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Memória da TV

Em 2001, Globo mostrou desfile de Silvio Santos e bateu recorde de audiência no Carnaval

DIVULGAÇÃO/LIESA

Silvio Santos em cima de um carro alegórico no desfile da escola de samba Tradição, no Rio de Janeiro

Silvio Santos em desfile da escola de samba Tradição no Carnaval do Rio de Janeiro em 2001

THELL DE CASTRO

Publicado em 23/2/2020 - 5h12

Em 2001, durante o Carnaval do Rio de Janeiro, o apresentador Silvio Santos foi homenageado pela escola de samba Tradição. A Globo, que transmite a folia carioca na Sapucaí ao vivo, foi obrigada a conviver com a figura de um de seus maiores concorrentes durante os 80 minutos de desfile. Mas o evento bateu recorde de audiência.

Em 12 de julho de 2000, a Folha de S.Paulo anunciou que a Tradição decidiu transformar a trajetória de Silvio Santos em enredo. "A ideia de homenagear o dono do SBT partiu do publicitário paulista Wagner Jacopetti. Desde 1997, ele vinha negociando com Cintia Abravanel, filha de Silvio Santos. Em abril deste ano, finalmente ele autorizou o enredo", destacou o jornal.

No entanto, o dono do SBT deixou bem claro que não faria nenhuma forma de patrocínio à agremiação nem confirmou se participaria do desfile.

Além dessa dúvida, que foi dissipada apenas momentos antes da entrada na Sapucaí, com a chegada do animador, o público não sabia se a Globo exibiria o desfile, já que a Tradição seria a segunda a passar pelo sambódromo. Na época, a mídia especulou que a emissora estenderia a duração do Fantástico e mostraria o desfile apenas para os cariocas.

A questão foi resolvida alguns dias antes do Carnaval, quando foi comunicado que a rede exibiria a atração normalmente. "De acordo com a assessoria da Globo, as agremiações têm liberdade de escolha de seus enredos, e a emissora não vai prestigiar ou discriminar nenhuma escola por causa de um tema específico", destacou o jornal O Estado de S. Paulo em 12 de fevereiro de 2001.

Antes disso, em 4 de fevereiro do mesmo ano, a Folha de S.Paulo informou que o logotipo do SBT não seria visto na avenida. "Uma das razões é evitar possíveis atritos com a Globo, responsável pela transmissão do evento", enfatizou o texto.

Além disso, o carnavalesco da Tradição, Orlando Júnior, explicou que o regulamento proibia qualquer tipo de marketing na apresentação das escolas. "Mostrar o símbolo significaria fazer propaganda do SBT. Nós estamos contando a história do Silvio Santos, e não da emissora. Não vem ao caso exibir a marca", disse. "Se carregássemos o logotipo, poderíamos ter problemas não só com a Liga, mas também com a Globo. Mas isso não vem ao caso", completou.

Semanas antes, em 18 de janeiro, outro atrito já tinha ocorrido entre as emissoras: na final da Copa João Havelange, entre Vasco e São Caetano, os jogadores do time carioca entraram em campo com a marca do SBT nas camisas, justamente em uma provocação à Globo orquestrada pelo dirigente Eurico Miranda (1944-2019).

Diversos nomes do SBT participaram do desfile, como Gugu Liberato (1959-2019) e Hebe Camargo (1929-2012). O carro abre-alas mostrou o Baú da Felicidade. Os demais mostraram a Grécia, onde os pais de Senor Abravanel se conheceram, passando pela fase em que ele atuou como camelô, até chegar ao posto de um dos principais comunicadores da história da televisão brasileira.

Outras alegorias retrataram atrações históricas comandadas por Silvio Santos, como Namoro na TV, Domingo no Parque, Show do Milhão e Troféu Imprensa.

A Globo, no entanto, não saiu perdendo ao mostrar Silvio Santos. Pelo contrário: a emissora conquistou 39 pontos no Ibope, índice excelente para os desfiles.

Para se ter uma ideia, no ano seguinte, a Globo perdeu para o Show do Milhão, do SBT, enquanto mostrava o Carnaval: 18 a 16 pontos. No ano passado, a Globo registrou 8,9 pontos em São Paulo e 20 pontos no Rio de Janeiro --a maior audiência da emissora na cidade desde 2012.

Já a Tradição não teve vida fácil. A escola, que foi a oitava colocada em 2001 e participou vários anos da divisão especial do Carnaval do Rio de Janeiro, caiu para o Grupo A (o Acesso carioca) em 2006. Posteriormente, foi rebaixada para a Série B e para o Grupo RJ-1.

Em 2020, a agremiação desfilará pela Livres (Liga Independente Verdadeira Raízes das Escolas de Samba), dissidência da Liga Independente das Escolas de Samba do Brasil (Liesb), na terça-feira de Carnaval, na Estrada Intendente Magalhães.


THELL DE CASTROé jornalista, editor do site TV História e autor do livro Dicionário da Televisão Brasileira. Siga no Twitter: @thelldecastro

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