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MEMÓRIA DA TV

Em 1980, Fórmula 1 na Band ajudou a transformar Galvão Bueno em estrela

REPRODUÇÃO/BAND

Galvão Bueno no início de sua carreira como narrador de Fórmula 1, na Band, em 1980, com microfone na mão

Galvão Bueno no início de sua carreira como narrador de Fórmula 1, na Band, em 1980

THELL DE CASTRO

Publicado em 28/3/2021 - 7h27

Neste domingo (28), após 41 anos de transmissões na Globo, a Fórmula 1 volta à tela da Band. Na última vez em que exibiu a competição, em 1980, a então TV Bandeirantes mostrou as 14 provas do ano, recebeu críticas por problemas apresentados no GP do Brasil e ajudou a consolidar a carreira de Galvão Bueno.

Além da Globo e da Band, a Fórmula 1, principal categoria do automobilismo mundial, já foi transmitida por Tupi, Record, TV Rio e Cultura. A Record e a TV Rio, por exemplo, mostraram a estreia de Emerson Fittipaldi, em 1970, no GP da Grã-Bretanha, via satélite.

Na década de 1970, no entanto, as transmissões eram irregulares, e algumas provas não foram ao ar, incluindo a primeira vitória de Emerson, em 1972. A primeira vez em que todo o calendário foi exibido aconteceu justamente em 1980, quando a Band adquiriu os direitos com exclusividade –somente o GP do Brasil teve transmissão compartilhada com a Cultura, que participou da categoria somente nesta oportunidade.

A temporada começou em 13 de janeiro daquele ano, com o GP da Argentina; em seguida, veio o GP do Brasil, em 27 de janeiro, cuja estrutura de transmissão foi de responsabilidade da Band. A equipe montada pelo canal tinha os narradores Fernando Solera e Galvão Bueno, o comentarista Giu Ferreira e os repórteres Álvaro José e Ana Aragão.

Até então, Galvão, que completou 30 anos em julho de 1980, ainda não era a estrela que se tornou alguns anos depois. Iniciou sua carreira em 1974, na Gazeta, passou rapidamente pela Record, em 1977, e, no mesmo ano, ingressou na Band, onde foi comentarista na Copa do Mundo de 1978. Com as transmissões de Fórmula 1, ganhou visibilidade e foi contratado pela Globo no ano seguinte.

Coube justamente a Galvão mostrar a primeira vitória de Nelson Piquet na categoria, no dia 30 de março daquele ano, no GP de Long Beach, nos Estados Unidos. Ainda não existia Tema da Vitória, que surgiu na Globo mais adiante, e o narrador ainda não falava que tal piloto era "do Brasil", com a ênfase conhecida pelo público.

Críticas no GP do Brasil

Como acontecia até alguns anos atrás, com a Globo, a Band foi a responsável por montar a estrutura de transmissão do GP do Brasil, com suas imagens enviadas para todo o mundo, via satélite.

Apesar do investimento de cinco milhões de cruzeiros, o envolvimento de 203 profissionais e a utilização de 12 câmeras, a transmissão recebeu algumas críticas.

"Para quem viu a excepcional atuação da equipe argentina, responsável pela transmissão do GP de Buenos Aires, o trabalho da Rede Bandeirantes na transmissão do GP do Brasil foi, no mínimo, decepcionante. A equipe foi responsável por uma transmissão confusa e muito pouco informativa", destacou o Jornal do Brasil de 28 de janeiro de 1980.

O artigo citou, por exemplo, que a "direção de imagem atabalhoada", que chegou a confundir Galvão, "um comentarista de futebol". Também houve reclamações sobre as imagens de algumas câmeras, que não permitiam boa visualização da pista.

"A colocação da câmera responsável pela captação das imagens do Mergulho não estava boa e não se visualiza a pista, mas muito o mato. A câmera do helicóptero foi mal aproveitada", enfatizou o texto, que ainda registrou a perda de ultrapassagens importantes.

No final da temporada, Telmo Martino elogiou, no jornal O Globo de 5 de outubro de 1980, que a emissora transmitiu todas as corridas, além de destacar Galvão e Giu como especialistas no assunto.

Mas o locutor não escapou de algumas críticas. "Por várias vezes, porém, desinteressavam-se de fato e punham-se a uma troca de opiniões sobre o automobilismo em geral. Opiniões e comentários fundamentados, mas nem sempre pertinentes, que levavam o espectador a perder o contato com o acontecimento esportivo. Sem falar nas vezes em que Galvão Bueno permitia-se fazer discursos tão longos quanto demagógicos, recorrendo a recursos oratórios pobres e enfadonhos", concluiu o colunista.

Com a ascensão de Piquet e a volta do interesse dos brasileiros pela Fórmula 1, após um período de ressaca pela baixa competitividade de Emerson, a Globo retomou os direitos de transmissão em 1981, exibindo o primeiro dos três títulos do piloto, com narrações de Luciano do Valle.

O primeiro GP narrado por Galvão na Globo foi o da África do Sul, em 1982. Além de transmitir as conquistas de Piquet, o locutor ficou marcado por retratar as glórias de Ayrton Senna, bem como sua trágica morte, ocorrida em 1994.


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