Análise | Shownalismo

Fantástico muda para ficar mais chato (e passa sufoco no Ibope)

Renata Vasconcellos e Tadeu Schmidt no novo cenário do Fantástico -

Renata Vasconcellos e Tadeu Schmidt no novo cenário do Fantástico

DANIEL CASTRO - Publicado em 27/04/2014, às 22h47

[Atualização às 12h de 28/4/2014: a audiência consolidada do Fantástico foi de 17,7 pontos, praticamente a mesma coisa que os 18,2 de duas semanas atrás]

Em busca de renovação, o quarentão Fantástico estreou neste domingo novo formato. Ficou mais bonito, moderno, informal. Passou a ser apresentado em uma redação-estúdio, com minipalco, microautidório, supertelão, sofá da Hebe, cavalinhos falantes, robô do Sheldon da série The Big Bang Theory e até trilha de The Office.

Muita tecnologia, bastidores das reportagens, sonolentas reuniões de pauta, velha abertura repaginada e logotipo redesenhado compõem o pacote. Novidades todas que vazaram na internet, com a transmissão de um resumo de 45 minutos há três semanas, inclusive "a esperada entrevista" com Luiz Felipe Scolari.

O novo Fantástico se esforçou para ser engraçado, mas ficou mais chato. Tadeu Schmidt está mais humorista do que nunca. Exagera na dose. Alguém precisa avisá-lo que ele apresenta o Fantástico, não o Cidade Alerta. Mais chato e mais interativo. O telespectador do Fantástico pode votar no site do programa e escolher animações que representam seu humor durante a exibição de determinado conteúdo. Empolgante, não?

Mas nada supera a chatice do que o exibicionismo das reuniões de pauta, com direito a convidados famosos. A quem interessam as discussões que levam à produção de uma reportagem além de jornalistas e estudantes de jornalismo? E o material sobre o robô de telepresença, claramente inspirado em The Big Bang Theory, só serviu para mostrar que o departamento de engenharia da Globo só tem fera.

O novo Fantástico passou longe daquilo que mais se espera dele: reportagem. A revista eletrônica agora é muito mais (mais muito mais mesmo) entretenimento (ou infotainment) do que jornalismo. A grande reportagem da semana era uma ótima ideia de pauta, mas não revelava nada. Nela, uma repórter passou 24 horas em um presídio de segurança máxima. Tensão real zero. Conflito nenhum. Tudo muito negociado com a polícia. Tudo extremamente produzido, até no take à la Bruxa de Blair.

No Ibope, as mudanças não surtiram efeito. Nem em seus melhores momentos o Fantástico bateu nos 20 pontos. Na prévia, deu 16,5 pontos, contra 12,1 da Record, 9,0 do SBT e 4,8 da Band. Passou sufoco para vencer o Domingo Espetacular, sua cópia mais popular e apelativa da Record. Às 22h24, a Record marcava 12,7 e a Globo, 13,3 pontos na medição preliminar da Grande SP. Pelos critérios de arredondamento do Ibope, deu empate.

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