraordinários âncoras, e cada um tem seu estilo, ritmo e competência.

Eu me atenho à área política, mas leio de tudo, e tenho que trazer algo a mais. Tenho que perseguir um olhar diferente. Por exemplo, com quem estou lidando atualmente, o Caio Junqueira, é furo todo dia, é brilhante. A Renata Agostini é uma jovem com mil pontos acima, ótima. Todos esses colegas têm tantas fontes que vão direto ao acontecimento.

Muitas vezes, faço uma coisa periférica. Se fulano foi escolhido para uma função, converso com articuladores que ocupavam essa função antes. Daqui a pouco, quando trago essa análise, é algo que ninguém se preocupou em fazer, mas eu apurei. Às vezes, fulano é novo, mas o desafio é antigo.

E com a troca de horários, você saiu da CNN Rádio. Podemos esperar você de volta?
Quando me disseram que teria essa experiência na noite, a ideia é que retorne para a rádio em algum momento, o mais breve possível, pois coincidiu também que muitos comentaristas estavam de férias. Quando todos estiverem de volta, isso será readequado. Por enquanto, estamos como estamos.

Você tem 62 anos e ainda segue 100% na ativa profissionalmente. Você tem alguma meta profissional, um novo desafio que te motiva?
Espero que a nossa profissão permita com que nós todos possamos exercer o ofício, independentemente da idade, desde que você tenha algo para contribuir. E, ao mesmo tempo, abrir espaço para a juventude. Meu desafio é permanecer na ativa com saúde, com qualidade. Não tenho medo algum de disputar espaço com os mais jovens, com os mais qualificados e atualizados.

O desafio não é deles, é meu! Se tem um profissional que é mais rápido, apura bem, chega antes e saí depois de mim, e brilha, eu é que tenho que me reencontrar na profissão, e é o que estou fazendo hoje.

E qual é a notícia que você deseja apresentar ou comentar nos próximos meses?
Todos os indicadores asseguram que o Brasil acabou com a pobreza. Essa é uma das coisas que mais me preocupa. Acho que o mais legal no jornalismo é estar preocupado, atento e dedicado aos mais pobres, os que mais precisam de informação. Não faço jornalismo para os ricos, elites ou governantes.

Atualmente, a quantidade de encontros que recuso, almoços e jantares, pois não quero ser cooptado por uma parte apenas da sociedade, pois vou deixar de ser jornalista do todo. No dia em que tiver amizade com uma fonte, posso deixar de dar uma informação que tivesse que dar.

Sempre brinquei que, na minha lápide, quero que esteja: "Sidney Rezende, jornalista", mais nada. O jornalismo profissional é muito importante, ele tem sido muito atacado e, frequentemente, de forma injusta. Às vezes, críticas são superválidas. Eu sou muito crítico também do meu ofício, mas é uma profissão muito importante, como muitas outras.

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