Elias Gleizer (1934-2015)

Morre Elias Gleizer: Tinha cara de vô, mas era especialista em padres

Elias Gleizer em dois momentos como o frei José de Sinhá Moça (2006), novela de Benedito Ruy Barbosa -

Elias Gleizer em dois momentos como o frei José de Sinhá Moça (2006), novela de Benedito Ruy Barbosa

DANIEL CASTRO - Publicado em 16/05/2015, às 17h46

Morreu neste sábado (16) no Rio de Janeiro Elias Gleizer, um dos atores mais presentes na história da telenovela brasileira. Desde Se o Mar Contasse (1964), na extinta TV Tupi, até Boogie Oogie (2014), na Globo, foram mais de 50 novelas. Nas últimas décadas, ficou marcado por interpretar vovôs e dividir a cena com crianças. Mas foi o papel de padre que mais encenou. "Eu fiz mais de cinco novelas com crianças. Eu tenho cara de vovô. Mas fiz mais novela de padre. Foram dez padres. Também fiz frei, só não consegui ser bispo", brincou em depoimento ao projeto Memória Globo, em 2011.

Gleizer estava internado desde o último dia 6 no hospital Copa D'Or, na zona sul do Rio, após quebrar cinco costelas e perfurar o pulmão em uma queda. No hospital, ele desenvolveu um quadro de falência circulatória devido a uma broncopneumonia.

Nascido Ilicz Gleizer, em São Paulo, o ator era filho de sapateiro e dona de casa judeus, ambos imigrantes poloneses. Entrou na carreira artística porque o pai o obrigou a estudar violino. Aos 12 anos, tocava em uma orquestra juvenil amadora, quando foi convidado por um diretor para fazer teatro. Em 1956, ganhou o primeiro prêmio, em um festival amador. Três anos depois, estreava na Tupi, onde ficou até 1978. Começou fazendo pontas e foi crescendo. Seu primeiro trabalho de destaque foi no especial José do Egito.

Na Tupi, Gleizer fez novelas ao vivo. Atuou em tramas de Ivani Ribeiro e de Walther Negrão, que o levou para a Globo em 1984, após passagem pela Bandeirantes. Na Globo, fez Livre para Voar, em que interpretava um personagem inspirado no pai do amigo Negrão, também autor de sua última novela de destaque, Flor do Caribe _seu derradeiro trabalho, em Boogie Oogie, foi só uma participação, no papel de um... padre.

Elias Gleizer com Caroline Pavanelli em Sonho Meu, que o marcou como vovô

Em Tieta, de 1989, Gleizer deu vida ao motorista do lendário Marinete, o ônibus que conectava a fictícia Santana do Agreste ao resto do mundo. Em Sonho Meu (1993) fez o Tio Zé, o bondoso velhinho que adotava uma criança fugitiva de um orfanato. Repetiria o papel de vovô bonachão em Era uma Vez... (1998).

Depois, atuou em Explode Coração (1995), de Glória Perez, e em Chiquinha Gonzaga (1999), de Lauro César Muniz. Em Terra Nostra (1999), de Benedito Ruy Barbosa, fez mais um padre, desta vez um italiano, já que fazer sotaque italiano era uma de suas especialidades _ele falava 12 idiomas.

"Na época da Tupi, eu já fazia padre. Em Rosa dos Ventos [1973], fazia um padre. Eu ia à padaria vestido de padre, ia comer um sanduíche; passavam as meninas, e eu as cantava, paquerava, vestido de padre", contou ao Memória Globo. Além do padre José Lara de Rosa dos Ventos e do padre Olavo de Terra Nostra, Gleizer deu vida ao padre Inácio de Xeque Mate (1976) e ao padre José Rosendo de Meu Pé de Laranja Lima (1980), entre outros.

Na carreira de Gleizer ainda merece destaque o Seu Cadore de Caminho das Índias (2009), de Glória Perez. Em 2010, emendou Tempos Modernos a Passione, de Silvio de Abreu. Não foi a primeira vez que saiu de uma novela e entrou em outra, o que explica em parte seu longo currículo novelístico.

"Nunca recusei papel, nunca. A gente fazia com tanto amor, com tanto carinho, que tudo era importante. Não tem como destacar isso ou aquilo. Hoje você era o protagonista, amanhã fazia uma ponta, uma figuração. E você fazia da mesma maneira, de tanto amor que tinha por aquilo", disse ao Memória Globo.


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