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Com bordão ‘viado’, Marcus Majella dá asas a gay de Vai que Cola

Fotos Juliana Coutinho/Multishow

Marcus Majella como Ferdinando, o apresentador de Ferdinando Show que estreia nesta segunda (10) - Fotos Juliana Coutinho/Multishow

Marcus Majella como Ferdinando, o apresentador de Ferdinando Show que estreia nesta segunda (10)

MÁRCIA PEREIRA - Publicado em 07/08/2015, às 16h43 - Atualizado em 10/08/2015, às 05h24

Ferdinando, o porteiro interpretado por Marcus Majella no humorístico Vai que Cola e que sonha em ser uma estrela da Broadway, faz um voo solo a partir desta segunda-feira (10) no canal Multishow. O personagem ganha vida própria com um talk show colorido e animado. Em Ferdinando Show, ele tem asas para voar, se monta de diva em dublagens e recebe em seu sofá personagens da TV ou famosos. O bordão "viado" se torna a chave para o riso.

O personagem é uma drag queen, não leva nada a sério e tem muitos trejeitos e desmunhecadas. O primeiro programa é para lá de gay. Paulo Gustavo será entrevistado na pele de um de seus hilários personagens, o Bicha Bichérrima. "Tinha de ser com ele porque a gente é amigo há 13 anos. Um parceiro generoso, que me inspira muito. Não consigo olhar para a cara dele sem gargalhar", diz Majella.

Ferdinando é gay, mas nem sempre vão ser gays os convidados que ele entrevistará. "Muitas vezes a galera vai ver um programa bicha, mas vai ver o Ferdinando conversando com convidados do universo sertanejo, do esporte e muito mais. É um talk show mesmo", fala o comediante. 

A ideia de fazer o Ferdinando Show surgiu após a segunda temporada do Vai que Cola, no ano passado. Christian Machado, um dos diretores do Multishow, chamou Marcus Majella para fazer o programa para dar um "gostinho" do Vai que Cola antes de a atração voltar ao ar com sua terceira temporada, em outubro.

"É tudo que o Ferdinando queria. Esse personagem é um prato cheio para ter uma série. Me senti no Breaking Bad, como o personagem do advogado Saul Goodman, que ganhou uma série só sua, ou o Crô, da novela Fina Estampa [2011], que virou filme aqui no Brasil", diz o ator.

Concierge famoso

Ferdinando tem muitos sonhos, o principal é ser diva. Por isso, o cenário foi ambientado com esse foco. Ele está na recepção de um hotel cinco estrelas, onde recebe gente famosa. A recepção da pensão da dona Jô (Catarina Abdalla) ajudou a popularizar a palavra concierge.

O diferencial do programa é justamente o fato de o entrevistador ser um personagem. Por isso, ele recebe também personagens como a Filó (Gorete Milagres) ou a Gabi Herpes (Wellington Muniz, o Ceará). Ao todo, são 20 episódios, dez deles com o Ferdinando entrevistando personagens. Outras dez entrevistados são personalidades famosas, como a ex-panicat Nicole Bahls e a cantora Roberta Miranda, entre outros.

"Foi emocionante receber a Filó porque desde que a Gorete colocou a roupa da personagem, ela não saiu da pele da Filó. É impressionante. Nem com a câmera desligada ela respondia como Gorete. Além disso, o programa não deprecia o convidado. A ideia é exaltar o entrevistado. Queremos divertir muito. A pessoa fica livre para falar o que quer", diz ele.

Nicole Bahls no Ferdinando Show; ex-panicat revela segredos de sua boa forma

Nicole Bahls de quatro

O Notícia da TV acompanhou a convite do Multishow a gravação do programa com Nicole Bahls e presenciou uma conversa de "travestis", com o linguajar que as drags e gays conhecem bem. A morena, com um microvestido, ainda ficou de quatro em um colchonete para ensinar ao público os exercícios que faz para deixar seu bumbum durinho. 

"Quando tem algo que não podemos mostrar, a gente corta, edita. Nossa censura é de 12 anos. Se o convidado falar umas baixarias, a gente conversa com ele e pede para falar de outra maneira porque poderá ter criança assistindo em casa. O Vai que Cola tem um público infantil que vamos cativar no Ferdinando Show também", explica Majella. 

Toda montada

A atração sempre vai começar com Ferdinando chegando e fazendo uma dublagem de uma diva, como Barbara Streisand. Ele é apaixonado por estrelas internacionais e brasileiras. Entre as imitações tem Preta Gil, Ana Carolina, Gal Costa, Beyoncé e Britney Spears. 

Depois, o personagem volta com outro figurino para fazer a entrevista. No palco, ele conta com a ajuda de três assistentes: Pollyanna Rocha e os "boys magia" Guilherme Trestini e Jonathan Dobal. Tem ainda a DJ Zelda (Marise Lima), que é lésbica e interage com os convidados. 

Sempre puxando o riso com o bordão "viado", Ferdinando expõe suas opiniões entre uma pergunta e outra. O roteiro é escrito para uma drag. Aliás, um dos roteiristas é a transformista Suzy Brasil. Ela serviu de inspiração para a criação do Ferdinando no Vai que Cola.

Marcus Majella se monta de diva e faz dublagens no início de cada episódio 

Para Majella, por ser humor, o personagem não sofre preconceito. Ele diz que todo mundo brinca com seu bordão sempre que o vê. Gente de todas as idades e sexo, afirma o ator. "Eu estou protegido porque são palavras do Ferdinando. Eu, Marcus Majella, não chego em casa montado de rainha de bateria. Apesar disso, todos os números musicais são criações minha", revela o humorista.

Majella participou de todas as etapas do programa, da reunião de pauta à confecção dos figurinos. Foram dois meses de gravação. Os 20 episódios foram gravados em um estúdio no Rio de Janeiro, com uma plateia de 150 pessoas. "O Ferdinando é um divisor de águas. Esse personagem mudou a minha vida. Na verdade, o Vai que Cola mudou a vida de todo o elenco. A gente teve liberdade artística, mas sempre nos questionamos para não ultrapassar os limites, e deu certo."

Sem paranoia

O comediante diz que já está satisfeito com o trabalho que fez e não cria expectativa sobre uma segunda temporada. "Se não tiver, não vou ficar paranóico."

Entre os quadros do programa estão a "montagem" de uma drag queen do auditório. Quem Quer se Montar? acontece em todos os programas. O escolhido surge no final da atração montada como drag queen.  

Em alguns episódios, o público também vai ver o convidado participando do quadro Pra Quem Você Perde um Aqué?. "Na gíria de gay, aqué é dinheiro. Mostramos fotos de vários bofes e o entrevistado responde se perderia uma grana com fulano ou ciclano. Eu explico o que é, mas as pessoas se divertem quando ouvem palavras que não são do palavriado comum delas, como odara e mona', diz Majella. 

O Ferdinhando Show irá ao ar segundas, quartas, quintas e sextas, às 22h, no Multishow. 


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