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MEMÓRIA DA TV

Globo inovou com novela dentro da novela em 1977, mas público fugiu para a Tupi

Reprodução/Memória Globo

Tarcísio Meira e Glória Menezes se abraçam e se encaram apaixonados em cena de Espelho Mágico

Tarcísio Meira e Glória Menezes eram os protagonistas de Espelho Mágico e de Coquetel de Amor

THELL DE CASTRO

Publicado em 6/12/2020 - 6h40

Uma novela dentro da novela. Esse era um dos atrativos de Espelho Mágico, produção das oito que terminava na Globo há 43 anos, em 5 de dezembro de 1977. Mas a tentativa de inovar o gênero nos anos 1970 foi um fracasso. Aparentemente imbatível na época, a emissora chegou a perder 20 pontos de audiência e viu a Tupi encostar.

A trama, assinada por Lauro César Muniz, queria mostrar que os artistas não são mitos inalcançáveis como o público imagina, retratando suas angústias, dificuldades e problemas pessoais.

Os anúncios da produção já entregavam esse objetivo: "Você vai conhecer a verdade de uma bailarina, de um jornalista, de uma vedete de teatro. Tudo o que você sempre quis saber sobre a vida no teatro, cinema e TV. Espelho Mágico, onde a vida imita a arte".

O elenco era estelar: Tarcísio Meira, Glória Menezes, Juca de Oliveira, Yoná Magalhães (1935-2015), Lima Duarte, Sônia Braga, Daniel Filho, Pepita Rodrigues, Mauro Mendonça, Carlos Eduardo Dolabella (1937-2003) e muitos outros.

Também foi a primeira novela de Tony Ramos na Globo, após alguns sucessos na Tupi, e a estreia de Vera Fischer na televisão --anteriormente, ela tinha sido Miss Brasil em 1969 e feito alguns trabalhos no cinema.

No entanto, o público rejeitou a história, e a imbatível Globo começou a perder audiência. "Para fazer uma paródia revelando os truques a que recorríamos para fazer as novelas, devíamos utilizar outros gêneros que não a própria novela. Foi uma queda de quase 20 pontos na audiência, numa época em que a TV Globo era a dona absoluta do horário", constatou Daniel Filho em seu livro O Circo Eletrônico.

"Possivelmente, se tivéssemos feito uma novela sobre os heróis da televisão sem expor os seus defeitos, o resultado não tivesse sido tão repudiado. Às vezes, a novela não tem solução, fica se arrastando até o final. Espelho Mágico não tinha solução, a não ser terminar o mais breve possível", completou.

A novela dentro da novela

Numa iniciativa inédita, a Globo produziu uma novela dentro da novela. Coquetel de Amor era exibida periodicamente dentro de Espelho Mágico, com história e tudo --e muita gente se interessou mais por essa trama do que pela principal.

Tarcísio e Glória, que eram os protagonistas de Espelho Mágico, também eram os principais nomes de Coquetel de Amor, interpretando, assim, dois personagens cada. Daniel Filho, que era o diretor real da novela, também atuava dirigindo a outra trama. E por aí vai...

Para completar a salada, dentro de Espelho Mágico os artistas também ensaiavam e encenavam a peça Cyrano de Bergerac no teatro, num excesso de informações para o público.

Quem gostou disso foi a Tupi, que se deu bem com O Profeta, estrelada por Carlos Augusto Strazzer (1946-1993) e Débora Duarte. A trama foi crescendo conforme Espelho Mágico ia caindo e roubou público até da substituta, O Astro, que entrou no ar em 6 de dezembro de 1977.

A obra de Janete Clair (1925-1983), que acabou se tornando um dos maiores sucessos da história da televisão brasileira com o mistério do assassinato de Salomão Hayala, vivido por Dionísio Azevedo (1922-1994), chegou a perder no Ibope para O Profeta, só deslanchando quando a história de Ivani Ribeiro (1922-1995) acabou.

A crítica, no entanto, gostou de Espelho Mágico, que acabou ganhando o prêmio de melhor novela de 1977 da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Mas o público dificilmente sente saudades da produção, que teve apenas 150 capítulos e nunca foi reprisada. Quem sabe, em breve, as novas gerações terão a oportunidade de acompanhar essa inusitada história no Globoplay?


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