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Ligações Perigosas

Globo esbanja tecnologia, mas economiza em sexo em nova minissérie

Fotos: Caiuá Franco/TV Globo

Selton Mello e Marjorie Estiano em cena de Ligações Perigosas, nova minissérie da Globo - Fotos: Caiuá Franco/TV Globo

Selton Mello e Marjorie Estiano em cena de Ligações Perigosas, nova minissérie da Globo

DANIEL CASTRO

Publicado em 4/1/2016 - 5h39

Adaptação de um livro publicado em 1782, Ligações Perigosas sugere sedução, sexo e escândalo. Pela tradição das últimas minisséries de começo de ano da Globo (vide Amores Roubados e Felizes para Sempre?), teria muuuito sexo. Afinal, por que a emissora reproduziria uma obra que já teve mais de uma dezena de versões no cinema? Pois a estreia da noite desta segunda (4) pode decepcionar os mal-acostumados. Nos dois primeiros capítulos, exibidos antecipadamente a alguns jornalistas, há muita pegação, mas apenas uma cena é realmente quente _e ainda por cima muito rápida. Nela, a personagem de Patricia Pillar supostamente faz sexo oral em Leopoldo Pacheco, este deitado numa cama, com as mãos amarradas na cabeceira, vendado.

O que a nova minissérie da Globo esbanja mesmo é tecnologia e sofisticação. Segunda produção da emissora em 4K, formato com resolução quatro vezes maior do que a alta definição, os dez capítulos de Ligações Perigosas têm um acabamento impecável, de cinema. E trazem figurantes, cidade cenográfica, transatlântico de época e até um elefante virtuais, tudo criado em computadores. A protagonista de Patricia Pillar vai surgir em um cabaré ao lado de um elefante. Na gravação, a atriz não correu nenhum risco. O elefante nunca existiu.

Patricia Pillar e Selton Mello, protagonistas da obra

 Escrita pela estreante Manuela Dias, com direção-geral de Vinicius Coimbra, Ligações Perigosas transporta a nobreza francesa do século 18 para um lugar não definido no Brasil de 1928. A ação se passa na fictícia Vila Nova, uma cidade que, pelas características progressistas, poderia ser Santos (SP). Para dar um toque europeu a essa história universal, e também para não parecer novela de Benedito Ruy Barbosa, nas palavras de Coimbra, foram gravadas cenas na Patagônia e em uma fazenda no norte da Argentina.

Os nomes mudam um pouco (a marquesa de Merteuil, por exemplo, vira Isabel D'Ávila de Alencar) mas o plot é o mesmo de Les Liaisons Dangereuses, o livro de Choderlos de Laclos que escandalizou a França ao retratar dois libertinos em uma troca de cartas repletas de más intenções.

Guerra dos sexos

Na minissérie da Globo, Isabel (Patricia Pillar) é uma viúva "à frente de seu tempo", que trai o marido em pleno velório do falecido. Ela tem uma relação aberta com Augusto de Valmont (Selton Mello), com o qual divide lençóis e segredos. Eles são igualmente ricos, elegantes, descompromissados e manipuladores. E competem entre si em uma espécie de guerra dos sexos.

Isabel está certa de que Heitor Damasceno (Leopoldo Pacheco), seu amante, irá pedi-la em casamento. Rico, porém xucro, o comerciante quer entrar para a política e, para tanto, precisa subir ao altar. Eis que a arrogante Isabel sofre sua primeira grande decepção: em um jantar, Heitor pede a mão de Cecília (Alice Wegmann), de apenas 17 anos, filha de Iolanda Mata Medeiros (Lavinia Pannunzio), prima de Isabel. Enfurecida, a viúva vai tirar satisfações com Heitor. E ouve que ele jamais se casaria com uma mulher que se "dá ao desfrute".

JOão cotta/tv globo

Alice Wegmann e Jesuíta Barbosa: personagens são manipulados por Isabel (Patricia Pillar)

A viúva parte então para a vingança: não permitirá que Heitor se case com uma menina virgem. Inicia um jogo de manipulação e sedução. Primeiro, apela para Augusto, mas ele recusa a empreitada, já que está mais interessado em conquistar Mariana de Santanna (Marjorie Estiano), uma mulher casada e religiosa, que tem o hábito de lavar os pés de mendigos.

Isabel vira amiga da sobrinha e passa a manipulá-la. Convence sua mãe a lhe contratar um professor de música, Felipe Labarte (Jesuíta Barbosa). Os dois se apaixonam, mas Felipe não aceita deflorar Cecília antes do casamento. A Isabel, só resta apelar mais uma vez para Augusto, a essa altura já apaixonado por Mariana.

Acabamento de cinema

A Globo gastou 30% a mais para produzir Ligações Perigosas em 4K. Por enquanto, pouca gente vai ter acesso aos benefícios da nova tecnologia: somente os donos de TVs conectadas (também chamadas de smartTVs) produzidas a partir de 2013 que tenham o aplicativo GloboPlay e uma banda larga superior a 30 megabits por segundo. O sinal em 4K estará disponível apenas pela internet.

Lavinia Pannunzio e Selton Mello ensaiam sob a orientação do diretor João Paulo Jabur

O investimento, assim como em Dupla Identidade (de 2014, primeira produção em 4K), vale pelo aprendizado, já que em pouco tempo os televisores de 4K vão dominar o mercado, e pela demanda internacional. Vale também para dar à obra uma pretensa tinta de cinema.

Melhor se vista em televisores de telas grandes, Ligações Perigosas tem planos abertos, uma falsa luz natural e um pouco de fumaça e granulação na imagem. Para realçar "um glamour da época da história", a Globo convidou o fotógrafo francês Jean Benoît Crépon, que faz "uma leitura poética da imagem", de acordo com a diretora de núcleo Denise Saraceni.

A maioria das cenas foi filmada com uma câmera só, como no cinema. O recurso também serviu para aliviar os servidores da Globo. É que as imagens em 4K ocupam muito espaço nos computadores. Logo, o elenco teve que ensaiar mais. Apesar de toda a tecnologia empregada, o resultado final é uma minissérie de época, que, paradoxalmente, usa técnicas de filmagem de um século atrás. "A gente está voltando ao cinema de antigamente", constata Vinicius Coimbra.


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